A arte de escolher roupas [Ou: O erro ao fazê-las]

By Rapahel Gama

Eu adoro comprar roupas. Acredito que nenhum ser humano com o mínimo de amor próprio não se satisfaça ao ter a oportunidade de montar seu visual de acordo com a SUA opinião de beleza, afinal na nossa fabricação corporal o Almighty não quis saber nossa opinião, então pelo menos temos nas roupas a chance de corrigir os errinhos do cara lá de cima (Xuxa feelings).

E aí, é a conhecida cena. Você entra na loja, vê aquela camiseta que se fizessem um filme da sua vida, esse seria o figurino indicado ao Oscar, você vai na arara e... Putz! Não tem seu número! E isso não acontece só com os gordinhos (ou com excesso de sensualidade, como no meu caso) mas os magrinhos e pequenininhos também! O tamanho P que tem é grande para as baixinhas e baixinhos magrinhos e simplesmente somem os G e GG sobrando o inutilizável por todos - o tamanho M.



Na boa, a roupa M é aquela que fica larga pro magro, curta pro alto, apertada pro gordo. Ou seja, sua única utilidade é vestir os manequins desproporcionais das lojas! Reparem em como sobra roupa M no final das coleções das grifes e empresas do ramo!

Agora o que eu não entendo, como empreendedor, empresário do ramo da moda feita para o grande público (vamos desconsiderar alta-costura, que são roupas que você só usa em uma passarela ou se for totalmente sem-noção do senso... humano)

Eu gostaria de fabricar roupas que atinjam uma pequena ou uma grande fatia do mercado?

Ok, todos concordamos que como empresário, much is better! Então vamos para o segundo item. Repare nas pessoas que passam por nós todos os dias. Elas tem o mesmo tamanho? Todas ficariam bem usando M? Não, certo? Então por quê não adequarmos a moda a quem a veste?

Roupas devem complementar a figura humana não a figura plástica existem pessoas magras e baixas, magras e altas (essas sofrem por terem 2 opções: roupa boa na largura, mas no comprimento é a famosa "senta, cofrinho" ou a roupa que não mostra cofrinho, mas dá indícios de falsa gravidez de tão larga) existem gordinhos baixinhos (esses usam as camisetas vestidões, as que cabem na largura, mas o comprimento é de capa de bruxo) gordinhos altos (esses fazem milagres, pois nunca vi uma roupa em shoppings que alcance essa faixa) existem pessoas mais cheinhas, que usam o G, as que usam o GG e, vamos enxergar a população, muitas que precisam do XG também, poxa vida!

A protagonista da série Drop Dead Diva, Brooke Elliott, que sempre comenta na série o fato de sofrer pra achar algo que lhe sirva.

E não me venham com o papo de que "se o gordinho ver que o bonito é o magro, ele se sentirá mal por ser gordo e com isso estamos ajudando a saúde do mundo". Pelo amor de Deus!!!

1º) Quem disse que gordo é doente? Sou gordinho, faço exercícios, colesterol, diabetes e triglicérides em perfeita ordem, thanks!
2º) Quando um gordo vai comprar roupa e não encontra NADA do seu tamanho, ele fica nervoso e ansioso. E o quê uma pessoa que gosta de comer faz quando fica NERVOSA ou ANSIOSA? Adivinhem... não é tão difícil... ELA COME MAIS!
3º) A maioria das pessoas acima do peso usam roupas que ficam largas e desproporcionais por não encontrarem algo que sirva bem nelas, o que gera uma imagem pior.

Ah, e agora inventaram o tal corte Fit. Pra quem não conhece, ou seja, há não ser que você seja uma skinny bitch (magra de ruim), uma pessoa semi-anoréxica ou um Na'vi de AVATAR (esse vestiria o GG tranquilamente), nenhuma dessas caberia em você. São roupas com a mesma largura, que vão aumentando os braços e o comprimento do tronco de acordo com o número. Fica tudo apertado, num gordinho então, praticamente um boneco Goodyear!

Ainda ouvi a vendedora da loja dizer: esse fit é assim mesmo, o P tem que usar o M, o M usa o G, o G usa o GG... Eu perguntei: E o GG se enforca com qual?

Enfim, eu acho bonito ser magro, esbelto, mas acho bonito você ser respeitado pelo que você é. Sou um gordinho que não tem problema nenhum em sê-lo, me gosto, sou vaidoso, mas gostaria que a indústria da moda aprendesse a ser mais abrangente em seus cortes. Roupas são feitas pra você, seja você baixinho, magrinho, gordinho, grandinho, larguinho, troncudinho, peitudinha, bundudinha... Então vamos fazer menos M e produzir mais PP, P, G, GG e alguns XG em respeito aos mais grandinhos também!


Ah, algumas amigas lembraram que é bom que a indústria da moda re-aprenda a diferença entre cada um dos tamanhos. Muitas vezes o G é o M repaginado e reetiquetado com 1,5cm a mais. Me poupe. Se tem uma coisa que não dá pra relevar é tamanho de roupa. Seu corpo dedura o erro na hora.

Nota: Não tive como não rir com esse post do Gama que tem um ácido humor contagiante, ainda lembro quando lecionávamos juntos, o cara é muito inteligente. Esta postagem realmente é muito boa.

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