Problemas com perfil fake 13 [O mistério de Feiurinho]

- Conn, Já chega com esse palhaçada! - Douglas estava fora de si, totalmente possesso. Até tentara manter a pose, mas Conn conseguira fazê-lo perder a classe diante de todos convidados, o que foi ainda mais constrangedor que a atitude rebelde de seu filho.

Os dois foram brutalmente separados daquela estranha atração, quando os corpos já estavam próximos demais, pelos braços de Dough que empurrara um pra cada lado.
- Mas pai, o senhor não vai nem me dar os parabéns? - Disse Conn levantando-se da poltrona que caíra, tamanha a força com que fora empurrado. Olhou para Brent e o viu caído no chão, sentiu o rosto ferver de ódio, uma raiva brutal por causa da ignorância de Dough. Levantou-se depressa e ajudou Brent a se reerguer.
- Vá pro seu quarto agora mesmo, o teatrinho acabou!
- Só se for a sua representação que, aliás, é péssima! Pai de uma família perfeita, o que dizem não passa de bobagem e hipocrisia!
- Já chega! Não vou falar de novo!


- Depois eu te ligo então, oh Romeu! - Disse Conn enquanto subia as escadas. Ele sabia que seu pai já estava com os nervos aflorados, o que fizera havia sido a gota d’água – ele conseguira o que queria, ganhara ao menos um partida, ainda que seu pai fosse um excelente enxadrista, “agora pai, sente!”, pensou enquanto subia as escadas e observava a cara de decepção de Dough - ele sabia que um dia ainda lhe diria essa frase, mas só o fato de a ter pensado já fez um sorriso brotar em seu rosto.
- Tá bem freak daddy! – Ainda pode ouvir Brent dizer molemente.

Brent saiu tropeçando pela casa e esbarrando em algumas pessoas, pedia desculpas e continuava a tropeçar, Dough pediu para o chofer levar Brent para sua casa, seu estado de intoxicação aguda era latente. A mistura de carboidratos, açúcares e etanol já havia atingido suas células nervosas dentro do cérebro, interferindo na comunicação delas e as demais células, impedindo as atividades das vias excitantes e aumentando as atividades das vias inibidoras, pelo tempo que já se encontrava nesse estado o álcool afetara vários centros no cérebro, tanto de baixa como de alta ordem e o resultado é que além de não ter mais tanto controle sobre seu corpo e ações, sua memória estava prejudicada.


Depois de ter dado o primeiro gole, o álcool, em parte havia sido absorvido pela parede estomacal entrando na corrente sanguínea, o que era razão do barato repentino pelo qual sentiu-se tomado quando Conn o convidou para irem embora. Os açúcares e carboidratos foram digeridos pelos sistema digestivo, mas o resto do etanol fora para o fígado fazendo-o entrar em curto por não ter nenhum valor nutricional e conter duas vezes a mais calorias por grama que o açúcar, por isso o organismo tentava eliminá-lo de uma vez, usando toda energia do corpo para livrar-se dele, e esta fora a razão dele não ter comido nada para que a gordura excessiva não ficasse estocada no corpo.

De manhã, Conn, assim que acordou ligou para Brent.
- Oi freak daddy! Como você está hoje amor?
- Estou com uma puta dor de cabeça... Mas que história é essa de amor? Poxa vida mano, começou a me estranhar?
- Caramba você estava tão chapado assim ontem que não lembra mais de nada?
- É sério! Não me lembro de nada não bro!

Conn ficou desconfiado, pois não acreditava muito nessa história de perder o controle quando se está bêbado e ainda esquecer-se dos atos, mas a medida que lhe explicou tudo, Brent foi demonstrando uma admiração latente o que fez Conn perceber que o mesmo não lembrava de nada. Apesar de ter ficado mais solto - perdera o senso crítico, ficando mais desinibido, inclusive sexualmente - focando no prazer instantâneo e esquecendo-se das consequências, o etanol atacara seu Sistema Nervoso Central, cortando a comunicação com o cérebro, por isso a memória fora apagada. O alto teor de etanol em sua bebida contribuíra para o blackout, ainda mais por ser assíduo a bebida e estar de jejum. Conn não lembrava-se de nada, apesar de não ter perdido a consciência, suas lembranças da noite jamais poderiam ser recuperadas.

- Ai!
- O que foi bro?
- É que me mexi, estou com meu corpo todo dolorido.
As dores eram devidas a grande quantidade de acido lático produzido pelo organismos pra limpar o fígado.
- Se você ainda não estiver bem é melhor nem sair no sol, lembra da última vez?
- Ô, se lembro! Dessa vez não quero pegar insolação, mas já estou ficando melhor, ainda bem que só tem aula amanhã! E naquele dia estava muito quente.
- Isso é...

Da outra vez que tomara seu Nyx Libre, bebera apenas alguns goles, e fora com Conn ao Ibirapuera atrás de umas freak mommys, mas o que conseguiu foi pegar uma insolação, pois para que o organismo conseguisse liberar todo álcool do sangue, havia puxado mais água do corpo para fazer a dissolução, deixando-o desidratado e com a perca de sais minerais, como o potássio, ainda teve cãimbra, tontura e desgaste físico. Por causa do alto poder calórico do etanol além do calor de fora, foi cozido por dentro também. O resultado foi internação, mas o pior além de não ter pego nenhuma freak mommy foi ter que ouvir sermão de seus pais. Brent teve de faltar na escola sendo liberado apenas no outro dia, depois que lhe deram alta.

- Mas voltando ao assunto, quer dizer então que até rolou uma troca de olhares?
- E mais romântica não poderia ter sido, você com os olhos tortos, se não fosse por isso o velho não teria percebido.
- Mas e se ele não percebesse?
A porta foi bruscamente aberta e Douglas entrou em estado de nervos no quarto de Conn.
- Desliga esse celular que quero falar com você agora mesmo!
Com o susto ele apenas deixou-o cair sobre a cama.

- O que foi pai, estou com enxaqueca, não pode ser depois?
- Mas que papelão foi aquele ontem? Que história é essa de que você tem namorado? – Dough ignorou-o totalmente, Conn teve certeza de que o pai percebera a farça.
- Ué? E se for verdade? E se ele realmente for...?

- Deixa de conversa. Você pensa que não percebi que fez aquilo só para me irritar e chamar atenção? Sua mãe ficou muito decepcionada, você nos envergonhou na frente de toda alta sociedade e ainda a deixou numa pilha de nervos. Sua mãe só continuou no coquetel porque sabia que a presença dela tinha imensa importância, mas por dentro estava muito mal com o que você fez. Você é um moleque, seu irresponsável! Dá mais trabalho que três filhos, ainda bem que só temos você. Todo dia eu e sua mãe trabalhamos duramente pra poder te dar o melhor e é sempre assim que você nos agradece. Pode ir pedir desculpas pra sua mãe agora mesmo.
- Eu não quero! - Disse ele virando pro outro lado da cama.

- E não vire as costas porque não terminei de falar com você, eu quero que olhe bem nos meus olhos quando estiver falando contigo, seu moleque. Dough lhe puxou com força pelo braço.
- Ah, pai! Já estou cheio desse sermão. - Conn vê seu pai levantando a mão para bater-lhe. – O que foi? Agora resolveu me bater? Depois de tantos anos? Você nunca encostou a mão em mim! - Conn sentiu sua voz se alterar, bem mais do que queria.

- Tem razão, isso não vai funcionar agora! - Dough sentiu a raiva sob controle. - Deveria ter te ensinado como agir quando você era pequeno, ago você já está desviado demais, mas pra sua sorte, olhe bem nos meus olhos, o governador entendeu o que você fez, afinal ele também tem filhos, se não a coisa iria ficar terrível pra você rapazinho. Mas não pense que você vai escapar tão fácil assim, pois já passou dos limites, vou ligar para aquele psicólogo, com certeza ele vai dar um jeito em você.

- Eu não quero saber de nada disso! - Conn gritou em desabafo, mas percebeu a porta que batia fazendo coro com seu berro e disse mais baixo. - Eu só quero a atenção de vocês.
Seu pai já estava longe quando terminou de falar. Suas atitudes rebeldes pediam limites que nunca eram impostos pelos pais, ele apenas tentava chamar atenção pra si e mostrar que queria ser tratado com respeito e não apenas como uma criança sem noção de qualquer responsabilidade, como normalmente era considerado.

- Você ainda está aí?
- Sim e ouvi toda conversa, eu sei que é meio embaçado, mas acredito que você deveria ter mais paciência com seus pais, pelo visto você jogou pesado com eles ontem, heim?
- Ah! Vá se ferrar você também, mas que droga! Já não basta o porre do meu pai, agora até você Brent pegando no meu pé?
- Conn, calma... - Suas palavras foram interrompidas pelo toque de chamada encerrada.

“Espera aí, se minha mãe ficou assim é porque ela se preocupa comigo, vou falar com ela.”
Depois de respirar fundo, Conn, foi procurar Day que ainda estava no quarto, por ser domingo de manhã, se bem que rara eram as vezes ficava assim, por sempre ter algum compromisso social, mas quando seu HTC Desire HD sinalizava nenhuma entrada na agenda ela aproveitava para acordar mais tarde - por volta das 8h.

- Posso entrar mãe?
- Claro. - Notou o tom meio duro na sua voz.
- Mãe sobre ontem...
- Você não sabe a humilhação que me fez passar, as pessoas saíram comentando, justo quando eu estava conseguindo um cargo pra você com o governador de São Paulo em seu gabinete, você me faz uma coisa dessas?
- Mas o pai falou que ele reconsiderou e resolveu aceitar o nepotismo. Você parece não estar muito bem...
- E como eu ficaria Conn Maurer? Você fez minha cara cair ao chão! Como você pode me decepcionar tanto assim filho?

- Mas mãe...
- Sem “mas”, eu não quero saber de desculpas. Por que você faz tudo isso conosco? A gente quer apenas seu bem, tudo que fazemos é pra seu bem. Sabe, tem horas que até me arrependo de ter engravidado de você.
- Eu não pedi pra nascer e quer saber “mãe” eu gostei muito de ter feito aquilo. – Disse encarando-a. – E iria mais fundo se não tivesse ninguém pra me atrapalhar.
- Sai do meu quarto agora! - Quando Conn percebeu, Day já estava em pé lhe batendo. - Seu moleque malcriado.
- Não mãe, não me bate!
- E para de gritar, que você merece apanhar pra tomar jeito de homem, seu moleque mal-criado!
- Naaãooo, mãe!

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