Problemas com perfil fake 11 [O mistério de Feiurinho]

- Está bem, está bem! - Disse Elliot tentando se aprumar e voltar ao chão. - Agora vão tomar banho, pois vocês sabem que macho fede demais, ainda mais esse monte de caras depois de mais de noventa minutos correndo, vão, mas não se esqueçam de que mais que a mim, vocês decepcionaram toda torcida que acreditava em vocês, eles não vão entender de forma tão fácil, vai demorar um bom tempo até esquecerem o acontecido.

Vocês terão que suar bem mais para reconquistarem a estima que eles tinham pelo House’s Team. E a partir de agora, joguem como se nunca tivessem conquistado nada, como se de cada jogo dependesse a carreira de vocês, como se nunca fossem bons o bastante, nem reconhecido o que fazem, o que de fato será verdade, as pessoas vão começar a desprezá-los, as mesmas que colocavam vocês no topo, derrubarão vocês de lá. Quero que não almejem o sucesso, mas a trabalharem da melhor forma possível, afinal sucesso é 90% suor e 10% inspiração.

O pessoal que já preparava-se para comemorar parou quando o técnico disse suas últimas palavras, entrando com menos ansiedade depois de refletirem, foram tirando os uniformes e jogando de qualquer jeito, quando iam entrando na ducha Conn estava saindo de toalha.
- E aí irmãozinho estressado? - Disse Brent abrindo os braços, mas ele saiu trombando com todo mundo e nem quis saber de conversa.
- Caraca! O man ficou nervosinho mesmo me'rmão! - Victor percebeu espantado.
- Liga pra ele não. - Disse Davis. - O man só não entendeu ainda o que o Elliot disse, nada que não melhore depois que ele esfriar a cuca.


- Vá e quero que você volte apenas quando estiver 100%, pois assim não teremos condições, ou você está 100% na equipe ou está fora. Vá meu filho, e quando estiver melhor e resolvido seus problemas estaremos esperando você de braços abertos.
Elliot passou a mão por seu cabelo, Conn tentando ver o que acontecia, não contente apenas com ouvir, foi se inclinando para direita de trás dos armários que separava-os, conseguiu ver apenas o técnico abraçando Tonny e dando-lhe um tapa na bunda enquanto saia.

Com um estrondo meio abafado, Conn caia ao chão, pois estava terminando de colocar a calça quando foi bisbilhotar, acabou enganchando-se e caiu, levantou-se ainda mais vermelho, por ter sido descoberto bisbilhotando, terminou de vestir a calça, porém a queda valera a pena, já que havia ouvido aquilo, pena que não conseguira ver a cara do perdedor quando Elliot lhe dissera aquilo, mas só de ter ouvido seu ego sentia-se alimentado.

- Que isso man, está caindo de podre? - Disse Tonny já da porta e saiu dando risada.
- Desculpe treinador... – Disse ao ver o olhar mortal do coach em si e sentindo-se rubrar.
- Não tem problema Conn, eu sabia que você estava aí escutando a conversa, mas da próxima vez vê se disfarça a curiosidade. E termina de por essa calça, por favor. - Disse ele interrompendo.

Após ter-se arrumado, pegou sua mochila e quando ia saindo despediu-se.
- Tudo bem coach, estou indo então.
- Pra onde?
- Ué, pra casa. - Respondeu meio sem jeito àquela pergunta idiota.
- Mas eu ainda não te dispensei.
- Desculpe. - Colocando a mochila de lado. - Pode dizer então, senhor.

- Tenho uma tarefa pra você. Vejo que sua mochila é um pouco grande, espero que tenha espaço suficiente para caber o uniforme de todos.
- Como, senhor? - Perguntou sem compreender se ouvira corretamente.
- Não, você não está surdo. É o que você entendeu mesmo, filho. Tem ou não espaço em sua bolsa?
- Não, mas estou com o Révolte do meu pai.
- Ótimo, então recolha o uniforme de todos e me traga lavados amanhã exatamente as 6:30h. - Disse consultando seu G-Shock.

- Mas todos?
- Sim, inclusive dos reservas.
- Mas não tem alguém que faça isso? - Conn já sentia o tique no olho direito, que começava a piscar desenfreadamente toda vez que ficava nervoso, bem como pedir pra repetirem o que havia sido dito. Quando estava muito nervoso não conseguia assimilar direito o que ouvia.
- Olha, ter, até tem, mas a moça que faz isso está de folga. Então sobrou pra você!
- Mas e o gandula...?
- Sem mais, você é a pessoa ideal. Agora anda com isso porque você tem muito pra lavar, são exatamente 22:45, até você chegar em casa já será mais ou menos 23:20 e você precisa estar aqui com tudo lavado e passado, exatamente as 6:30h, ouviu bem?

Antes mesmo que o técnico terminasse de falar já estava pegando todos aqueles uniformes fedidos, "caramba, por que esses guys não podem usar um antitranspirante, óleo e um bom sabonete como eu?", pensava enquanto recolhia - a muito tempo que não lembrava o quanto homem fede, pois sempre se cuidava - o uniforme de todos ficavam podre após cada jogo, enquanto o seu era o único que se encharcava, porém sem que aquele odor característico de maratonista, que correra o dia todo embaixo de um sol escaldante, ficasse aderido.

Enquanto dirigia para casa, sua raiva pelo técnico aumentava inda mais, ele não tinha o direito de tratar todos tão duramente como sempre fazia, já não era de hoje que ele vinha perdendo a paciência com Elliot, por sua maneira tão grossa. Não culpava os demais garotos, pois deveriam sentir medo e, não respeito, por isso nada diziam, o pior era ainda defender aquele moleque do Tonny. Por que todos tinham que ouvir por causa dele? Ele que já não tinha muita afinidade com ele, passou a detestá-lo ainda mais.

- Antônia! Antônia! Poxa, cadê você, mulher? - Mal entrou em casa já berrava atrás da empregada. – Aparece mulher que tenho um servicinho pra você. - Seu sorriso era diabólico.
Quando entrou na cozinha, observou que havia um recado afixado na geladeira, nele pode ler que os pais haviam ido à ópera para cumprir seus compromissos sociais e como acreditavam que ele estaria comemorando a noite inteira depois de ganhar o jogo, dispensaram Antônia, o recado havia sido colocado por ela um pouco antes de sair.
- Quer dizer quê...! Eu não acredito, até parece que aquele maldito sabia disso. Ele realmente tem um sexto sentido pra ferrar com a gente!

Os pais de Conn nunca estavam presentes em seus jogos, pois viviam ocupados com trabalho ou compromissos sociais e também por não acreditarem que o filho desperdiçasse seu precioso tempo com algo tão fútil e sem futuro como futebol, que tinham como esporte pra pobre. Aquilo deixava-o muito chateado, por mais que tentasse, seus pais nunca lhe davam atenção devida e sempre criticavam suas escolhas, “Se você quiser, papai te matricula numa ótima escola de um amigo meu aonde tem rugby”, lembrava de seu pai ter-lhe dito, mas ele não quisera, exatamente por não ser sua escolha e ter de ficar longe dos colegas.

Eles já tinham tentado que estagiasse numa das melhores empresas do país para ir desenvolvendo o feeling pelos negócios, porém, não dera muito certo, pois além de chegar atrasado, aparecera algumas cheirando a álcool. Toda vez que seus pais faziam algo ele estragava seus planos com o maior prazer, pois já que não se importavam com ele, resolvera não importar-se com as escolhas que fizessem para si.

Lembrou da vez em que tivera um bom desempenho no jogo fazendo dois gols decisivos, naquele dia, ao voltar pra casa, notou que a casa estava bem mais movimentada que o normal, mas pra sua alegria seus pais encontravam-se em casa, foi correndo contar a novidade pra mãe que pediu que o fizesse para o pai, já que precisava terminar de arrumar o cabelo e depois se maquiar, pois já estava em cima da hora.
- Posso continuar senhora? - Perguntou seu cabeleireiro.
- Ah! Sim, já terminei com meu filho. - Virando pra Conn - Depois mamãe conversa.
- Mas, mãe...
Porém fora interrompido por Claude que fechou a porta em sua map, desceu nervoso e foi falar para o pai, que pra variar estava ocupado no telefone, porém acabou ficando irritado quando viu que o filho não desgrudava de seu pé.
- Monick, daqui a pouco eu lhe retorno, preciso ver o que meu filho quer. Ah, e de mais uma olhada na lista de convidados, ficaram faltando ainda confirmar mais dois convidados e um deles é o governador.

Conn sentiu-se feliz, finalmente conseguira roubar um pouco da atenção tão custosa de seu pai.
- Diga meu filho, o que foi.
- Pai, hoje fiz uma das melhores jogadas de minha vida, pena você e a mamãe não estarem lá. Eu consegui fazer dois gols!
- Sim meu filho, mas esse jogo era algum campeonato importante que eu não estava sabendo? Acho que a Monick acabou esquecendo de me avisar.
“Como se ele fosse aparecer”
- Ah, mas também você sabe que hoje estive ocupado com o coquetel que estamos fazendo.
- Sei pai, mas foi no treinamento aberto mesmo. - Ele confirmou apenas pra não ter que ouvir sermão por ter esquecido do biggie evento, pra ele tudo não passava de algo muito tacky.
- Pôxa, só num treinamento? E por que você está se gabando tanto? Se fosse algum campeonato importante pelo menos, me poupe Conn. Agora me deixe em paz que tenho coisas importantes pra resolver, não me venha amolar com essas besteiras.

Obs: Caso haja dúvidas quanto algumas palavras use o dicionário de gírias em inglês.

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