A Luz


O mundo todo estava perdido, todos afundados em suas próprias paixões. A destruição, o caos, mortes sem a menor misericórdia, a perdição clamava por sangue...
O amor se esvanecia nos corações, o perdão era incompreensível, a paz já cedera, não havia mais nada o que poderia ser feitos...

Corações sem esperança, noites sem brilhar, dias frios como a morte, a única coisa que dava prazer seria beber o cálice do sono eterno...

Onde antes era festa, agora era lugar de tristeza, onde antes habitava o esplendor só ficou o negrume da falência, onde antes havia colheita e fartura ouvia-se apenas o soprar vazio do vento, a alegria tornara-se em pranto de intensa dor. Desesperançados, nada mais além relutavam a fazer...





Mais eis que da nuvem mais negra e fecunda surge a límpida água cristalina, água essa que veio para saciar aqueles que tinham sede, e esta nuvem que trouxe chuva, após si revelou-nos a Maravilhosa Luz. Luz essa que veio para iluminar os homens, perdidos nas trevas e mostrar-lhes seus maus caminhos para que cada um pudesse arrepender-se.

Essa Luz veio para os seus que perdidos estavam, sem saber mais para onde estavam a ir, para ser-lhes o Astro que aquece e dá Vida. A Maravilhosa Luz que resplandece com um fulgor sem igual aquele que está no fim do poço, aquele que com os olhos inebriados já não conseguem ver a direção, ao que diante de pedras lançadas já não podem enxergar, ao que tem a visão completamente embaçada pelas lamas da vida, ou mesmo ao que cego está por brilhos vãos...

Essa maravilhosa Luz que vimos resplandecer em Sua glória e Poder foi rejeitada pelos seus, pisoteada foi a pedra de esquina e lançada contra seu Edificador, rejeitada foi o poço de Águas Vivas e o qual teve suas águas manchadas por imundices, suja foi essa águas por lama e sangue que não eram seus...

Ferida foi a Rosa de Saron e teve suas petá-las tiradas e feridas, arrancada foi do Jardim de Deus e lançada por terra, pesados lhes foram os calcanhares que lhe pisotearam...

Essa Luz da Verdade foi rejeitada por mostrar exatamente a forma miserável em que se encontrava os que se diziam seus, porém os mesmos amaram muito mais a lama que os soterravam por causa de seu calor infernal, fizeram-se malditos e indignos de seu Resplendor...

Após terem apagado as Chamas que ardiam contra si, pensaram ter vencido a Maravilhosa Luz e onde havia seu Resplendor anulado o dia. Mas ao terceiro dia sua Luz brilhou mais do que nunca e em meio aos pedras fez-se surgir a Luz que alumia os homens – que do Pai das Luzes desceu – e aqueles malditos que se lançaram a sua luz, de Resplendor foram cheios...

A loucura da Cruz espargiu-se sobre os que eram doidos e isso enlouqueceu os sãos, todos ficaram perplexos ao verem milhares de milhares com suas roupas manchadas por sangue, roupas que antes eram limpas, brancas e que refletiam sua inteligência e bom-senso, agora já não mostravam o mesmo, pois manchadas estavam pelo Sangue Carmesim, vermelho como o fogo que os resgatou, vermelho como a vida que lhes foi dada naquele madeiro maldito ao qual foi entregue o Justo e testificarem de que Sua loucura traz a Vida e Paz...

A Maravilhosa Luz que veio dos Deuses e que andou por entre chamas voltou para Aquele do qual saiu e brilha ainda mais que intensamente a destra de Sua Majestade...

Essa Luz que veio ao mundo é a mesma que aguarda o breve dia em que em seu relampejar brilhará a última vez, para que aqueles que aceitaram Sua Palavra de loucura sejam como é a Luz e tornem-se pelo perdurar da eternidade suas estrelas as quais resplandecem por Sua glória e que por isso O louvam...




Ósculos e amplexes,

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