Problemas com perfil fake 6 [O mistério de Feiurinho]

- E aí Tonny firmeza?! - Disse Nick no básico cumprimento de espalmar as mãos e dar um soquinho com a mesma fechada.
- Beleza maninho. - Respondeu Tonny com seu belo sorriso.
Passara-se um mês desde o acontecido da chuva e Nick repensara sobre a relação que tinha com Tonny, arrependendo-se de também o ter desprezado por suas escolhas, viu que não tinha sentido perder a amizade de um cara tão bacanudo quanto ele, por motivo tão banal, o que ele tinha haver com suas opções amorosas? Nada, foi o que conseguiu responder a si mesmo.

Porém mesmo depois de ter perdido perdão por abandoná-lo, justo o cara que havia sido mais legal com ele, sentia que Tonny não o tratava como antes, parecia meio distante, apesar de suas palavras serem aconchegantes, sentia que ele estava bem distante delas. Tonny não gostava de guardar mágoas, por isso mesmo desculpara o colega, porém havia ficado muito chateado com Nick, fora por causa dele que viera pra essa escola, apesar de ser uma das melhores de São Paulo, tinha outra opção ainda melhor e bem perto de sua casa, apenas alguns minutos.


Ele havia conhecido Nickie numa feira organizada pela SBPC, não poderia existir melhor lugar para dois geeks se encontrarem, acabaram conhecendo-se, já que ambos representavam suas escolas com projetos de ciências bem inovadores, acabaram por fazer uma amizade legal e trocaram id do Windows Live Messenger, ou MSN num uso mais coloquial. Quando Tonny soube alguns meses depois que iria se mudar pra Sampa contou para Nickie que lhe falou de onde estudava.
- Poxa, cara! Mas ela fica um pouco longe de onde vou morar, vou ter de pegar transito.
- Mas você já conhece aqui Tonny? Pensei que você morasse aí no Mato Grosso e só tivesse vindo aquela vez na feira de ciências.
- Realmente, mas estava procurando aqui no Google Maps e deu pra ver que é bem longinho.
- Entendi, mas você vai gostar, a nossa escola é campeão nos campeonatos esportivos, principalmente no futebol.
- Opa! Agora você começa a falar minha língua. - Tonny soltou uma sonora risada de prazer.
- Não entendo como um cara boa pinta como você, que além de inteligente, pode se dar tão bem no esporte. Alguma coisa deve estar errada aí!
- Seu invejoso! - Tonny lhe deu língua pela webcam.

Bem, o fato era que ele deixara-se convencer e viera estudar na High School, seu pai achara meio ruim, mas ele o convencera de que já estava grande o suficiente para cuidar de si próprio, que precisava ser independente. No começo achou que sua mãe encanaria, mas foi ela que acabou ajudando-lhe, ele achava graça no fato de seus pais serem o contrário do padrão, pois quem se preocupava demais com ele era o pai, a mãe era mais despreocupada, pega vez em, quando, mas era mais relax. No dia ele dormiu mal, pela ansiedade e quando finalmente pegou no sono a empregada veio-lhe chamar, pois já estava atrasado, saiu correndo pro seu banheiro e meia hora depois estava pronto, como se demorava pra arrumar não teve tempo de tomar café, passou apenas pela sala de jantar para despedir-se doa pais.
- Mas meu filho, você não vai tomar café?
- Não já estou mais que atrasado e... Cadê o pai?
- Está te esperando lá fora.
- Valeu mãe! - Deu-lhe um ósculo e saiu tomando um Corpus.

Quando abriu a porta viu o presentinho - como seu pai definiu - que lhe esperava, um conversível Porsche 911 Turbo, com pintura metálica impecável, ele ficou tão feliz que pulou em cima do velho abraçando-o e por pouco não o derruba.
- Valeu pelo presentaço pai! Mas meu aniversário ainda está longe.
- Eu sei filhão, mas depois de conversar com sua mãe e ver que você está se tornando um homem resolvi te inspirar um pouco, afinal, foi com sua idade que comecei a administrar minha primeira empresa...
Seu pai administrara a primeira empresa aos 16 anos, uma modesta loja de sapatos, mas como sua gana e expertise eram grandes não demorou a conseguir algo melhor e assim foi subindo, até ocupar o posto atual.
- Poxa pai, não me leva a mal, mas acho que já ouvi essa história!
- Claro que sim.
- Mas.. eu digo... essa semana.
- É mesmo? Pois não me lembrava disso! Acho que estou ficando velho mesmo.
- Que isso paizão! - Tonny deu um abraço rápido no pai, não dando muita atenção para as lamúrias da idade pesando e pulou pro seu novo carro, agora ele com certeza chegaria a tempo.

Apesar dos caras lhe terem avisado que Nickie era genioso, ele não deu muita bola, já que foi ele que apresentou a escola e todo o pessoal a si. O que acontecia era que Nickie era um tremendo de um banana, mas sabia muito bem como manipular alguém quando o tinha nas mãos, por isso mesmo, apesar da inteligência descomunal, ficava isolado na sala, os garotos aproximavam-se dele apenas quando necessitavam de algum trabalho em troca de proteção, já que poucos não eram os que ele já se tinha aproveitado. Embora essas pessoas nunca passassem das ameaças, por ser um tremendo frango, trocava proteção por trabalhos, afinal, também era uma forma de se aproveitar dos colegas que não gostavam muito dele, pois quanto mais estudava ainda mais inteligente se tornava, estudar era seu fetiche e o deixava em êxtase.

Para surpresa de Tonny o primeiro a se afastar dele fora Nickie, ele nunca entendera o acontecido, mas ficou chateado quando viu que bloqueara-lhe no MSN e quando tentou obter explicações dele o mesmo debandara para o lado dos seus defensores. Percebeu o quanto ele era falso, mas uma vez quebrara a cara por confiar demais nas pessoas, era esse o seu pior defeito, ele tinha uma facilidade tremenda de fazer amizades, era muito comunicável, mas poucas não eram as vezes que se decepcionara por confiar demais nas pessoas, já que ele os via como a si próprio dignos de confiança.

Aos poucos os demais garotos foram, meio sem jeito, voltando a falar com Tonny, perceberam também que, além de ter perdido um ótima jogador, haviam abandonado um camarada muito gente fina, que fazia-os sorrir com suas gracinhas e era sempre muito amigável e conselheiro. Depois daquele fatídico rainday ele saíra não só das atividades extra-curriculares, mas abandonara de uma vez por todas o que mais gostava de fazer, jogar bola, nem a piscina frequentava mais, já não tinha mais graça fazer musculação - o que adiantaria ter um belo corpo se ninguém mais o notava - do popular da escola havia-se tornado em nada -, percebeu que cuidava da sua aparência mais pelos outros que por si mesmo. Tonny já não se importava mais em barbear-se, até mesmo o abdômen e peitoral haviam ficado peludos, antitranspirante e perfumes - sua marca registrada - não lhe eram mais companheiros, agora cheirava, ou fedia, como homem, com um odor bem característico de trabalhador braçal. Esse agora era o novo Tonny, “simples, normal”, como se definia, não necessitava mais agradar ninguém, podia ser ele, como bem entendesse.


Não que andasse mendigo, mas já não tinha mais nenhuma preocupação com aparência, sempre tomava banho, porém por não usar mais antitranspirante seu odor vencia o suave perfume do sabonete, o cabelo vivia desgrenhado, não mais arrepiado como antes, até sua gravata que dantes era impecavelmente arrumada com um nó justo, com direito até a prendedor, ficava frouxa. Aquilo era repugnante na escola de elite a qual fazia parte, mas não adiantava os professores ralharem consigo, pois ao virar as costas para a classe ele bagunçava novamente, o que causava riso geral e admiração dos garotos, por alguém ter coragem de desafiar as regras da escola, havia Andreas, mas ele era apenas um engraçadinho, não um revoltado sem causa, como Tonny mostrava-se, capaz de desafiar até mesmo os professores, este fora um dos motivos que os garotos voltaram a falar com ele.

Andie, pra variar, dominava o fundão e foi com ele que Tonny passou a estagiar, até tomar todo o poder passando a dominar a classe, o fato é que ele sentia-se muito bem fazendo os outros rirem, isso dava-lhe poder, não que ele não soubesse o que era ser popular, mas aquilo era diferente, principalmente por ter peito suficiente para enfrentar alguns professores folgados e zuar a hora que bem entendesse. Sentia-se muito bem transformando o desprezo que sentira de seus colegas em razão para fazer graça, chamando a atenção pra si. Andie que antes era quem comandava o !BØB¡ (Brothers of the Background) grupo formado por artistas circenses graduados em fazer da alegria algo coletivo, passou a ser um de seus cúmplices na bagunça e desordem, mas ainda era bem comportado ao ser comparado com o que Tonny se transformara.

Antes do inicio da aula o diretor havia tentado negociar com ele, mas por ser seu pai uma influente personalidade o diretor não conseguiu tocar-lhe comedo de represálias, a única solução foi tentar convencê-lo a não fazer um motim, já que os demais garotos que o admiravam estavam começando a copiar seu estilo punk-grunge. Quando Tonny saiu da direção ficou a imaginar como o diretor podia ser panaca, ele não tinha intenção de fazer motim nenhum já que de seu jeito respeitava os professores, apenas queria um pouco de liberdade e achava que às vezes os mesmos abusavam da autoridade, com o Jean que tentou humilhá-lo na frente da classe, o professor recebeu apenas uma resposta que fez sua cara cair no chão e nunca mais voltar para aquela terrível sala, ele detestava autoritarismo, só relaxava mais com alguns professores, como Rose, que conseguia pô-lo na linha ou o de física, Rickie, que era mais palhaço que professor, ele parecia o Grane Palhaço, já que não tinha quem não desse risada em suas aulas - teria ele um Smilenote? - além de explicar muito bem, esses eram os únicos que falavam a linguagem dos alunos e por isso mesmo respeitados - os dois eram a exceção.

Tonny saía da direção quando viu os garotos na frente da sala esperando-o.
- O que o diretor queria com você Tonny? - Quis saber Victor preocupado.
- Coisa boa não pode ser, do jeito que ele anda santinho!
- Disso você entende bem não Andie? - Confirmou Daves.
- Entendia, até o Tonny me passar a perna.
- E uma rasteira bem dada! – Tonny riu, acompanhado dos demais. - Ele só encheu o saco, disse que era para eu maneirar porque vocês estavam me copiando e que eu estava sendo um mal exemplo e blá, blá, blá, blá...
- Putz! Que cara sem noção! - Conn enfezou.
- Ô! Muito panaca ele.
- Um completo parvo. - Retrucou Mouki.
- Não entendo por que o cara pega no meu pé. Não estou fazendo nada de mais... ou estou?
- Claro que não! - Todos concordaram e caíram na risada.

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