O Anjo Barroco

Anna Cartier, ou simplesmente Annie para os amigos - somente os mais íntimos mesmos - para os demais era apenas Cartier - não somente por uma questão de educação, mas também por que quem não tinha intimidade com ela não se sentia a vontade para lhe chamar, assim, carinhosamente. Apesar de sua meiguice e olhos de mangá, sua presença marcante destilava uma asteuridade tamanha, que fazia os que estavam ao seu redor ver sua pequenez que, apesar da riqueza que os pais possuía - "o dinheiro é do meu pai e não meu" insistia sempre em dizer - não era arrogante, mas quando passava imprimia nas pessoas que não lhe eram próximas um grande desejo de respeito e distinção.

Aquela guapa de pouco menos de vinte anos, tinha os olhos esmeralados, como se lapidados a la flanders, já que o brilho era intenso - por isso mesmo pronunciavam seu apelido An-ní-e - um boca digna de ser beijada, cabelos encaracolados, que iam até metade do dorso, que lembravam elos dourados que se entrelaçavam dando forma a cachos lindos e reluzentes.


Quando sorria iluminava todos que estavam ao derredor, com aqueles dentes perfeitamentes brancos e um sorriso que aquecia, fazendo quem ouvisse o som de seu riso soltar uma gargalhada verdadeira de alívio e alegria que junto com a sua formava uma suave melodia, era uma garota muito especial.

O único bem material de que não abria mão de desfrutar - proporcionado pelos pais - era de estar sempre bem vestida, usava marcas como D&G, Diesel, Chanel e Alexander Mcqueen - que tristemente havia suicidado-se alguns meses atrás o que a deixou irredutivelmente triste -, insistia em usar somente bolsas Prada. Sempre acompanhava de perto desfiles da SPFW, FR e os desfiles de Milão e Paris - seus locais favoritos. Para seus pais cumprir tais caprichos não lhe custavam nada, já que ela boa aluna era das melhores - e como disse não era apegada a mais nada além.

Porém, algo em Annie causava preocupação em seus pais e amigos, essa preocupação era compelida por até o presente momento não se ter enamorado por rapaz que fosse, era sempre gentil e cortez, mas não ia nada além de um doce sorriso e palavras afáveis - o que era um desperdício e lamento para qualquer rapaz que olhasse aqueles belos lábios carnudos, apetitosos como um rubro morango.

As amigas de Annie já haviam tentado de tudo, mas todos as tentativas se mostram falhas, quando os rapazes se encontravam com ela - seu olhar silencioso era cortante e profundo como uma espada de dois gumes que ia até as ânsias dos sentimentos, causando um enorme desconforto - sentiam-se tolos, começavam a gaguejar e atrapalhavam-se e complicando todo jantar. Por mais que tentassem, não adiantava, ela mostrava-se irredutível.

Certa noite, Annie, resolveu atender o pedido de sua amiga, Monic que há tempos lhe convidava para ir a igreja consigo, mesmo não sentindo-se a vontade resolvera ir.
Chegando lá viu que a liturgia do mesmo era diferentemente do que imaginara, as pessoas não eram caretas, pelo contrário, viu rostos felizes e complacentes cumprimentarem-se avidamente e participarem do culto animosamente e, ainda supresa com o que via, observou que próximo aos músicos encontrava-se um belo rapaz.

Ficou, ali, o tempo que se passou não fazia idéia, mas simplesmente ficou contemplando aquele ser tão lindo, acreditava que uma pessoa assim existia apenas na mitologia greco-romana, e, cada vez mais fissurada observava seus doces lábios - ainda que os visse apenas de soslaio - moverem-se conforme o ritmo da canção entoada por toda nave. Ainda extasiada com a visão, sente suavemente um calor a aquecer seus corpo e erguendo a fronte seus olhos encontram-se o que fez seu coração disparar desatinadamente até que não mais resistindo seu olhar, desviou-se daqueles olhos. Será que realmente ele havia lhe encarado, ou fora sua imaginação, a fração em que tudo ocorrera era mínima, porém para si tinha o peso da eternidade. Estaria ela apenas iamginando?

Ficou a refletir se aquele anjo teria vida própria e função além de adornar a igreja, tornando-a ainda mais bela que todos os demais ornamentos. Quando viu seu anjo lentamente erguer-se e chegando ao púlpito do levita, ouviu uma melodia suavemente entoada por aqueles lábios de mel, naquele instante teve certeza de que o mesmo era um anjo.

Semana após semana ia a igreja para ver e ouvir seu amado, seu anjo, mas ele nunca lhe falava nada.

- Seria ele Narciso? A beleza ímpar era dele, mas será que amaria outro ser? - Só podia ser mesmo um anjo, pois nunca o vira demonstrar sinais de qualquer sentimento que fosse por ela ou qualquer outra garota da congregação, apenas aqueles olhos cálidos postos num rosto sereno e imutável.

Ela também não ousaria, por mais que a vontade fosse de lhe correr para os braços e ser envolvida pelos mesmos, ir falar-lhe. O que dava um ar ainda mais angelical a Michelangelo, pois por mais que estivesse bela e reluzente quando estava perto dele sentia-se menor e passou a produzir-se com menos vaidade possível, como se estivesse ao lado de um anjo que nos faz sentir a pequenez e humildade para com Deus.

Mais encantada com seu anjo particular, foi-se envolvendo com a igreja, até que no final de determinada EBD ele aproximou-se dela e começou a conversar mansamente, parecia-lhes conhecerem-se a muito tempo e a conversa fluía como um rio corre para o mar - suave, mas constante, sem parar por nada.

Acabaram marcando encontro e dali pra frente tornaram-se a ver cada vez mais e mais, ela que já estava assídua aos cultos tornara-se membro integrante da mesma, e, assim a história continua...

Nota: Esta história - ou estória para os puritanos - foi baseada no conto da minha miga Thays, É dela, acredito que não se faz necessário dizer que ele é dedicado especialmente a ela. Obrigado por tudo quedira! > <

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