A desgraça que te rodeia

O dia amanhecera enegrecido, o sol custava a sair, via-se apenas nuvens acinzentadas a colorir de uma sobriedade vintage aquela nostálgica manhã, esta despontava num novo dia - dia esse que não se fizera anunciar antecipadamente e, assim, sorrateiramente foi surgindo como um ladrão que inesperadamente invande a particularidade alheia com uma surpresa desagradável...

Indiferentemente do céu, que anunciava numa sutiliza desconexa um tempo pouco gracioso a surgir, o único colorido neste matiz P&B que se podia ver revoando-o em círculos, era d'alguns Sarcoramphus Papa, bando que dava um tom todo especial aquela manhã - sugeria que boas notícias não estavam por adiante vir, tornando indo mais nefasto o dia que não muitas horas atrás irremediavelmente nascera.

- Ave de mal agouro, que fazes tu na imensidão de um dia promissor, ainda que de desconhecidas novas, mas um dia misterioso? Que fazes tu para malográ-lo, ó, ave de mal agrado? Malfadada, retira-te daqui, ó ave multicor tu és incompreendida, tens tamanha importância, porém teu belo colorido não a priva de tenebrosa prática. Por que te poens a devassar-me a des-graça, ó aluvião do tempo mal? Ó malfazeja vá sobrevoar desertos dantes explorados, sobre nossos frágeis brilhantes telhados não façais ninho para si. Pois que mal agrado traria sobre si mesma e tua prole? Anda, digo-te mais uma vez, retira-te daqui, te aparta mal-dita!



As pessoas aos poucos iam saindo de suas casas, cautelozas olhavam para todos os lados com um olhar de indagação, querendo saber o que estava para surgir, o tempo, nem um pouco agradável, fazia de tudo para espantá-las, impulsionando-as para dentro de suas casas presas ficar - como que varrendo algo indesejado, com estrema avidez - soprava um vento afiadamente glacial. Não precisavam nem encará-lo para saber o quão furioso Áquilo estava. Aos montes iam se amotinando frente suas casas, para aguardar por Hermes, que fora incúbido trazer as novas.

A espectativa dominava todos, a cidade havia parado para esperar o infante Hermes, em seu simples transporte de duas rodas, pedalava com muito esmero, trazer as notícias de mais um dia de branco. Cada um olhava para o outro, como se olhando a si mesmo, aquela garota lhes revelava bem mais do que gostariam de dizer, impiedosamente tagarelava sobre a tamanha ansiedade que custava ser dominada - como se o tivessem conseguido fazer n'alguma parte daquele devassada manhã.

- Lá vem ele! - alguém com muito impeto gritou a todos, aquilo soou dissonicamente diante de tanto suspense que os rodeava como uma espessa névoa que podia ser sentida as apalpadelas.
Recuperando-se dos olhares prescrutadores e recriminantes o aturdido arauto ergueu os olhos bem a tempo de vê-lo vindo surgir por entre os prédios daquela idônea cidade, arranha-céus que já havia devorado boa parte daquela cidadezinha - que a muito havia perdido o diminutivo e se tornado uma cidade de "várias medidas".

Por onde o mensageiro passava as pessoas tornavam-se inda mais tensas e suas faces tomadas por um tom destituído de cor. Maior ainda foi o terror que tornou-se característico a cada um que postava-se a contemplar a manchete que evocava o que de pior se podia cada um deles esperar, trazendo à tona a terrível notícia.
Gritos de desespero, lágrimas - eram derramadas as torrentes -, não havia um só que não se desesperasse pela notícia que tomava toda página principal daquele diário social.

A coisa ia de mal a pior - quem desdobrava-se a ler o noticiário tão logo fse-lhes eriçava os pelos, uma sensação amarga era impressa, causando tontura e ate mesmo desmaio, toda essa situação seria comica caso fosse um conto, mas tratar-se-ia apenas de uma funesta irrealidade prestes a dar o rompante e rasgando a placenta ivaandir a vida de todos.

Naquele dia, que o sol custou a surgir, com lágrimas a lavar a alma - todos - creram que o pior estava por vir, não poderia ser merea concidência a desgraça vir a cavalo amarelo, atrás de si viria uma legião, 8 mil cositas más lhes seriam infligidas.

Um pai de familía lia aquele desgraçado prenúncio de morte e cadavericamente tentava obter lucidez suficiente para terminar de ler os estranhos hieróglifos - aquelas escritas - que no momento pareciam mais ilegiveis que a escrita cunheforme, embora se-lhe apresentava como pintura rupestre, a compreensão corria de si em desespero alucinante.

Olhou para sua casa, ainda cadavericamente sobressaltado, Atlas, viu sua bela choupana, seus filhos sem compreender o motivo de tanta descompustura por parte de todos lhe olhavam com um olhar que implorava esplicações - mas como as daria sem nem ele mesmo podia compreender "aquilo" - observou os olhos profundos de seu filho mais moço, Licaonte, que lhe observava com olhos injetados - talvez pela dor, não o sabia - e sua bela esposa Vitória.

Num ímpeto, mais por reflexo que por entendimento do que estava a fazer, largou o mal-dito jornal que não passara de uma ziczira - maldição paterna - e correndo, sôfrego, foi abraçar sua amada família.

Esvoaçante a manchete deslocou-se de todos dos demais noticiários desvelando-se e alçando rumos inda mais altos a cada baforada de Áquilo e assim foi sendo tranladada suavemente como um beija-flor que vai de flor à flor, esvoaçante foi pelos ares, até despretensiosamente em um quintal onde o verde sempre estava a florescer pousar. Sitou-se majestralmente aberta, até que Hélio curiosamente fechou-o, onde se podia ler em letras garrafais:


"Salário Mínimo Terá Aumento"



Nota: Este conto já me surgira a muitos anos atrás, quando pensei no benefício que o salário mínimo vertiginosamente traz, aumento de juros - se aumentam a base do salário mínimo é porque já não dará para viver com ele diante da novas taxas - porém agora ficou muito mais rico em detalhes do que teria ficado naqueles tempos, foi como se o reescrevesse, mas sem nunca o ter feito antes, tamanha a diferença de escrita que o mesmo sofreu.

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