3 Segredos da oração

"Inclina, ó Deus, os teus ouvidos à minha oração, e não te escondas da minha súplica. Atende-me e ouve-me, lamento na minha queixa e faço ruído, pelo clamor do inimigo e por causa da opressão do ímpio, pois lançam sobre mim a iniquidade e com furor me odeiam. O meu coração está dolorido dentro de mim e terrores da morte caíram sobre mim, temor e tremor vieram sobre mim e o horror me cobriu.
Assim eu disse: Oh! quem me dera asas como de pomba! Então voaria e estaria em descanso.
Eis que fugiria para longe e pernoitaria no deserto." [Salmo 55.1-7]

Quando a adversidade vem, não avisa anteriormente, chega em hora e momento desconhecidos e, simplesmente acontece, levando nosso chão a revelia, deixando-nos sem compreender o que de fato sucedeu-se, mas tendo que enfrentar as consequências do sobrevindo.




Nesse momento o Espírito da Verdade, que por nós roga com gemidos inexprimíveis [Romanos 8.26], nos traz a memória que temos um Deus poderoso para nos ajudar nas fraquezas e momentos difíceis, dando-nos forças para seguir e continuar.

Se fica mais fácil?
É claro que não! Tudo não desaparece como num conto de fadas, com um simples aspirar de um pirlim-pim-pim, tudo é muito mais delicado, porém mesmo a dor não desaparecendo, Deus a limpa, passa o bálsamo e unguento, tratando-a para que os leucócitos parem o sangramento e com o tempo a ferida vá cicatrizando-se e, ainda que alguém jogue sal ou pimenta na mesma ela não doerá, pois já não sangra mais. O que Deus faz não é retirar a ferida de uma vez, mas estancá-la para que cesse o sangramento, evitando a contaminação por germes e bactérias, mesmo que tentem o sangue que coagulava já não está exposto - o que impende que impurezas penetrem corpo adentro e sejam levados pelo tecido conjuntivo líquido para circular pelo sistema vascular e assim ser transmitido por todo organismo, até atingir a mente.

Orar traz esse bálsamo, que não exume-nos da dor, mas alivia tornando-a suportável. Ontem mesmo, tive o desprazer de passar por uma situação muito delicada e se não fosse por Deus em minha vida não sei o que seria. A vida é assim, há momentos que perdemos o controle sobre nossas reações, não sabemos o que fazer, desespero e mais desespero, mas ao alçarmos nossas vozes, Deus nos ouve - e Ele sempre nos ouve [João 11.42] - Sua graça acalma nossos corações, dando-nos ânimo e forças, o agitado coração recebe uma dose de endorfina - neurotransmissor que acalma os sentidos e relaxa-nos - permitindo assim seguir.

Ao orarmos nessas situações, o que fica impresso em nossa mente é pedir desesperadamente a Deus, que nos socorra, mas oração não é um pedido desesperado de socorro, mas sim, falar face a face com Deus - pelo mesmo motivo que Jesus disse que oração deve ser algo particular, "no teu aposento fecha tua porta ora a teu Pai que está em secreto e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente". [Mateus 6.6].

O nosso clamor tem de exaltar a Deus, pois Ele é incomparável, entretanto, não é o fato de reconhecermos sua grandeza - com nossas simplórias palavras - que fará com que Ele venha ao nosso favor, tão pouco elas são dignas de comovê-Lo - o que acontece é que ao reconhecermos a grandeza de Deus e nossa pequenez, nos desarmamos de toda vaidade e de nosso orgulhoso e afanador eu, ao crucificá-lo ficamos vazios e aí, e só aí, Deus vem sobre nós e encher-nos.

É um erro querer orar tentando pressionar a Deus - quem somos nós? - ficar apontando: "Deus, como Melquisedeque eu quero...", esqueça tudo isso não passa de vãs repetições e palavras de efeito fonético, trata-se apenas de oratória, não tem um propósito de reconhecimento da grandeza de Deus [Mateus 6.5-8]. Se a oração por intertextualização - citação de exemplos - fosse realmente necessária, como oraria então Abrão? Quem ele usaria por exemplo? Tudo não passa de bobagem, pois o cerne da oração é a grandeza de Deus e não o que alguém fez para alcançar o favor de Deus.

Não são nossas palavras - em quantidade ou qualidade - que atraem a Deus, mas a atitude que é gerada por um quebrantado coração, um vaso vazio diante de Sua presença, que o faz atentar para nós em meio ao pó, por isso ao invés de mostrar o quão assustador - e como é para nós - é o que repentinamente assaltou-nos, devemos exaltar e louvar sua grandeza - o que nos fará lembrar que Sua glória basta para resolver qualquer situação, já que não há o que se possa escapar de Suas mãos, nada foge de seu controle - se pode fugir das mãos dos homens, mas não das potentes mãos de Deus [Isaías 43.13].

Devemos lembrar a nós mesmos que o foco de nossas vidas está na grandeza de Deus e não do tamanho dos problemas que prontamente surgem, para nós são intransponíveis, mas não para O que tudo fez! Traga a sua memória tudo que tem vivenciado com esse Deus, todas experiências e dificuldades, todos livramentos que te deu - inclusive os que passaram despercebidos -, traga a sua memória aquilo que te dá esperança [Lamentações 3].

E, nossa esperança está exatamente nesse Deus tão incomparável e não na dor tamanha que nos assola, a dor é grande sim, mas para que dependamos desse Deus tão fiel e companheiro, nos mostra que só há um caminho a trilhar - para escolher há dois, mas apenas um que deva ser trilhado - para dar-nos vida.

Deus anseia ouvir o que sua atitude de humildade tem a dizer-lhe, quando dobrardes vossos joelhos e diante dEle reconheceres Sua infinita grandeza que exporá o quanto necessita desse Deus. Ele quer a verdade de seu quebrantamento e não retóricas palavas.

Que a misericórdia desse incomparável Deus, a graça de nosso amado e salvador Jesus e a interseção e os dons do Espírito da Verdade sejam conosco enquanto vivermos e nos atraiam sempre mais e mais para a boa perfeita e agradável vontade de Deus. Amém!




Ósculos e amplexes,

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