Sério problema com ônibus em Guarulhos

Mais um dia amanhece em Guarulhos, uma das maiores metrópoles da América Latina, sempre muito agitada, barulhenta e como não poderia deixar de ser também, poluenta, esta cidade localiza-se divisando São Paulo, junto com outros 39 municípios que formam a Região Metropolitana de Sampa, que é mais conhecida por Grande São Paulo, essa região é a extensão da capital paulista, "formando com seus municípios lindeiros uma mancha urbana contínua" - o maior centro urbano do Brasil e da América e a sexta maior área urbana do mundo.

Por situar-se próxima a Sampa - é uma periferia, exatamente por estar contígua ao centro e não pertencer ao interior - vive sempre muito movimentada, boa parte dos moradores da mesma trabalham em São Paulo, o que a despeito do transito, acaba sendo muito mais cômodo que trabalhar na cidade, já que há um sério problema com o transporte urbano.

É uma cidade com uma imensa bagagem histórica, onde seu passado se cruza com o de São Paulo, já que a mesma foi construída por causa da capital, para sua proteção e como via de acesso fácil a mesma, e com isso tem contribuído muito bem até hoje, já que a maioria das pessoas que desembarcam no Aeroporto Internacional de Cumbica acabam alocando-se em Sampa.



O dia até que estava ameno, o tempo era de outono, embora ainda fosse começo de abril não tinha como prever a estação correta, já que ultimamente a  natureza anda meio desordenada e as estações que d'antes tinham duração de 3 meses cada, tem durado mais ou menos 22 dias ou se revesado num intervalo mais curto e dinâmico - temos a cada três meses as quatro estações.

Earvin dirigiu-se para o ponto de ônibus que ficava próximo a sua casa, enquanto sentia os lábios gélidos da brisa soprando-lhe suavemente a pela, embora visse as pessoas agasalhadas, não encontrava motivos para por sua blusa, já que aquela suave brisa tinha intenção de apenas refrescar, não entendia o motivo de sentirem frio, ele gostava de sentir a pele gelada, só assim sentia que realmente estava refrescado.

Ao chegar ao ponto, viu que o trânsito já encontrava-se totalmente congestionado, caso esperasse ali, acabaria por atrasar-se para o serviço e como sabia estar num dos dias de maior movimento de tráfego rodoviário da semana, decidiu transpor o trevo e esperar algum ônibus na Dutra, pois seria menos demorado - embora estivesse bem adiantado.

O vento continuava a tocar-lhe languidamente o rosto e seus definidos braços através das mangas arregaçadas, aquela sensação de liberdade era muito gostosa e o fez abrir os braços, sem importar-se com a multidão de pessoas que se encontravam no ponto, até porque estava bem afastado das mesmas, por não querer ser atropelado pelos desesperados que se enfurnavam nas lotações que já vinham hiperlotadas, por não querer atrasarem-se.

Ele apenas assistia a tudo, com um riso no canto dos lábios, ao olhar seu GA-110 F-2 viu que já passara mais de quarenta minutos e nada, os ônibus também não estavam subido do ponto que estivera antes, a subida ficava atrás de onde encontrava-se, adjacente a rodovia. A situação realmente estava crítica, o motivo desconhecia, esperar por transito na Dutra é comum, ainda mais numa sexta-feira, mas aquilo estava muito pior do que normalmente podia se ver.

Ao focar os verdes olhos a sua esquerda eis que, finalmente, consegue avistar seu ônibus que, pelo que pode enxergar, já estava lotado, como porém não tinha escolha resolveu pegá-lo, passou as mãos com cuidado sobre os cabelos arrepiados para não estragar o penteado - se mulher é cuidadosa com cabelo, pense num cara que tem o cabelo arrepiado, encostar nele é pedir sentença de morte - enquanto aguardava atrás de umas três pessoas e pra sua sorte conseguiu entrar.

O trânsito no trecho que se encontravam estava mais sossegado, mas o pior estava ainda por vir, na ponte Cumbica e muito mais a frente, depois de ter conseguido entrar e ficar apertado na frente, foi-se deslocando, até conseguir ficar menos apertado na catraca de onde pode ver melhor o fundo do ônibus e observar que o fundo não estava tão cheio, tinha até um bom espaço, ficou sem entender o motivo das pessoas ficarem comprimidas na frente se havia lugar atrás.

Depois de ter passado para trás ficou frente a uma janela, já que não suportava ambientes totalmente fechados e com muitas pessoas, ficou ali sentindo o vento amenizando o calor que lhe sufocava, o vento estava mais gelado e assim, logo abaixou sua temperatura, encostou na barra que segurava e ficou observando o movimento do coletivo.


Foi aí que notou o quanto aquele motorista estava lerdo, o que lhe causou raiva, pois o mesmo não aproveitava para pisar fundo enquanto estavam num trecho que permitia andar mais rápido, onde ainda não tinham alcançado o engarrafamento, como por exemplo, o trecho paralelo ao Cecap.

Pouco tempo depois do ônibus estar andando, eis que alguém dá sinal para descer, ao chegar no ponto algumas pessoas descem e assim que o motorista fecha a porta o sinal novamente se acende, "deve ser um desesperado, como esse povo está com pressa", pensou Earvin.

Porém, ao chegar no ponto, ninguém desceu, na frente o motorista resmungava, enquanto o pessoal que desceria no ponto seguinte levanta-se, quando iam puxar a corda para dar o sinal ele é acionado automaticamente, os três amigos que desceriam no ponto entreolharam-se sem nada entender.
- Que prático esse ônibus, não?
Enquanto riam o motorista que já estava de cabeça cheia devido reclamações pela lerdidão com que conduzia seu carro, ficou observando os três que levantaram assim que a porta se fechou e entendeu que os mesmos que haviam acionado o pedido de parada, mas devia ter sido por enganado e olhou-os de cara fechada enquanto desciam no ponto certo.

Alguns segundos depois de estar andando, eis que novamente a campainha é acionada, ao parar no ponto e as portas se abrirem, novamente ninguém desce, estressado, o motorista, apenas fecha aporta e continua seu rumo.

Earvin, distraído, contemplava a paisagem conforme o ônibus deslocava-se e, pelo que pode perceber, cada vez com maior dificuldade, cada vez mais devagar, até parar por alguns instantes, o trecho do engarrafamento havia sido alcançado. Mas como não poderia deixar de ser, observou que o ônibus parava em todo ponto. Ficou a pensar em como tinha gente pra descer nos mesmos, mas o engraçado era que ele estava cada vez mais lotado, parecia que as pessoas apenas subiam, esquecendo-se de descerem em seus pontos.

Meia hora passou-se e continuava na mesma, todo ponto algum engraçadinho apertava o botão de parada, já não bastava o transito, ainda ter de aguentar alguém que ficava dando sinal a toda instante era extremamente irritante. A cada parada as pessoas se olhavam nervosas para descobrir quem estaria cometendo tão grave infração. Mas o bendito do sinal continuava a ser acionado, sem que ninguém descobrisse e cada vez mais as pessoas se irritavam, chegou um ponto em que queriam esganar o individuo, mas por mais que procurassem olhando para os lados, não havia jeito de descobrir o autor da gracinha.

Earvin começou a perder a paciência, estava a querer saber quem seria o palhaço, faltava ainda alguns quilômetros para chegar ao seu ponto, com sorte ele não chegaria muito atrasado, já facilitava muito o serviço ser atrás do ponto que desceria, porém lembrou-se que ainda teria de enfrentar o transito do Centro. Sentiu então sua mão doer, pois ainda não havia trocado de mão, ao levantá-la deu um berro: "Noss...!"

Todos no ônibus olharam pra si e perceberam-no com a mão levantada e onde havia estado a mesma encontrava-se um botão pra acionar o sinal de parada, olhando o painel de parada viram a luz acesa, todos começaram a berrar querendo esbofeteá-lo, mas pra sua sorte o ônibus acabara de parar no ponto, ele só teve tempo de pular pra fora, algumas até saíram correndo atrás de si.
- Perna pra que te quero! - Saiu correndo para não ser linchado.

Ainda teria de correr mais vinte minutos, continuou, quase esbaforido, pra sua sorte tinha o costume de fazer esteira todos os dias, por isso estava em forma, mas a meia hora que costumava correr equivalia a 15 minutos em se tratando de corrida livre. Olhando pra trás pode ver que já não lhe perseguiam, mas teve de manter o ritmo para não chegar atrasado demais, enquanto corria observava a fila indiana de automóveis que faziam questão de acompanhá-lo.

Depois de ter quase perdido o fôlego, estar todo suado, conseguiu chegar ao serviço, ao parar na porta notou que um ônibus se aproximava do ponto, ao observar-lhe reconheceu o motorista e viu que era o mesmo ônibus do qual havia sido expulso, virou então o rosto para não ser reconhecido. Depois que o mesmo seguiu em frente, ficou pensando em como o transito estava complicado naquele dia, pois ainda chegara antes do ônibus - e olha que a caminhada fora longa.

Sentiu seu Cook 3G tocar e quando o pegou, viu que era sua chefinha.
- Alô! Earvin, o transito está complicadérrimo demais para mim, por isso não vou conseguir chegar aí tão cedo, então o escritório não funcionará hoje. Já liguei pra os cliente de hoje e transferi tudo pra amanhã, ou seja, amanhã teremos trabalho dobrado, então, você pode ficar em casa hoje! Sei que devia ter ligado mais cedo, mas preferi ligar antes para os cliente e confirmar se daria para transferi-los pra amanhã, mas acredito que não tenha sido problema pra você, já que ainda deve estar no ponto, afinal, você sempre sai atrasado.
- Sim, chefe... - Foi tudo que conseguiu dizer e depois emudeceu enquanto ouvia o tom de discagem.
- Pôxa, justo hoje que saí mais cedo! - A indignação era perceptível na voz. - Bem, ao menos, vou poder ter um dia de folga, depois de todo esse estresse.


Ficou ali mesmo aguardando seu ônibus passar, estava calculando o que faria com aquele dia todo de folga e esqueceu-se que estava todo suado, quando encostou perto das pessoas que estavam sentadas, elas repeliram-no e levantarem-se. Depois que conseguiu pegar o ônibus, passar pelo transito do Centro já esperado, o carro voltou para a Dutra, porém qual não foi sua surpresa ao constatar que o engarrafamento tomara os dois sentidos da pista, quando por fim chegou em casa já eram 15:30, realmente aquele não foi seu dia de sorte. Teve apenas tempo de tomar um bom banho, arrumar-se, comer e sair para ir pra faculdade.

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