Últimas lembranças II [Quando decidi morrer]

Sofri, mas não poucas vezes, porém a cruz não foi maior do que podia carregar e me acostumei a dor, até porque ela faz parte do processo de crescimento, ela acrescenta um enorme aprendizado que se fixa na mente de onde a lembrança sempre mantém-se viva. Não devemos esquecer os momentos de dificuldade, pois quando os ignoramos a gente comete os mesmos erros do passado.

Infelizmente, num momento de minha vida errei, isso me acompanha desde a meninice e tem me feito cada vez pior. Certa fez confessei para alguém o que havia de errado, essa pessoa por consequência contou para outro de extrema confiança, é claro que o seu confidente não contou para mais ninguém. Em determinado ponto de minha vida, o meu confidente teve de partir, ficando apenas a pessoa a quem lhe foi confiado o segredo, claro sem que eu soubesse.



Mas com o tempo percebi a forma com que era tratado, o desprezo e repulsa de seu olhar, isso dói muito, machuca sem que haja necessidade de palavras, mas pior ainda é lembrar que tantas vezes foi esse mesmo olhar que dirigi a tantas pessoas, que ao invés de lhes estender a mão, ajudei a apedrejar, se não ajudei fui omisso em fingir que não via alguém sendo apedrejado, talvez até tenha sentido prazer com o ato assassino.

Decisões erradas tomei, como quando dizia algo que irritaria meu pai exatamente por saber que isso o deixaria nervoso, deixar a pessoa muito pior do que me sentia no momento, ou mesmo daquela vez que minha tia preferida foi embora e como não queria que ela partisse não me despedi dela e fiquei sem vê-la por muito tempo, arrependido por não ter-me despedido.

O diabo que sugere as coisas ruins, como quando pedi para que minha irmã segurasse minha mão, enquanto pendurada no beliche e a soltei bem na hora em que minha irmãzinha estava atrás de si dizendo depois que ela teria escorregado ou ainda quando peguei uma faca para matar minha maninha, pois queria um irmão e não mais uma irmã, porém somo nós que decidimos. Só recentemente descobri que esses maus pensamentos que parecem ser soprados, realmente o são, não é porque surge uma frase com “eu acho”, que foi você que a idealizou, foi o diabo, mas ele só lhe indica a opção, o autor do disparo é você mesmo.

Até hoje trago em mim a profundidade das marcas de escolhas feitas, não existe más nem boas escolhas, existe apenas escolhas que feitas que trarão como consequência algo bom ou ruim.
Hoje cheguei a um ponto em que penso não ter mais sentido minha vida, não vejo perspectiva de futuro e os sonhos de projetos idealizados os vejo evaporar entre meus dedos, não consigo me firmar em nada, perdi várias oportunidades pelas quais lutei pra alcançar, elas simplesmente foram se esvaindo.

Poucas não foram às vezes em que me foi soprado para matar-me, assim como também as que cheguei a pegar uma faca, mas no fim das contas nunca tive coragem de me matar, até porque sei que a morte é o fim de tudo e nunca quis causar uma dor tão grande a família que tanto aprendi a amar, mesmo diante de minha piores crises existencialistas – esse é um dos motivos de ainda não ser conhecido por todo mundo, desacreditar de meu próprio potencial, pois sei que se quero, posso...

O desejo de alguém que se mata é apenas livrar do sofrimento, indo pelo caminho mais fácil, de não ter mais que enfrentar a dor que por tempos lhe vem consumindo, quem se mata na verdade quer viver. Eu nunca quis pegar o caminho mais fácil até mesmo por saber que iria para o inferno, mas do que adianta tentar fugir dele, afinal, o inferno é um lugar para onde todos vão, e não há como escapar do túmulo, sepultura ou lugar onde habitam os mortos.

Com o tempo meu conhecimento e inteligência só foram acrescentados e multiplicaram-se ainda mais, já nem me pareço com aquelas criança que foi espancada várias vezes por não saber desenhar o número dois, que gastou tempo e dinheiro com uma amizade que não tinha sentido além de interesse egoísta. Possuo conhecimento sobre vários assuntos que pertinem as mais diversas áreas do conhecimento humano físico e espiritual.

Dizem que alguém que se entrega as drogas, prostituição, devassidão e a morte é porque não sabe de onde vem e nem para onde vai, mas mesmo sabendo do sentido de minha vida, acredito que o mesmo já se tenha perdido, que já não há razão para que continue a viver.

Se o sofrimento eterno existe, descobrirei isso após deixar essa vida cometendo o pior pecado que é tomar o lugar de Deus, ao ter poder sobre a vida, tirando-a a mim mesmo com minhas próprias mãos, pode ser que ao terminar de ler esse relato de desabafo já seja tarde demais e você não consiga nunca mais falar comigo, pois para onde irei não tem volta, portanto não espere algumas manifestação espiritual, pois isso é feito por demônios, depois que se morrer acabou para sempre e caso não tenhas dito e feito tudo que deveria não haverá uma segunda chance.

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