Problemas com perfil fake 9 [O mistério de Feiurinho]

A escola toda estava envolta no clima esportivo e isso permanecia o mês todo quando haviam os Jogos Interescolares. O jogo que haveria seria a partida final da qual a House’s Team participava e como uma das idealizadoras sediava os principais jogos, principalmente esse que seria o jogo decisivo do campeonato, a escola tinha um dos melhores times, por anos haviam levado o título de vencedor, gabavam-se de sua invencibilidade, inda mais contando com um zagueiro surpresa, Tonny. Só que com o que não contavam, um time a altura surgiu, e vinha derrotando os demais com muita categoria e destreza de bola, um verdadeiro futebol arte.

Jacke não jogaria, já que havia se machucado na partida anterior quando um dos adversários, nervoso por que não ganhariam, resolveu apelar e chutou com tudo sua canela ao invés da bola, na hora jurou que não fora por vontade, havia calculado mal. Porém, quando retiravam Jacke do jogo, viu seu maléfico sorriso de vingança, o cara levou um cartão amarelo, mas aquilo não era nada, já que seu time já estava desclassificado nas semifinais. Esse seria o momento perfeito para Jessy ficar com ele, já que ficariam na arquibancada de onde todos os veriam, sabendo que ela iniciara na pista.


O jogo começou e conforme ia passando demonstrava que todos jogavam com muita garra, com desejo de vencer o campeonato, o time da casa havia assistido há todos os jogos de seu adversário e usava muitas de suas jogadas, mesma tática usada pelos EUA no esporte, porém eles demonstravam ter jogadas ainda mais inusitadas. A cada instante que passava, o jogo tornava-se inda mais emocionante, todo estádio vibrando, muitos comiam as unhas e faziam o que é mais divertido numa partida de futebol: gritar muito, reclamar, xingar, enfim, torcer. O time da casa levava vantagem sobre os visitantes, porém toda vez que chegavam com a bola próxima à pequena área, eles conseguiam recuperá-la e vice-versa, o saldo de intenção de gols mantinha-se paralelo, o jogo estava muito acirrado.

Quando Daves foi passar a bola para Conn do House’s Team, Asher, um dos jogadores adversários, cometeu o erro de ir com muita força derrubando-o, não fora grave a queda, mas era tudo que necessitavam, o juiz marcou a falta, dando pênalti. Lá foi Tonny que substituira Jacke cobrar, ele havia concentrado-se demais no jogo - quando entrava em algo dava tudo de si - já que queria muito ganhar aquela partida tão apertada. Respirou fundo, tomou impulso e num milésimo de segundo mirou a multidão para receber aquele agradável calor, aquela onda de boas vibrações, observou então Jessy encostada em Jacke com as mãos em seu peito, e, como se percebendo, ela aconchegou-se em seu colo, o que foi suficiente para fazê-lo desconcentrar-se e perder o chute.
- Uuuuhhhhhh! - Gritou a galera revoltada. Todos acreditavam nele, que dantes não perdera uma chance assim.


No vestiário a cobrança foi imensa, até levou uns pedalas pra ficar mais esperto, o técnico estava impassível e não cria na chance que ele acabara de perder, todos ficaram muito chateados, queriam saber o motivo, ele disse não saber, mas a verdade é que não queria contar o real motivo, sentia-se como Roberto Carlos amarrando a chuteira enquanto a França metia um golaço no Brasil - uma vergonha nacional sem fim, da qual todos teriam prazer em lembrá-lo pro resto da vida.

O segundo tempo iniciou-se inda mais apertado que o primeiro, todos partiram para o tudo ou nada e a consequência foram várias faltas, alguns cartões amarelos, um vermelho - felizmente não para o House’s Team, até porque se fosse depois teriam o fígado comido pelo coach - muito empurra-empurra. Tonny mantinha-se no jogo observando todas as jogadas possíveis, para não desperdiçar nenhuma boa oportunidade, porém sua curiosidade estava demais e vez enquanto voltava a olhar para a direção dos dois e via-os inda mais juntos, cheios de afagos, rindo prazerosamente. Como a bola ainda rolava no campo o jogo prosseguia, faltavam apenas alguns minutos para o fim da partida sem que um dos times tivesse conseguido fazer gol.

Já que não saía gol, precisavam apenas manter no 0x0, pois pela pontuação acabariam ganhando, bastava se concentrar e dar tudo de si, para aquela que seria uma das vitórias conquistadas com maior quantidade de suor - "sem suor, sem vitória e quanto mais suor, maior a chance do sucesso", as palavras do técnico ecoavam na mente de todos.

Daves avançava pela lateral, esperando que Conn lhe desse o passe, ambos estava famintos por marcar um gol e esfregá-lo na cara daquele time, mostrar do que realmente era feito o House’s Team, ele seguia driblando, ele então chutou, mas quando Daves se aproximou para pegá-la, surge do nada surge Ander que consegue tomá-la, restando-lhe apenas correr atrás dele, para impedir que fizesse algum gol.

Era muito difícil competir contra o Adversary's Team, já que além de jogar bem eles tinham uma incrível velocidade, surgiam flutuando, como se corressem sobre uma pista de gelo e não uma gramado -sem contar a força descomunal que recebiam do impacto ao esbarrarem neles. Os caras eram monstruosos, tinham uma grande quantidade de massa corporal, os garotos do House’s Team que gabavam-se de serem bem definidos pareciam palitos perto deles, já que tinham apenas massa magra. Isso dava apenas mais motivos para que seguissem lutando com toda garra que possuíam, era exatamente disso que Elliot vivia lhes dizendo, investir tudo, "quanto maior a adversidade e a chance de humilhação, maior tem que ser o desejo de superação".

Sentiam o suor fluindo em gotas cada vez mais espessas, de ambos os lados, aquele líquido - formado principalmente de cloreto de sódio e uréia em solução uniforme - deixava cada vez mais os uniformes colados, assim como a persistência dos dois times em ganhar a qualquer custo, o suor fluia de dentro, mas não apenas das camadas internas da pele, mas de algo mais profundo, as glândulas sudoríparas écrinas resfrecavam não apenas a pele que derretia sob o escaldante sol do dia, mas também a alma de cada jogador, tudo seria épico, não fossem as glândulas sudoríparas apócrinas que faziam a coisa não cheirar muito bem.

Como era de se esperar, foram acrescentados 3 minutos, o jogo estava cada vez mais brutal, aqueles míseros 180 segundos podiam ser sentidos como hormônio misturado a adrenalina, distribuído por todo sistema sanguíneo, tensão máxima a cada batida do coração, que marcava 1000 milésimos de segundo. Avramovic correu em direção ao gol, driblou um, dois, três, quando estava prestes a chutar, Tonny aproxima-se, porém ele se adiante e num golpe de sorte Daniel recebeu o passe chutando pro gol. Estava finalizada a jogada, o juiz apitou encerrando o jogo, porém os jogadores da casa começaram a discutir, pois Daniel havia feito gol com um passe que recebera impedido, portanto o ponto não poderia ser computado.

Com o jogo encerrado, todos jogadores, inclusive o técnico foram tirar satisfação com o juiz, cercando-o, o bandeirinha veio socorrê-lo. Com os nervos a flor da pele, todos reclamavam e xingavam muito, tentando controlar-se para não voar em cima do juiz.
- Que juiz é ladrão a gente sabe, mas aí também já é demais! - Gritou Conn revoltado.
- Juiz ladrão. - Começou a torcida a fazer coro.

Logo o pessoal do outro time também começou a reunir-se em volta do juiz reclamando que o gol era válido sim, o Juiz mal conseguia falar, ele havia visto que Avramovic estaria impedido, mas quando olhou pro bandeirinha que disse que ele não estava impedido, simplesmente finalizara o jogo.

No outro time o pessoal reclamava que o roubo era não contabilizar o gol, mas tanto Avramovic quanto Daniel, sabiam que o passe havia sido adiantado, entretanto, não iam perder a chance de ter esse ponto e assim desbancar a invencibilidade do House’s Team.

O bandeirinha trouxe o i-pad com as imagens para tirarem o tira-teima, o juiz perguntou ao seu ouvido se tinha certeza do que falara, caso não tivesse a coisa ia se complicar pro seu lado, apenas confirmando com um movimento de cabeça deu play no vídeo que mostrava os 4 últimos minutos para que pudessem observar melhor, aos 46 minutos Avramovic estava com a bola, depois de ter driblado vários jogadores, surge então Tonny que aproxima-se para tomar-lhe a bola, mas Avramovic adiantou-se e chutou para Daniel que estava livre que matou a bola no peito, chutou pra cima e fez um espetacular gol de bicicleta, ao 47 minutos, quando o arbitro dá o apito para finalizar.

Quando viram aquilo sentiram-se na razão, já que ficara provado que o gol não era válido, Avramovic e Daniel ficaram meio desconfiados diante da prova que mostrava que o gol não valera.
- Esperem que temos ainda o vídeo de outro angulo.

Quando viram a jogada pelo o ângulo frontal dos jogadores, puderam ver a mesma cena que anterior, mas com um pequeno detalhe, que deixou todos do House’s Team boquiabertos, o passe realmente valera, apesar de Avramovic ter-se adiantado. A cara de todos inclusive do coach foi ao chão - ele já tinha levado um cartão amarelo por estar agitado demais - enquanto o time adversário comemorava.

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