Reflexo n'aquarela

Sol de outono, brilhante, suave, despontado no azul celeste sobre algumas brancas nuvens que ajudam a compor uma imagem ainda mais distinta, conforme o ônibus vai passando, alguns raios brilham pelo vidro da janela e através das árvores seu brilho fica ainda mais vintage, imagem essa que lembra-nos sempre de um tempo meio destoado, mas com muito sol.

Tudo em volta de si vai passando, ligeiramente rápido, mostrando que o tempo, mesmo que demore, não espera e continua a correr, numa estrada que ninguém sabe onde chegará, não nos cabe saber seus caminhos, mais profundos ou altos do que se possa imaginar, mas segue sem nem pestanejar ou olhar em sua retaguarda. Quem ficou para trás, ficou, e ele vai seguindo, sobre uma ponte de uma linda "aquarela, até que um dia"...


O tempo agradável e saudosista fazia-se perceber, estava ele, indo para casa admirando sob o vidro da janela o verde que espalhava-se pela beira da estrada, como que a espalhar-se num lindo rio verde/cinza que se estendia pela imensidão da vida - o caminho que faria - enquanto em seu ipod tocavam músicas que, ao mesmo tempo que lhe faziam viajar por entre aquelas nuvens, traziam-no para a realidade - afinal, tem-se de saber dosar, já que a vida é realmente complicada, por isso precisa-se de sonhos, para suportar-se seu físico pesar.

Ainda absorto na imagem que hora ou outra era tomada por árvores de um kentucky mentolado que exalavam sua fragrância refrescante conforme os raios atravessavam-nas, quando desfocou a belle paysage de fundo percebeu em primeiro plano a imagem de um gracioso ser sentado no banco a sua frente, quando estava a reparar-lhe melhor, eis que começa a tocar:


Brian Mcknight - Back at One

Ouvindo aquelas suaves notas sendo entoadas num piano e o lirismo da música fez balançar seu coração, ficou a flertar com a bela imagem que via no vidro ao seu lado e percebeu-a com o olhar distraído a também ver algo, como se olhasse para si.
Observou que aquela garota tinha um liso cabelo médio, negros como o ébano, seus cílios grandes chamavam atenção ao contorno suave de suas órbitas, sua pele pêssega suavemente lisa, olhos negros que traziam o infinito dentro de belas meninas a imensidão. E cada vez mais atraído pela imagem, admirava-a, vendo cada vez mais perto de si, cada vez mais próxima, conforme a música ia chegando no refrão...

"One, you're like a dream come true..."

A imagem ia aproximando-se, mais, mais e inda mais perto, paulatinamente, distancias iam se tornando em nada, pó soprado ao vento, o que era já passou. A imagem - que havia sido congelada divinamente - saiu do cristal que a refletira e corporeamente ficou ali, próximo a seus lábios, sentiu o calor exalado de sua respiração a aquecer-lhe a face.

Perto, inda mais, iam-se chegando, um mais perto do outro, a música que já estava em looping, insistia em tocar o refrão, ele sentia a força dos primeiros versos tomando-o completamente e iam fluindo por suas veias sendo bombeadas por seu coração, esses versos afluíam em sua mente e a noção tempo-espaço era arrebatada, a razão não tinha forças para combatar aquela paixão que lhe tomava os sentidos, visão, audição, olfato, tato e paladar eram inflamados por aquela imagem.

Quando finalmente seus lábios encontraram-se, sentiu que tudo a sua volta adormecia, novamente deveria ser Morfeu, que vez ou outra sem o mínimo de educação chegava e apagava todas as luzes deixando sua pobre vítima imunemente perdida em trevas tal que não haveria como escapar, a não ser quando quisesse.

Ao recobrar a visão sentiu o glacial beijo que lhe fora dado, sues lábios ainda permaneciam colados e, recobrando a consciência viu-se grudado ao vidro do ônibus, com os lábios seus pressionados contra aquele vidro embaçado e frio.

Meneou a cabeça para ver se encontrava a garota no banco posterior e tristemente pode constatar que não tinha ninguém mais ali, a visão causara-lhe tanta felicidade que o devaneio lhe tomara completamente, impedindo-o de conseguir ver além da miragem que era espelhada, não conseguindo assim falar com a garota.

Se ela olhava-o não conseguiu constatar, não fora por Morfeu, com certeza esse questionamento teria sido sanado, poderia dizer-lhe o quanto lhe agradava tão graciosa visão, garota-mulher.


Olhou a sua volta, estava chegando próximo a seu destino e todo tempo, estara só a sonhar, não conseguiu vivenciar um pouco do que sonhora, apenas fechou os olhos para a realidade e dormiu, até - c0mo sempre - acordar perto de seu destino.

As portas abriram-se e ele finalmente desceu, com os olhos ainda anuviados, pensamentos longe, o mais longe possível conforme conseguia, tão alto como a águia que renovada as forças sobe para alturas que os olhos desconhecem, alçando voo sobre o imenso ciano céu, talves encontrasse ali aquela garota tão encantadora.

Comentários

  1. nossa que viagem desse cara em!

    ficou bem divertida .
    Com um toque que sei lá
    só você tem !!!

    bjux

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