O fragrante - Perfume no ar

Jannifer era uma garota simpática e bem extrovertida, embora isso não passasse de uma imagem legal que gostava de passar aos outros, já que achava-se não tão desejável - a verdade era que tinha uma imagem negativa sobre si mesma - sentia necessidade de fazer os outros rirem e sentirem-se a vontade para ter certeza de que não lhe esqueceriam ou deixariam de gostar-lhe.

Este problema de auto-imagem não causava problemas aos outros, a não ser a si, que não sentia-se mui digna de algo esplêndido ou um amor devastadoramente fantástico em sua vida, simplesmente aceitava o primeiro ignóbil que lhe cortejava, o que constantemente não chegava a durar muito, a não ser esporadicamente, quando encontrava um garoto legal e que queria algo além de badalação.


Já acreditava não ter sorte com relacionamentos, amor deveria ser um complexo absurdamente abstrato, bem como o coração - algo criado pelas pessoas para apenas sentirem-se melhor consigo mesmas.

- Será que se abrir meu peito poderei encontrar um coração lá dentro que pulse sentimentos, capazes de mudar a visão de alguém, ou mesmo, que me transforme completamente?

Assim como era impalpável o amor, apenas se acreditava em sua existência, passou a crer que o coração também o fosse, pois até então não havia experimentado toda essa mudança que os cegos dizem ter. Tudo deveria ser apenas virtual, posto que não experimentara-o, para ela era improvável ter fé em algo que nunca havia provado.

Não que nunca houvesse flertado, ou apaixonado-se antes por qualquer um dos gatinhos de sua escola ou mesmo alguns não tão bonitos assim, mas aquilo era algo que tinha um efeito instantâneo e que breve tinha o prazo de validade excedido, bem como seu interesse pelos mesmos. Tinha facilidade em gostar de um garoto, mas como a mesma facilidade desinteressava-se dos mesmos, principalmente devido aos galináceos que resistiam a fidelidade.

Certa tarde de outono, um vento frio que era suavizado pelos dourados raios solares que, mesmo numa intensidade menor, aqueciam sorrateiramente até vir a próxima baforada de ar gélido.

Distraída, como sempre, estava a contemplar aquele céu azul, chegou a praça e sentou-se mais próxima a visão que lhe prendia, uma imensa e florida árvore de sakura, o verde contrastava ainda mais com as cálidas flores rosáceas que brilhavam feito rubelita, conforme o vento soprava a árvore suavemente dançava, o que a fez encantada bater palmas de forma infante para aquela majestosa apresentação desprovida de qualquer intenção que fosse de sucesso. Conforme Sakura prosseguia em sua lânguida dança, suavemente soltavam-se siberitas de seu majestoso vestido de corpete e saia plissé verde.

Quando viu uma flor ser soprada para perto de si estendeu a mão para pegá-la e ela suavemente pousou em sua palma, ao curvar-se para sentir seu aroma, foi tomada por uma fragrância muito mais forte, porém cítrica e refrescante ao mesmo tempo com um fundo com toque tálqueo, fechou os olhos e sentiu-se numa manhã de primavera correndo em desatino em meio as flores desabrochantes e mesmo sem rumo corria feliz com o sol a lhe aquecer integramente. Lembrou-se, porém, que sakura não tinha um perfume tão específico assim e ao ser guiada pelo olfato pode ver que ao seu lado, diferença de apenas cinco palmos, segundo ela conseguiu contar, estava um garoto encantador distraidamente ouvindo seu ipod touch e lendo "Fushiginakuni no Arisu" de Sakura Kinoshita distraidamente e mal notou os olhares que brilhantes miravam pra si, prontos a disparar doçura.

O garoto charmoso usava paletó esporte preto, com um corte mais slim e justo na cintura, uma henley branca, calça jeans também slim e tênis - que mais parecia uma delicada sapatilha - Puma Ferrari branco. Ao mirar-lhe os olhos pode perceber, apesar da hipnotizante distração, uma certa tristeza em suas ventanas - por onde se recosta a alma para ser observada. Chamou-lhe, mas ele permanecia concertado e mal notou sua presença ali.

Simon ainda estava a ler quando escutou alguns sussurros, voltando de sua leitura observou que ao seu lado tinha uma garota admirável, meio atrapalhado retirou os fones estéreos do ouvido e encheu os olhos com um agradável sorriso desculpou-se por escultar tão alto suas músicas.

- Meu nome é Jannifer, mas pode me chamar de Jannie.
- Oh... Eu sou Simon, mas pode me chamar de Simie. - Estendeu-lhe a mão ainda perdido, nonsense, com a outra mão coçando a cabeça e o cotovelo erguido.
- Notei que você está meio triste, aconteceu-lhe algo?

A franqueza e capacidade de ir direto ao ponto assustou um pouco Simie, mas Jannie era dessa maneira, não tinha a menor dificuldade em fazer amizades e falar o que precisasse - as vezes a falta de papas na língua lhe causava problemas, mas seu jeito era sincero.
Meio sem jeito, conseguiu apenas desculpar-se dizendo que não era nada - o que Jannie já esperava obter como resposta, os homens nunca conseguem dizer quando precisam de ajuda. Ele disse que o rosto estava sério pela compenetração na leitura, o que percebeu não ser muito convincente para Jannie, mas o que faria se as mulheres não entendem que o fato de um homem estar em silêncio e com a face meio sisuda significa em 99,9% dos casos que apenas está distraído com seus pensamentos?

Quando estavam prestes a iniciar um papo agradável sentiu seu Corby vibrar, no visor pode ver que era a mãe querendo saber onde estava.
- Desculpe tenho de ir. - Desculpou-se afastando o cell. - Quem sabe qualquer dia desses a gente não se vê? - E saiu meio tropego sorrindo-lhe.
- Tchau! - Jannie despediu-se mal erguendo a mão e viu que ele nem ao menos havia visto ela lhe acenando, desistiu para não pagar mico deixando a mão cair.

Ao olhar no relógio viu que já estava na hora de voltar para casa, foi para o ponto que ficava próximo ali da praça e tomou o ônibus para casa, felizmente estava quase vazio, sentou-se próximo a janela e meio mórfica encostou a cabeça no braço que estendera sobre o acento da frente, começou então a sentir aquele mesmo perfume cítrico envolver-lhe e, então, mesmo apesar do frio lancinante dentro do ônibus pode sentir o sol aquecer-lhe por dentro emanado o calor para fora de si mesma.

"Agora pelo menos vou pegar-lhe o e-mail do perfil do orkut" - Pensou com o coração a palpitar de forma mais acelerada. Ao erguer os olhos viu que não era seu amado, menos ainda qualquer outro, deveria ser apenas sua imaginação, mas quando debruçou sobre o braço sentiu o mesmo aroma, só então notou que o perfume tinha-lhe impregnado na mão quando ele a cumprimentara. Bem, ao menos tinha ficado um recordação dele, embora acreditasse que nunca mais o veria, restara-lhe uma parte dele, seu ardente odor.

O tempo passou e Jannie parou de sonhar com seu amado desconhecido, como poderia gostar de alguém que nem bem conhecera, mas sem poder controlar o coração aquele ilustre desconhecido havia invadido e a fizera acreditar que o coração era real. Nem seu perfume pudera mais sentir, desde que lavara a mão, mas ele permanecia forte e suave em sua mente e, vez ou outra, incomodava-lhe.

Certa vez sua mãe, lhe pediu para entregar um perfume que um cliente seu havia comprado, como estava sem nada fazer, resolveu cumprir a incumbência de sua dedicada mãe, sem prestar muita atenção no conteúdo. Percebeu apenas que seu vidro verde tinha os escritos "paz & humor" enquanto sua mãe lhe entregava o endereço e lhe recomendava cuidado.

Quando chegou no endereço indicado, apertou várias vezes a campainha, mas sem efeito algum, quando estava prestes a desistir de berrar a toa, ouviu alguém dizer que já estava indo lhe atender, enquanto esse alguém abria a porta desculpou-se por não ouvir ninguém chamando, pois estava escutando música em seu fone estéreo num volume alto. Finalmente, ao abrir da porta Jannie comprovou ser Simon, que ao reconhecer a flor da sacola percebeu que era sua encomenda.

- Que bom que chegou - ela viu aquele belo sorriso se formar em seu alvo rosto, um sol surgindo em meio a neve - espera só um minuto que vou buscar o dinheiro.
Quando voltou questionou-a sobre a consultora que lhe havia vendido e ela disse que sua mãe estava ocupada e pediu-a para levar o perfume.
- Tudo bem! - sorriu novamente - Posso experimentar?
- Claro - disse ela balbuciando.

Quando ele apertou a válvula ela sentiu aquele perfume tão peculiar à si.
Ele ficou meio sem graça, vendo-a com os olhos fitados em si e repentinamente lembrou-se:
- Ah é! Que cabeça a minha! - Disse dando uma leve palmada na fronte - Aqui está o dinheiro.
Ela pegou o dinheiro meio sem jeito e soltou:
- Eu sou Jannie! - Com um sorriso pouco a vontade.
- Oh! Que má educação a minha! Eu sou Simon. O dinheiro está certo mocinha?
- Ah, sim! Claro.
- Então, tudo bem! Fala pra sua mãe que agradeço e logo volto a pedir-lhe algo.

Quando fechou a porta Jannie ainda estava absorta diante do descaso, ele além de não a reconhecer, apresentou-se apenas como Simon, tratando-a como qualquer outra pessoa desconhecida. Aquilo magoou-a terrivelmente, mas o que poderia fazer, se, na verdade não passavam de desconhecidos?

Comentários

  1. Gostei da sua versão da minha história ficou muito legal!!!

    Mas da próxima vez não destrua meu sonho
    de um final tragico!
    huahuahua

    a continuação está no meu blog ja!...

    bjux♥

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