Maçãs, Morango e uma pitada de Chili Peppers [Parte II]

Jay tornou-se muito amigo de Amy - lembre-se que os adolescentes definem este palavra com uma conotação mais simplória, seria mais pra colega, do que com a profundidade que a palavra realmente cunha em seu significado real - e assim foram trocando várias mensagens.

Pra variar um pouco na constância de que os garotos mandavam-lhe scraps, falaremos um pouco sobre a constância de Jay e Cassy em mandar recados para Amy, sempre que tinham um horário vago, lá estavam eles enviando-lhe uma enxurrada de palavras atenciosas e de carinho. Jay como passava boa parte do tempo estagiando usava os computadores do curso, quando estava em casa, como não tinha acesso a net - menos ainda PC -, passava o resto do dia na escola em que, também, monitorava próxima a sua casa, na rua de cima - vezes e mais vezes ficava sem comer, ali, o dia todo no seu profile, observando e sendo observado, remotamente, tudo e todos.


Estava sempre informado e sabia dos maiores bafões, já que seus contatos, ou não, insistiam em dizer tudo o que pensavam na página da rede social, por isso mantinha-se sempre atualizado sobre o que acontecia, não só ao seu redor, mas por aí afora. Ele que descobriu que um conhecido seu traia sua amiga, poxa o cara era "mó feio", ela além de ser bonita, mais de corpo que de rosto, era inteligente, tinha seu próprio carro e ganhava muito bem. Sentindo-se indignado não só contou-lhe como também mostrou as provas das conversas com outras garotas, os dois discutiram a relação e resolveram dar um tempo, mas tudo não durou mais que uma semana, já que ela era totalmente caída por ele.

Amar alguém, não consiste em amor em sentido único, a via pode até não ser expressa, porém deve existir uma curva, ou ponto, que permita fazer o retorno, havendo assim um feedback, caso não haja isso, não é amor, mas perca de tempo. Antes de amar alguém deve-se amar a si próprio, pois se não há respeito por si mesmo, que motivos o outrem encontrará para o fazer. Infelizmente era isso que Iowa não conseguia perceber, amava em mão única.

Enquanto Jay passava seus dias no curso e na escola de seu bairro estreitando inda mais sua relação com Amy, Cassy, quando não no curso - apenas dois dias por semana, das 14 as 15:30h, ficava até as 20h quando o estabelecimento era fechado, afinal de que valia a camaradagem que tinha com os monitores se não pudesse aproveitar-se dessa situação? -, estava numa das lam-houses próximas de sua casa, dando e recebendo atenção daquele ser angelical.

Quando viam que dentro de 40 segundos, ao pressionarem F5, não havia nenhuma resposta de Amy, já sabiam que ela estava off, aquilo era incomodo demais para eles que ficavam a jogar conversa fora com os demais contatos. Aquela amizade que já vinha durando mais de uma semana, havia mudado Jay completamente, pois até parara de xeretar a vida privado-pública de seus amigos virtuais, seu tempo era muito mais bem gasto agora, com Amy.

A coisa tornou-se tão séria que até competiam para ver quem mais mandava e recebia scraps dela, um depô então? Valia muito, porém o que dava maior pontuação, era a ordem de prioridade em que eram respondidos, essa era a maior disputa entre eles, causando até algumas desavenças, brigas entre recados que sobrava para Amy que tinha que ir na página de recados de cada um e assim entender o que acontecera e poder apaziguá-los.

Certo dia, Jay, gabou-se com Cassy de ter mais atenção de Amy, sendo que ele mesmo que havia-a impulsionado a falar o que queria, como ela tinha mania de deletar seus recados, Cassy não tinha como provar que ele que a instigara, mas mesmo que não houvesse apagado não se teria como incriminá-lo já que era muito sagaz e havia conseguido as palavras de confiança apenas elogiando-a, estimulando a ponto de se desarmar completamente e dizer que confiava nele, mais do que em qualquer um dos outros garotos, "você é muito especial pra mim, sei que posso confiar mais em você...", fora o que Cassy leu.

No começo não acreditara, "Até parece que ela lhe diria isso, pra quem nem ficou com ela? Se fosse pra ela dizer, diria a mim e não a você. Se toca Jay!", mas depois que viu, jururu, quis tirar satisfação com Amy que tentou consertar a situação e disse que confiava nele também, o que foi suficiente para o ego de Cassy inflar fazendo-se esquecer de todo resto.
- Está vendo, ela também confia em mim! - Disse mostrando o monitor para Jay.

Quando Amy foi conversar com Jay, novamente sobressaiu-se dizendo que dissera apenas que ela nele confiava, que em momento algum estava querendo contar vantagem, novamente elogiou-lhe, dizendo que ela era especial demais para ele a tratar como um premio. O que de resposta recebeu inda mais carinho da parte dela, ele percebeu que a havia cativado e, como valia a pena ter aquela "Pimentinha", como ele a chamava, não só entre seus contatos, mas também no coração.

Por mais sagaz que Jay fosse, não havia intenção maliciosa de ludibriá-la e assim conquistar seu coração, suas intenções eram puras, ele havia gostado dela, já na primeira conversa - se existe amor a primeira vista, por que não ao primeiro scrap? - e como desacreditava na maneira de tratar o sexo oposto como um pedaço de carne nova, como todos os demais garotos que se mostravam vindos de um canil, famintos por um pedaço de carne macia, tratava-lhe distintamente.

A primeira vez que conseguiu falar-lhe foi a noite quando ia para o sítio da mãe de Iowa - como era seu aniversário resolvera comemorá-lo lá - enquanto dirigiam-se para lá no Tiguan, com Active Park Assist - que para mulheres é a salvação, já que elas tem um sério problema com fazer baliza, nada melhor que um carro que faça isso por elas -, Jay ligou para Amy e quando ouviu sua voz tão gostosa de se escutar, lembrou-se na hora que parecia-se com de uma amiga sua que era muito divertida e ficaram conversando por um bom tempo, parecia que os assuntos brotavam de uma nascente inesgotável.

Depois de falar com ela, ficou admirando as estrelas, as vendo brilhar inda mais, coisas que só um coração que se abre para o amor permite enxergar, a beleza que se oculta ao se olhar com uma visão superficial, só pode ser vista quando se observa profundamente, é por isso que o amor não cega - cego é o que não ama - e sim amplia a visão, pra beleza infinita e não para a superficial que como a erva seca-se ou murcha como a flor, Da Vinci já alertara sobre a beleza efêmera que nos engoda.


Alicia Keys - Teenage Love Affair

No outro dia, pouco interagiu com o pessoal, já que inda estava encantado com Amy, ficou enrolando para entrar na piscina, o que fez com que o pessoal planejasse jogá-lo, voltando a realidade disse que não seria necessário e que depois que trocasse de roupa entraria por seus próprio impulso. Depois de colocar uma roupa mais apropriada, enrolou ainda algumas horas no banheiro, lendo um livro que havia levado para distrair um pouco a mente, da constância do pensar em Amy, parecia que depois que falara consigo, sua imagem impregnada tomara todo fluxo de pensamentos.

Ao observar o relógio, calculou que deveria ser o tempo certo para os garotos terem esquecido e que estaria seguro para descer e por livre e espontânea pressão - já que detestava piscina, por não saber nadar e ter certo receio de morrer afogado, embora não fosse tão grande e funda, como constatou ao jogarem-no - viu que se demorasse mais o pessoal começaria a sentir-lhe falta e quando saísse, aí sim, não teria escapatória.

O pessoal o viu descendo, cheio de atitude, "até que fim!", "vai lá Jay" e ele veio, cada degrau que pisava com muita tranquilidade, eles o deixariam pular já que viam que estava decidido por si entrar, e assim foi, quando estava próximo tirou suas Havaianas e chegando na beira, sentou e escorreu para dentro da água.

Sem compreender a enxurrada de vaias que levou, ficou algum tempo encostado na beira com as mãos sobre ela, batendo os pés, apenas isso, até lhe gritarem que haviam acreditado que pularia, dando um mortal, já que havia chegado marrudo. Depois de todos terem rido, inclusive Jay, foram para a melhor parte, que seria o churrasco, acompanhado de uma deliciosa salada de maionese - combo mais perfeito que esse não tem, só mesmo uma bela salada de frutas para o grand finale! - e pra fechar muitas frutas.

O tempo passou e Jay ficou, ali, conversando com algumas garotas novas, inclusive com Marcie, que encantou-se por seu polimento e envolvente sorriso, ele que também havia-se encantado por ela, estavam paquerando-se, quando sentiu alguém puxar-lhe. No momento em que deu por si, estava tentando controlar a respiração e manter-se em pé - embora seus pés não galgassem o chão - para não se afogar. No momento lembrou-se do que lhe havia dito seu professor de química, que a maioria das pessoas morrem afogadas por medo, já que a tendência do corpo mais leve que o empuxo da água é flutuar, ninguém morre em questão de segundos, porém quando se veem em situação de risco entram em pânico e tomam decisões ruins; há mais tempo do que se imagina - 1 minuto para controlar a respiração, 10 de poucos movimentos e 1 hora pra que se fique inconsciente, segundo Gord Giesbrecht, professor e cientista canadense que já se congelou mais de 40 vezes na água fria - lembrando-se disso tentou se acalmar e, ao erguer as pernas conseguiu tocar no fundo e ficar em posição vertical, bastou apenas controlar sua mente.

Apesar de ter entrado água em suas narinas, não se importou, até fora divertido, isso mostrou-lhe que não precisava te tanto medo, pois em questão de segundos conseguiu controlar os pensamentos e evitar algo mais sério, agora sabia bem onde encontrava-se o deslizante fundo - que não era tão fundo assim. Ao sair da piscina rindo de si mesmo, pode ver quem o empurrara, uma mulher amiga do padastro de Iowa, que era debochada em excesso - antes do acontecido já havia comentado com os amigos sobre sua excentricidade, que podia ser devido ao consume em excesso de alegria, ou por ser sem noção mesmo. Mas no final das contas acabou sendo bem divertido e aquilo o fez esquecer um pouco de Amy e curtir bastante a piscina e aquele ensolarado dia, regado a muita carne, maionese e salada de frutas. Verão inesquecível foi aquele, como pode constatar alguns anos depois.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

3 Segredos da oração

Desconhecido ante a mim

A maldade em mim