Problemas com perfil fake 12 [O mistério de Feiurinho]

Conn ficou extremamente chateado pelo descaso do pai, mal conseguia ouvir o que ele continuava a dizer, até que Dough lhe chamou a atenção.
- Escute filho, a gente vai fazer um importante evento aqui e se você puder ficar fora e não atrapalhar, depois lhe dou meu Révolte que você tanto gosta.

No mesmo instante, como num comercial - viu o carro lhe sendo apresentado, mesmo conhecendo-o muito bem - a tentação o fez devanear com o Révolte, afinal a releitura do C2 lançada em 2009, no Salão de Frankfurt, com modelo futurista teve o designe redesenhado, mas permanecendo com os traços marcantes do Deux Chevaux, com uma cabine totalmente em alumínio revestida com veludo e couro com um toque vintage dos painéis junto com a tecnologia de tela touchscreen, um volante bem futurista, com um interior espaçoso, apesar de possuir apenas três lugares e motor hibrido com propulsor elétrico que não emite gases poluentes - quando se usa apenas suas baterias - sem contar na pintura metálica lilás, o que já é fora do comum, os detalhes da capota e parte superior do porta-malas terem a cor branca e a porta do passageiro que abre ao lado inverso - para propiciar uma visão maior de seu interior.

Conn sentia-se engodado pelo desejo de ter para si aquela potente máquina, já nem lembrava direito do motivo que o tinha feito chatear-se com o pai, a beleza de Dough - esse dom que junto com seu poder de persuasão lhe concedera inúmeras vitórias no tribunal, algo que comum aos homens atraentes que tem favoritismos, penas menores, mais chance de escapar da prisão e pagam indenizações menores quando condenados a pagá-las - aliada a imensa tentação de ter o Révolte que tanto idolatrava pra si, de uma vez por todas, o fez ceder, já estava prestes a concordar, sentiu um choque atravessando o corpo e os lábios prestes a movimentarem-se num "sim", quando viu algo nefasto no rosto de Dough.

Seu pai, percebendo o brilho de seus olhos, soltou uma risada de felicidade vendo que havia ganhado mais uma causa, o mesmo sorriso maquiavélico que Conn já vira muitas vezes estampado em seu rosto quando voltava de mais um julgamento, onde ele sabia ser bem persuasivo. Douglas sabia que não precisava mais dizer nada, portanto colocou a mão no ombro do filho e disse “Esse é meu filhão!” e continuou a sorrir, o que foi demais pra Conn que imediatamente despertou do torpor da sedução do Révolte e saiu estupefato com a atitude de seu pai em tentar comprá-lo. Ele já estava saindo quando ouviu Dough gritar “Filhão!, ao virar levantou as mãos na hora exata para evitar que a chave lhe acertasse o rosto.
- Não esquece as chaves do seu novo carro! Não falei que você tem futuro no rubgy? Você tem uma ótima pegada, pensa bem nisso garoto.

Apesar da máquina potente que tinha agora pra si, a atitude do pai o deixou completamente magoado, já que ele queria apenas carinho e atenção, coisas caras por mais desejáveis que fossem, já estava farto. Ligou então pra Brent e foram ao bar comemorar seu bom desempenho, afinal, ele havia se dedicado demais nos últimos meses para mostrar a seu pai o quanto podia ser bom, ainda que ele, mais do que a mãe, duvidasse de sua capacidade. Doía-lhe quando dizia ao pai que inda seria um importante jogador e quando lhe pedia que confirmasse ele respondia com má vontade, apenas para que parasse de incomodar.

- Hey, carinha vamos comemorar! - Brent lhe ofereceu um copo de sua bebida que chamava de Nyx Libre em alusão a Cuba Libre - bebida feita à base de rum claro (originalmente, era produzido em Cuba, no século XVI, com teor alcoólico de 40°GL) e refrigerante de cola (bebida tipicamente estado-unidense), levando também o suco de meio limão, criada pelos soldados norte-americanos que ajudaram nas guerras da independência cubana (1898), celebrando a força de ambas - porém a sua era uma mistura de Balkan com Coca-Cola, já que não o podia tomar puro devido a alta concentração de alccól, 88%, por ser triplamente destilada - sem contar os 13 alertas em seu rótulo de risco a saúde.

Brent viu Conn recusar sua bebida tão preciosa, fato que causou-lhe estranheza, mas não fez nada além de olhá-lo com uma feição dura e voltar a sua bebida, tamanha era a embriaguez. Conn não estava com vontade de beber, já se encontrava embeber pela amargura, olhou sua Smirnoff na mão e súbito teve uma ideia.

- Vamos embora mano, aqui já deu o que tinha que dar. - Disse abraçando o amigo enquanto entregava o cartão de crédito pra pagar a conta.
- Mas já, mano? Agora que estava começando a ficar bom? Olha só aquelas gatinhas olhando pra gente. - Apesar das palavras meio enroladas de Brent, ele resolveu olhar e ao mirar na direção apontada viu três belas garotas sorrindo pro lado deles.
- Vamos indo porque você já está muito bêbado e a gente tem outra festa pra ir.
- Ôpa! Outra baladinha? Vamos embora, então! - Virando pras garotas. - Poxa amores tenho que ir. - Mandou-lhe beijos.
Conn acabou acenando para elas quando ouviu seus suspiros de tristeza por partirem.

Quando chegou em casa começou a fazer a maior cena, o que era normal vindo de um bêbado, se bem que esse não era seu caso, já que bebera pouco, estava apenas com odor alcoólico, mas aproveitou para estragar toda aquele teatro de pessoas que só tinham fachada de amigáveis, cheias de “status”.

Ainda na entrada os empregados tentaram demovê-lo da ideia e fazer com que se acalmasse, mais aos gritos conseguiu passar por eles, abrindo passagem a força - os convidados apenas ouviam os berros “Eu quero ver meus pais!”.

- O que significa isso Conn? - Disse seu pai ao vê-lo invadir a sala de estar onde encontravam-se todos seus importantes convidados.
- Nada de mais, paizinho! É que como não pude curtir aqui com você, a mamãe e toda essa galera tão legal eu... Ih, olha só é o governador ali, não é? Oi governador como vai meu chapa? - Ele lhe acenou com vivacidade e foi timidamente respondido por ele. - E aí já enganou muita gente pra se reeleger esse ano? Agora dá para terminar de privatizar de vez o que não deu nos seus seis anos de mandato, heim?
- Conn já chega! - Disse nervosamente Dough.

- Quê isso velho, só estou feliz em reencontrar os amigos e... Como eu dizia já que você não me deixou curtir aqui com tanta gente legal, fui fazer minha própria festinha. - Disse sentando-se entre o governador e sua esposa, abrindo os braços e pousando-os no encosto do mesmo.
- E quem é “esse” aí com você? - Dough apontava para Brent.
- Ah! Você ainda não conhece ele pai? Poxa, ele já veio uma porção de vezes aqui! - Levantou-se e foi para perto de Brent. - Esquece, você e a mamãe estavam sempre ocupados mesmo. Esse aqui - Disse abraçando Brent. - É meu namorado!


Quando olhou pra sua mãe a viu ficar branca, mesmo a base e o blush que usava não conseguiram disfarçar o alvor que estampou sua face, seu pai retesou-se sem poder nada dizer, todos ficaram pasmados.
- Não é amorzinho?
- É isso aí gatinho! - Brent respondeu com um sorriso malicioso.

Os dois ficaram um frente ao outro, trocaram olhares, seus lábios estavam prestes a se encontrarem, cada vez mais próximo, mais próximo, até que não sentiu mais respiração alguma.

Obs: Caso haja dúvidas quanto algumas palavras use o dicionário de gírias em inglês.

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