Verdes lembranças de um outono ensolarado

Eles se conheciam a poucos mais de um ano, embora não se vissem direto, apenas um dia na semana, encontravam-se no curso em que ambos faziam, sempre tiveram um carinho muito especial um pelo outro.

Ambos extremamente divertidos, Ketellyn de médios cabelos vermelhos lisos e brilhantes, pele cor de canela, bem espevitada, não era muito grande - estava mais para uma tampinha de garrafa - mas era assim que ele, Kyle, preferia. Brincava dizendo que Kelly era um chaveirinho, mas na verdade - sim algumas brincadeiras tem um fundo de verdade, já que quando brincamos não temos medo de expor o que realmente somos e pensamos, mas entenda bem: algumas! - queria dizer que sempre cuidaria dela, apesar de sua aparente fragilidade, levando-a por onde quer que fosse. Infelizmente ela não compreendia o simples afeto que ele demostrava em bagunçar por vezes e mais vezes seus cabelos, sempre macios e bem cuidados - aquilo fazia, nem que por um breve instante sentir-se parte dela, um pequeno direito suplantado.



Kelly sempre muito falante e risonha constantemente estava a encher o saco do professor - do qual sentiu imensa falta, bem como todos, depois que drasticamente fora injustamente demitido, não conseguiu aprender mais nada naquele curso que outrora fora primavera, agora havia apenas cinzas num constante inverno - o curso não era mais o mesmo sem o mala do instrutor que vivia pegando em seu pé, continuava a fazê-lo apenas para obter seu diploma, afinal faltavam apenas seis meses, e pela sua turma que além de unida era superdivertida.

Agora, era o último dia de aula, toda turma preparou, é claro que com o impulso do ex-professor que raramente ia lhes visitar, afinal não conseguira esquecer a melhor turma da qual já interagira. No dia não se sabe se por vontade própria ou por reação a como a turma agia, Karl, o atual instrutor, ficou isolado - literalmente de escanteio - deixando que o antigo, mas tão atual mestre liderace a festa de despedida, Karl ficou apagado à luz de Michael, como mero espectador enquaqnto dirigia suas palavras de carinho a sua turma - ele podia não ser mais efetivamente o instrutor deles, mas conseguira instruir seus corações, cativando a todos, até de quem nem imaginara.

Após muitas risadas, barulho e fotos e mais fotos, despediram-se do teacher amado e lá se foram para a maior praça da cidade Kyle, Kelly e mais quatro amigos - que a altura da convivência o haviam tornado-se, apesar de constar pouco tempo na somatória total - divertindo-se e brincando muito tirando ainda mais fotos. A certa altura, no coreto central da praça, Kyle lembrando da conversa que tiveram alguns meses atrás sobre o problema que Kelly andara tendo com seu namorado, o qual ele prudentemente aconselhara a ser paciente e que procurasse entenderem-se, ela insistia em terminar, mas ele - por mais que custasse - preferia ser amigo que um casanova aproveitador.

- Não está lá essas coisas, mas muito melhor que antes. - Kyle ouviu para sua infelicidade, esperava por uma chance, mas viu que qualquer uma que pudesse imaginar se havia esvaído por completo. Ele simplesmente a aconselhara pela amizade e por não querer forçá-la a nada, se ela realmente terminace aí sim seria a sua deixa, mas mesmo com a química que sentiam quando abraçavam-se - percebeu que deveria ser mera confuzão sua.

Ainda que os amigos comentassem que Kelly lhe admirava - vamos parar de puritanismo e dizer logo na "caruda": pagava um pal pra ele! e tenho escrito =p - ele até sentia que estavam certos já que era tão atenciosa com ele e gostava de lhe ter atenção também, mas...

Restava-lhe apenas apoveitar para lhe abraçar bastante - a vontade era não lhe largar - apertando-a com carinho e como sempre desgrenhar-lhe os cabelos vermelhos de seda - como a paixão que sentia ao pensar em Kelly, como o sangue que seu coração ensistia em bombar velozmente por suas veias deixando-o ainda mais elétrico, como a vontade afana de tomâ-la para si.

A manhã naquela praça arrastava-se, bem como o sol de outono de um calor e brilho aquarelados, que compunha uma bela paisagem contrastando com o verde espalhado pela praça e o cinza escuro dos bancos de concretos - antigos como a prórpra cidade, que tinha jeito de interior mesmo sendo uma das maiores metrópole latino-americana.

O tempo, enfim, passou e como Kyle sabia que não mais veria Kelly aproveitou cada momento para estar o mais próximo possível dela e foi o que fez, infelizmente não havia nenhuma música que pudesse ouvir para lembrar-se dela, apenas de uma história que ouvira, mas estranha demais para lhe vir a cabeça. Eles se encontravam apenas para o estudo, algo no qual ambos eramm dedicados, por isso mesmo não havia tido lá muitas chances e nem tempo pra isso - já que Michael passava tarefas dispendiosas que milimetricamente tomavasm todo tempo que tinham, o cara realmente era um cauculista frio e insensível ao tempo vago que poderiam usar para jogar conversa fora.

Haviam combinado de encontrarem-se na semana seguinte, por volta do mesmo horário para mais um encontro casual entre os amigos que estiveram ali no mesmo dia, Kyle ficou felizcom a idéia, bem como todos. Acordara sedo e havia levado algumas flores - está aí uma coisa brega, mas da qual sempre agrada as mulheres - chegou um pouco cedo devido a ânsia de encontrá-la - cedo até em demasia, já que ficou esperando durante um longo tempo - percebeu então que não apareceria, olhou as flores já murchas como sua feição e as jogou sob a copa da árvore mais frondosa e as viu pousar sobre a germinante grama verde como "seus olhos".

Restara-lhe apenas as fotos tiradas sem nenhuma pretenção e com muita espontaneidade, via-as passarem num relance na apresentação de fotos do Windows, mas sentia como se uma a uma lhe escapassem por entre os dedos e caírem ao chao do esquecimento, já que nunca mais tivera qualquer contato que fosse, passara-se alguns anos, mas ele jamais esquecera aquele sorrisinho vermelho flamejante.

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