Fazer amor, não sexo! [Parte I - Conto]


Completo escuro, luzes apagadas não permitiam que nada além de cinco palmos pudesse ser visto, um imenso silêncio deslocava-se por toda casa, predominando dentro daquele quarto, até que de repente, foi rasgado por suspiros entre-cortados que soavam no mesmo ritmo, melodia destituída de um compasso correto, mas, mesmo assim tão harmônica e completa.

Dois corpos cada vez mais próximos, cada vez mais conhecidos um do outro - isto sim é intimidade - numa sincronia separavam-se e se aproximavam, para se tornarem de uma vez por todas, um.

O calor extremo fluía dos corpos, a fricção dos mesmos fazia gerar uma energia que os magnetizava a continuar ainda mais unidos, dois polos - positivo e negativo - dois opostos que se atraíam mutuamente.


Já não precisavam de luz, pois o calor que a química gerava proporcionava a quantidade exata de elétrons para suprir a falta da mesma, a física provava o quanto era correta a lei da inércia - se dois corpos estão em movimento, a tendência era de continuar nesse movimento constante - como se nunca houvesse um semáforo a frente para barrarem-lhes de continuar a prosseguir naquele movimento, lento, digno de ser infindável.

Cada vez mais ele sentia-se parte dela e ela mais completa com ele, ambos sentiam que haviam sido feitos um para o outro - ele havia sido gerado em primazia e ela logo após. Ela completava-lhe, ambos uma mesma carne, um só coração que palpitava desatinadamente sem que pudesse ser controlado, rápidas batidas revelavam uma taquicardia - mas se aquilo era o prenúncio da morte, que continuasse, pois não haviam experimentado nada tão profundo assim antes - em qualquer momento de suas breves vidas.

O suor escorria-lhes pelo corpo cada vez mais cálido, gotas ainda maiores e mais espessas, rolavam pelo desenho de suas silhuetas, já que não se podia vê-los, tamanha a escuridão - eram apenas para serem sentidas... Entretanto, suas mãos haviam desenvolvido um imenso senso de visão, parecia a ele estar vendo aqueles perfeitos seios - do tamanho de seu prazer - macios, acariciarem sua mão já meio áspera pelo trabalho diário, ela podia enxergar avidamento aquelas constas tão firmes e possantes que suspendiam o peso de toda sua alegria, aqueles braços fortes que sempre estavam prontos para lhe envolver e protegê-la de tudo e todos.

Ela, mais frágil que ele, havia sido retirada de sua costela para ser envolvida e guardada em segurança sob seus fortes braços, não fora retirada de seus pés para ser pisada, ou mesmo, de sua cabeça para lhe dominar, mas próximo ao coração para ser amada com todas forças das quais ele dispusesse.

Ele a amaria assim pela eternidade em que vivesse, ao tocar seus lábios macios e delicados, ligeiramente acentuados pode ver o rosa vívido contrastando com sua suave pele de leite e os devassou destilando mel - palavras doces que insistia soprar-lhe aos ouvidos.

Um calor cada vez maior fluía de ambos os corpos, uma imensa sensação de alegria, aquele momento provava o quão errada podia ser a lei da física de que dois corpos não poderem ocupar o mesmo espaço. Aquele massa informe na qual se encontravam, cada vez mais tonava-se corpórea, formando um único ser...

Juntos, ali, entenderam o quanto eram fortes e que ninguém poderia opor-se-lhes, alguém jamais lhes poderia ser contra, pois eram um, um alguém forte e indestrutível, formavam uma corda de três nós...

Os suaves movimentos continuavam, cada vez mais ritardos e complacentes, cada um queria apenas entregar-se e proporcionar uma maior felicidade ao outro - não a sua própria - por isso o tempo se demorava tanto em marcar sua trajetória - a despeito do mundo afora que poderia estar a desabar - cá dentro, o tempo, cúmplice, se demorava a passar e lentamente registrava aqueles delicados movimentos parciais.

Uma pele mais rígida, era gentilmente tocada por outra, suave como a alva, como se um dia claro se encontrasse com uma ligeira tempestade, chocando-se e vindo a gerar dos raios refletidos pelo atro-rei através de gotículas prismáticas a dispersão da luz em várias cores que a compunham - mostrando um dos maiores mistérios da vida: o arco da aliança.

Se valera a pena a espera?
"Tudo vale a pena, se a alma não é pequena"
Se fora fácil?
Nunca!

A espera pode ser longa e muitas vezes até machucar, mas a expectação nos faz sonhar e aguardar por momentos incríveis, assim como o cometa Halley que chega a levar 76 anos para surgir nas regiões interiores do sistema solar, mas quando surge causa imenso furor, gerando um dos espetáculos mais belos que pode-se ver - algo que poucos puderam ou poderão contemplar.

Aqueles beijos, lembrava ele, não eram tão doces e prazerosos noutros tempos, agora o sabor que possuíam era muito mais apurado, como um vinho Mouton Rothschild safra 1928, que com o tempo tornou-se ainda mais hábil em envolver todos os sentidos.

Subitamente o silêncio voltou a envolver a tudo com sua manta e não puderam ver mais nada, o completo escuro lhes cegara e, assim acordaram para uma vida a dois...

Dedicatória: Este conto é especialmente oferecido a minha amiga Thays que me motivou a continuar escrevendo sobre relacionamento.
Obrigado, viu só no que deu?!
Mas aguardem a segunda parte, que será a conclusão do tema - o conto termina aqui.

Comentários

  1. Nem preciso falar isso, você ja sabe que o seu jeito de escrever e fala me encantam!!!!

    adorei...

    Estou esperando novidades!♥

    ResponderExcluir
  2. falo bonito ein ....

    ashaushauh´s

    ResponderExcluir

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