Problemas com perfil fake 5 [O mistério de Feiurinho]

Enquanto Katy chegava ao quarto, Tonny continuava a olhar para aquela porta, muda, que indiferente devassava-lhe sem o menor pudor e sem nenhum sinal de compadecimento, apesar de não exprimir algum sentimento, dava impressão que toda aquela imponência que possuía não passava de arrogância e desprezo pela sua lamentável situação e sentindo-se irar socou-lho estômago, o som causado fez com que a janela do quarto de cima fosse aberta e ao escutar esse som correu para a rua a ver se finalmente falaria com Jessy.

- Jessy me perdoe, preciso falar com você...
- O que está fazendo na minha casa?
Supreso mais com a dinâmica da entonação do que com as palavras usadas, tentou responder-lhe:
- Desculpe, não sabia que era sua casa, é que o diretor me pediu pra ajudar uma aluna que precisava de umas aulas particulares... - Vendo que aquela desculpa não levaria-o a nada, interrompeu-se. - Jessy, por favor me perdoe!
- Ele deve ter nos ouvido quando fomos falar com o professor. - Disse Lady.
- Mas eu falei pra vocês tomarem cuidado! - Ralhou Katy
- Ele estava na frente da sala dos professores, quando vimos já era tarde, mas a gente falou baixo.
- Agora esquece, incompetentes!


O vento ficara mais forte, o céu já tomado por negras nuvens, tudo ao seu redor parecia estático e sem o menor nexo, estava difícil manter o foco naquela janela, o vento soprava-lhe impurezas que iam direto às córneas impedindo de ficar com os olhos abertos por mais que alguns segundos, o tempo que passou embora não soubesse dizer, tinha o peso da eternidade. Ficou ali tentando enxergar algo até que finalmente os lábios dela voltaram a mover-se, bem como seu rosto que mostrava um expressão sofrível de muita tristeza.
- Não quero te ver nunca mais, suma da minha frente! Eu te odeio!!!

Suas palavras ecoaram como trovão, profundas, cortantes e com um peso assustador que fez tremer toda sua estrutura, conseguiu apenas abaixar a cabeça. Sentiu uma pequena gota a esparramar-se pela nuca,  escorrendo até adentrar-lhe a camiseta. Aquela gélida gotícula fez erguer os olhos para o alto, pensando ser Jessy arrependida das palavras pronunciadas, notou, porém, apenas a janela fechada e sem entender o que causara aquilo voltou os olhos ao céu e viu que outras gotas também caíam. Logo a chuva apertou e ele ficou ali... até começar a mover-se maquinalmente, não deu importância ao carro que deixara frente a casa de Jessy, depois pediria que seu chofer o buscasse.


A chuva lavava-lhe a alma, tornando seus pensamentos puros, a chuva fazia com se esvaísse o temporal que se havia formado dentro de si, depois de tudo que acontecera, tudo era culpa de sua maldita escolha, por que fizera aquilo?

Não sabia dizer se era a chuva de dentro ou a de fora que o limpava, mas a cada passo sentia-se inda melhor, não queria descobrir se estava ou não a chorar, não queria saber que demostrava fraqueza, afinal, tinha ojeriza as lágrimas, por isso preferia permanecer sob as lágrimas do céu, para não descobrir o quão fraco também podia ser.

Jessy permanecia muda em sua cama, mal ouvia as garotas comentando que o que fizera era certo, assim ele a deixaria de uma vez por todas, podia apenas ouvir a guerra que travava dentro de si própria, razão x emoção, quem ganharia? "Por que ele fez aquilo comigo... Toinhim eu te amava... Tonny eu..."

As meninas assustaram-se quando Jessy pulou da cama e foi em direção a entrada do quarto, desceu correndo as escadas e abriu a porta da sala, recebendo um jato frio de água em si - aquilo poderia ter lhe causado um tremendo resfriado já que saíra com o corpo quente direto pra chuva, cusando um choque térmico, mas quem disse que se importava com qualquer uma dessas bobagens de crendice de pais ou de cientistas que não tinham mais o que fazer, no fundo a ciência apenas puxava a sardinha para o lado dos pais, eles mesmo estando errados sempre tem razão - com exceção de Gord Giesbrecht, que era um filho rebelde e discordava do saber da própria mãe, assim como da ciência.

Tonny olhou para trás de si e não viu nada, nem ninguém, a chuva estava inda mais forte, tudo havia acabado, perdera a chance que não teve de concertar as coisas, mesmo que voltasse no tempo não poderia alterar o erro já cometido, o máximo que conseguiria fazer seria criar um universo paralelo, percebeu que não adiantaria ficar parado olhando para trás, já havia posto a mão no arado, deveria apenas seguir em frente.

Jessy ainda tinha esperanças de ao menos por um instante olhar em seus olhos quando saiu no meio da rua e ficou contemplando Tonny, porém, apenas o viu indo sem desviar o olhar para direita ou esquerda, quanto mais olhar atrás - por que será que quando queremos que alguém nos olhe e ficamos a observá-lo a pessoa não percebe? Isso só acontece quando devassamos em segredo, desejando justamente o contrário, que não se aperceba, o que nunca funciona - e ficou ali até vê-lo dobrar a esquina, sumindo em meio a chuva. Como ele podia ser tão insensível ao ponto de não lutar nem um pouco, simplesmente fora embora, ela ainda tentou gritar, mas sua voz cheia de comoção não saiu tão alta e os trovões lhe atrapalharam, ficou ali emudecida até ele desaparecer completamente, aí resolveu entrar.

Voltou para dentro com as lágrimas inda a rolarem por sua delicada tez, quando virou-se para entrar em casa viu que as meninas a esperavam na porta, ficou olhando Katy até que ela abrindo os braços foi buscar a amiga. O choro, agora inda mais descontrolado, já não permitia que visse o trajeto de volta ao quarto e, quando lá chegou todas disseram que tentaram avisar, que seria tempo perdido, afinal se ele fizera aquilo consigo, nem sua amizade seria suficiente.
- Amiga, a partir de agora nascerá uma nova Jessy! - Disse Katy enquanto secava seu longo cabelo.
- O que acham? - Fridda falou já com a tesoura na mão.
- Acho que está na hora T! - Concordou Angie.
New look! - Americanizou Stephie.
- Bad Girls Go! - Gritaram juntas erguendo as mãos chifradas.
Jessy ergueu os olhos meio assustada.
- Hoje é dia de mudança, bebê! - Katy lhe disse com firmeza, olhando em seus olhos, ao que Jessy apenas assentiu.

Postagens mais visitadas deste blog

3 Segredos da oração

Desconhecido ante a mim

A maldade em mim