Gato por lebre [Parte I]

Kyllie sorria de ponta à ponta, felicíssima, afinal, haviam vários motivos para isso. Acabara de conseguir emprego numa loja de moda jovem, aquilo era bom demais - não fora tão difícil consegui-lo, já que o gerente encantou-se quando a entrevistou devido seu jeitinho meigo e refinado, por sua demostração segura de si mesma e uma inteligência desproporcional - que mostrou-se ainda mais assustadora quando perguntou sua idade.

Quinze anos fora a resposta dada, aquilo deixou-o inda mais boquiaberto, havia visto seu currículo, mas crera que haviam errado na digitação da idade, ele a dispensara avisando que não contratavam menores de idade, mas que gostara muito de Kyllie.

Ela ainda não havia chegado em casa, quando Share, sua mãe, atendeu o telefone e ouviu a notícia de que a TNG a estava contratando e queria que a mesma iniciasse o mais rápido possível.





- Mas mãe, eles mesmos disseram que não pegavam menor de idade? - Questionou Kyllie, mais por surpresa, sem poder compreender o ocorrido, do que por descrença.
- Pois é filhinha, foi exatamente o que me disse o gerente.
- Mas então por que me chamaram? - Cada vez mais a ansiedade a tomava, até que teve de sentar, pois sentia-se tonta. Ele participara da entrevista de manhã, mas como a loja localizar-se no Center Norte teve de acordar cedo para não se atrasar para a entrevista. Ela cumprira a ordem de não chegar cedo demais - para não demostrar desespero pelo emprego, nem atrasada para não causar uma má impressão - chegara uns 15 a 10 minutos antes do horário marcado, fora depois resolver outros assuntos e chegara apenas agora pouco, por volta da 17h, por isso o motivo do cansaço, só agora pega de surpresa com a notícia e que pode parar é que sentia toda cansaço do corrido dia.

- Como estava dizendo, ele me disse que não contratam menores, mas como ele gostou muito de você, porque você é muito comunicativa e inteligente, resolveu abrir uma grande exceção.
Kyllie ao menos conseguiu dizer algo, embora não tenha sido uma palavra, mas um grito. Gritou de alegria e começou a pular, seguida pela mãe, as duas abraçaram-se saltitantes.

- Minha menininha merece! - Disse a mãe, toda coruja de si mesma, por ter uma filha que era verdadeira jóia.
- Mas o que foi isso mulher? Qual o motivo de tanta agitação? - Surge Rickie.
- Paizinho! - Disse Kyllie lançando-se em seus braços, tamanha era a alegria que acabou por contagiá-lo.
- Mas o que foi meu amor? - Disse Rickie já sorrindo também, mesmo sem compreender o mínimo do que ocorria. - O que aconteceu de bom pra minha florzinha estar tão radiante?
- É que consegui um trabalho e num ótimo lugar. Lembra aquela grife que passamos na frente e fiquei admirando-a quando fomos no shopping assistir a Alice in Wonderland em 3D?

Então contou-lhe todo o sucedido, era meio difícil de entender o que dizia, já que a ansiedade tomava-lhe as palavras, como ela falava rápido, sem mastigar bem a primeira palavra todas as demais saíam grudadas e a dicção ficava engasgada. Ela agradeceu o pai por lhe ter levado naquele dia, pois fora nele que viu o aviso de que precisavam de consultoras de vendas - e moda era uma coisa que respirava - ficou felicíssima. Aquele dia já fora especial demais pra Kyllie, pois o pai a surpreendera quando disse que iriam sair, maior foi a alegria quando viu que assistiriam a sensação do momento, pouco tempo após Avatar.

Kyllie não imaginou tão cedo assisti-lo, mas recordou que assistia ao Acesso MTV quando Titi comentou sobre o filme e disse que Marimoon havia assistido em primeira mão a pré-estréia do filme em 3D, a forma como ela descreveu a sensação de assistir aquele apogeu cinematográfico a fez exclamar que queria assisti-lo e seu pai que na hora passava pela sala ouvira tudo resolveu presenteá-la.

Amara o filme que era uma continuação da primeira versão em desenho da Disney e uma versão mais adulta da história, mas tão boa quanto o próprio Carrol a compôs - mesmo a versão do diretor sendo um pouco divergente quanto a original, porém a loucura continuava patente, de fato, ainda era Alice.

- Você merece filhinha. - O pai estava ainda mais coruja que a mãe. A expressão "mãe ou pai coruja" havia surgido com a fabula da coruja e a águia em que fizeram um trato de paz para não atacarem os filhotes um do outro, porém a jura foi quebrada pela águia que devorara os filhos da coruja, ao qual, indignada foi tirar satisfação, mas a águia desculpou-se já que a mesma pintara seus horrendos e desafinados piantes como primores da natureza e quando a mesma os encontrou e viu as fealdades devorou-os tendo certeza de que não eram os filhotes perfeitos da comadre.

Apesar da ternura, os pais não vêem imperfeições nos filhos, dando-lhes belezas e graças que lhes nega a natureza, mas esse não era o caso de Kyllie, que apesar do pouco tamanho tinha os longos e lisos cabelos chocolateados com as pontas encaracoladas, olhos grandes brilhantes, enfim, era realmente um primor da natureza.

No seguinte dia, bem pela manhã, Kyllie foi com Share tirar a CTPS que ainda não possuía e algumas documentos e fotos. Quando iam para o ponto de ônibus ela saiu disparada direto para a banca que tinha no mesmo e procurou pela sua revista preferida, Atrevida, é torrou sua mãe para comprar.

Folheavam a mesma no ônibus, vendo as belas modelos trajando o que estava em alta para o outono e dando um colírio aos olhos com os gatinhos da revista, até depararem-se com uma reportagem espetacular sobre a Thalita Rebouças.
- Olha só. - Disse Kyllie apontando para a reportagem.
- Deixa eu ver. - Puxava Share para seu lado.
- Não, deixe-me ver primeiro é rapidinho! - Kyllie lançou-lhe aquele poder fofura volume 10, que nem mesmo os pets possuem, apenas animes.
- Rapidinho nada, me deixe ver Kyllie. - E puxou novamente a revista.
- Mas eu vi primeiro!
- Mas quem comprou a revista fui eu!
Bufando contra o argumento mais forte Kyllie teve de ceder a revista pra sua mãe, recostou-se na poltrona e com olhar meio perdido pensou alto:
- Você deveria é ler "Fala sério, mãe!", da Thalita.
Olhando sobre a revista Share se limita a responder apenas:
- Esqueceu que já li? Afinal, tinha que saber se era ou não boa leitura pra você.
- Ah...! - Espalmou a testa - Havia me esquecido de que depois que você o leu que ficou assim... Abusada... Foi ele que te estragou. - Caiu na risada, seguida pela mãe.

Apesar de reclamar gostava muito de Share, ela não era apenas mãe, mas também amiga para todas as horas, depois de ambas terem lido Thalita tornaram-se mais companheiras e compreensivas consigo mesmas. Kyllie tentara convencer o pai a ler "Fala sério, pai!", mas não obtivera muito sucesso já que ele não tinha paciência para ler nada que não se referisse a arquitetura, devido ao trabalho, a única exceção - já que nada foge a regra de não ser 100% - era sua surrada Bília, todos os 66 livros estavam marcados e remarcados cheios de obervações - era engraçado quando ele começava a ler já que sussurrava. Quando ela ouvia vários "esses" pela casa sabia que Rickie estava em sua bíblica leitura.





Ósculos e amplexes,

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