Inventando as outras rodas

By Eduardo Zugaib*

A diferença entre criar e inovar é simples. Você pode passar uma vida inteira criando, sem inovar por um segundo sequer. Inovação é a ideia que dá certo. A ideia que sai da cabeça vai para o papel, transforma-se em solução e gera valor na vida das pessoas. E se tratando de valor, ele pode ser expresso em moedas de dinheiro ou não-deinheiro.

As ideias inovadoras, promovem quebras de paradigmas, que provocam revoluções, costumam sofrer num primeiro momento com a reação do ceticismo, do "não vai dar certo". Mais do que alinhar a mente ao vetor criatividade, buscando sempre novas ideias, é fundamental aprimorá-las e buscar argumentos fortes para defendê-las. A razão dessa reatividade humana é simples: a zona de conforto, em que nos mantemos sem perceber, e o medo da mudança que habita em cada um de nós. Aceitar pequenas mudanças na nossa forma de pensar e agir já é algo trabalhoso. Que dirá aceitar mudanças que podem transformar a vida e alterar o ritmo da vida?


Quem se deixa levar pela reação ao novo, pode acabar errando na mosca. "Voar com maquinas mais pesadas do que o ar é algo impossível ". Acredite se quiser, mas tal frase foi pronunciada por um astrônomo famoso à sua época, Simon Newcomb, em 1902. Em 1927 Harry Warner, um dos Warner Brothers, julgou premeditadamente e errou feio quando perguntou "Quem diabos iria querer ouvir um ator falar?", nu momento que ainda imperava o cinema mudo. Thomas Watson, presidente da IBM, em 1943, tinha lá suas razões para afirmar que "no mundo não haveria mercado suficiente para mais que cinco computadores". Ok... A época era um tanto limitada em se tratando de informática. Mas o que dizer da afirmação de Ken Olsen, presidente da Digital Equipment Corporation, em 1977, "não há qualquer razão para as pessoas terem um computador em casa".

Em 1962, John, Paul, Ringo e George saíram cabisbaixos da Decca Records, ao ouvirem de um dos seus principais executivos que "grupos com guitarras já estavam acabando. Obrigado e passar bem". Já imaginou se os Beatles desistissem ali e cada um procurasse seu canto? Tem tempos de I-pos e I-pads, GPS a preço de banana, players dos mais diversos, wireless e outras tecnologias, é também no mínimo curioso lembrar que, em 1808, um dos grandes inventores do mundo subestimou a capacidade de sua própria ideia. Tomas Edison, o verdadeiro "gênio da lâmpada", após criar o fonografo, deprimiu-se ao constatar que tal aparelho não tinha valor comercial.

Mais do que criar, é preciso acreditar. Mais que acreditar, é fundamental encontrar os argumentos que tornarão nossas ideias de fácil sugestão ao estômago das demais pessoas. A boa defesa de uma nova ideia acaba criando terreno para o aperfeiçoamento contínuo dela própria. Em outras palavras, o sujeito que criou a roda, evidentemente, foi um gênio. Mas, ainda mais revolucionário que ele, foi o cara que enxergou além e inventou as outras três.

*Eduarardo Zugaib é profissional e palestrante motivacional, esta crônica foi retirada da revista Femme, junho de 2010.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

3 Segredos da oração

Desconhecido ante a mim

A maldade em mim