Fotos perfeitas sem edição de imagem - Final

Jean havia combinado de levá-la para casa - o que era totalmente cavalheiresco - apesar da insistência de Kyllie em dizer que não necessitava, já que o cine era perto de casa e logo chegaria, já que podia pegar qualquer ônibus. Eles mal haviam saído do cine, quando Kyllie viu um busão e deu sinal, mas como Jean estava coxeando entre pensamentos não percebera nada então ela lhe puxara.

Jean sentiu-se meio enciumado com o carinho que Clóvis tratou Kyllie - como se essa não fosse um reação natural das pessoas consigo, devido sua constante simpatia - e só se sentiu melhor depois de passarem pra trás. O trajeto curto feito pelo coletivo acabou por se tornar inda menor conforme era tomado pela conversa de Kyllie e também por seu sorriso.

Logo desceram no ponto frente a casa dela e Jean viu que sua boa noite chegara ao fim e mais uma vez resultado em nada, ele havia acompanhado-a até o portão, deu-lhe um beijo na face, despediu-se e já ia virando as costas para ir embora.





- Espere! - Disse Kyllie segurando seu braço, ele apenas ficou imóvel. - Quero te dar uma coisa antes de você ir, um presente por ter sido tão fofo comigo.
- Não precisa de nada Kyllie... - Ela silênciou-lhe pondo o dedo em seus lábios.
- Precisa sim, não seja mal agradecido! Feche os olhos.

Tudo estava escuro, o negrume lhe tomara, aos poucos o contorno do que estava a volta de si foi sumindo até tudo ficar sem forma e vazio, restando apenas trevas. Sentiu-se num abismo coberto pela escuridão, então fez-se a luz, ela surgiu e começou a envolver todo seu corpo, mesmo de olhos fechados pode ver o sol brilhando em sua direção quando aqueles desejados lábios tocaram os seus.

Sentiu sua ardente tena[z]cidade queimarem-no os lábios, sentiu a boca de Kyllie abrindo-se desejosamente permitindo a entrada de sua língua áspera e sedenta, seus corpos se aproximaram e ele sentiu que diferentemente de antes o corpo dela estava aquecido e o seu que já estava quente parecia ferver conforme se tornavam mais próximos.

Ele sentiu um tremor tomar conta de corpo, seu coração disparar-se, sua pele enrubesceu por ter aumentado a pressão sanguínea, a respiração acelerou-se, devido a certo grau de nervosismo e o nariz esquentou. Apesar da confusão dentro de si podia sentir uma sensação imensa de bem-estar causada pela adrenalina, dopamina e a serotonina. O beijo que no começo era doce tornou-se ácido - a adrenalina disparara de vez.

"Poucos prazeres físicos podem ser comparados ao proporcionado por um bom beijo", naquele suas almas se encontram, elas se incorporavam no momento em que ambos expeliam o ar quente da respiração na boca do outro. Ambos provavam o gosto delicioso do outro.

O tempo perdeu totalmente desnecessário, afinal não teria como medir a duração que transcorreu aquele profundo beijo. Jean já não se encontrava na Terra e em seu eixo de rotação, mas orbitava em torno de Kyllie.

Enquanto Chronos se desfazia como areia soprada ao vento, Koirós se estabelecia, o tempo que durou o beijo não foi medido por batidas do relógio, mas as batidas de seus corações que ritmavam compassadamente em sintonia.

Num lapse o beijo é interrompido, um chuveiro é aberto sobre eles e a chuva começa a cair sem nem se apresentar primeiro, o trovão dá retardatario aviso de chuva segundos depois.

Os dois saíram correndo para a frente da casa de Kyllie, ainda sem fôlego, rindo um do outro, apesar dos poucos metros a chuva feroz os molhara por completo, Jean viu que mesmo despenteada e encharcada ela era linda, passou a mão tirando o cabelo de seus olhos e os viu brilhar através da escura noite que se apresentava, ela sorriu-lhe como ele jamais vira.

Escorregou a mão de seu rosto e passou os dedos delicadamente pelo contorno de seus lábios parando com o polegar sob o lábio inferior e ficou a imaginar que finalmente conseguira aqueles lábios tão desejados.
- O que foi seu bobo! - Kyllie disse sorrindo achando graça na atitude dele.
- Nada, estou apenas contemplando essa magnífica obra de arte eu queria tocar pra ver se é real.
- Há, há, há... Para! - Disse empurrando seu peito. - Como você é bobo! - Aproximou-se mais ainda dele, seus corpos grudaram-se por estar encharcados. - Você conseguiu me conquistar. - Aproximou-se de seu ouvido. - Agora sou toda sua.

Eles beijaram-se mais uma vez, dessa vez o som do trovão foi ainda maior e Jean interrompeu o beijo - ainda que Kyllie não quisesse parar.
- Amor, tenho que ir!
- Mas já? - Disse ela com olhos pidões que fizeram seu coração derreter-se como neve num país tropical, chovendo dentro de si.
- Tenho que voltar urgente pra casa, pois meus pais viajaram e minha gata está sozinha e ela se assusta muito com os trovões.

Deu-lhe um selinho e despediu-se, apesar da insistência de Kyllie para que ficasse até a chuva parar, ele disse sentir-se obrigado a ir logo já que há essa altura sua gatinha deveria estar totalmente estressada por causa dos trovões e saiu correndo chuva adentro. Ao olhar atrás Kyllie soprou-lhe um beijo ela estava encostada na pilastra frente a porta da entrada.




Ósculos e amplexes,

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

3 Segredos da oração

Desconhecido ante a mim

A maldade em mim