Problemas com perfil fake 14 [O mistério de Feiurinho]

- Para de fazer tanto escândalo que eu nem comecei!
Porém por mais que Dayanne batesse a força não era suficiente, Conn gritava apenas pra chamar atenção, até que os empregados ouvindo o escândalo entraram e a seguraram, mas ela estava com muita raiva.

- Me soltem agora mesmo!
- Mas a senhora não está muito bem! – Damien tentou acalmá-la.
- Quem vocês pensam que são para tentar me impedir? Me larguem agora mesmo! – A cada palavra sua voz alterava-se inda mais, percebeu-se transtornada, suas mãos tremiam, sentia as quentes correntezas de suor rolarem.

Por fim, acabou conseguindo soltar-se e foi com ímpeto surrar Conn e, quem sabe, dar um jeito nele de uma vez por todas, ainda que ele fosse quase o dobro de seu tamanho. Enquanto lhe batia ele apenas se agachara levantando os braços pra se proteger e continuava a gritar, mas Dayanne sabia que não doía o suficiente, pois apesar dos gritos ela conhecia aquele rosto fingido.

- Você é um egoísta! Eu e seu pai nos matamos de trabalhar e você só nos dá dor de cabeça.
- Eu nunca pedi pra vocês fazerem nada por mim, você se matam porque querem! – Conn gritou entre os braços, foi quando virou-se bem a tempo de receber um certeiro tapa na cara.
- Nunca mais diga isso! – Dayanne sentia que algo dentro de si havia partido tamanha a dor de ter estapeado a face de seu filhinho, ela aproximou a mão ardendo à boca, assustada com a dinâmica da ação, mas o sofrimento era amenizada por um sentimento de rancor que parecia saciado com a ação, “ele mereceu”.

Ele olhou surpreso para Dayanne enquanto passando a mão sobre o vermelho que começou a se formar e sentiu a ardência.
- O que você fez comigo, mãe? Você está louca?
- Estou sim, é assim que você sempre me deixa e...
Enquanto falava sentia o pensamento ficar mais lento, parecia-lhe não dizer mais nada com nada, sentiu a pressão lá embaixo, o mal estar aumentou, o coração disparou-se tresloucadamente aumentando sua angustia até que sem poder respirar direito acabou desmaiando.


Desesperado, Conn conseguiu segurar a mãe a tempo para que não se machucasse caindo no chão, mas logo os empregados a retiraram de seus braços e o jogaram de escanteio, pois ele poderia atrapalhá-la, Dayanne precisava de espaço para respirar e poder melhorar e ele só complicaria as coisas já que estava assustado, ainda mais por ter sido ele o culpado pelo desmaio.

Depois de tomar água com açúcar Dayanne se acalmou, mas por insistência dos empregados o médico da família foi chamado e ele constatou hipoglicemia. O médico assustou-se, já que Dayanne não tinha problemas com álcool, nem entrava em dietas rigorosas, malhar pesado sem alimentar-se direito também não, mas ela acabou confessando que ficara muito tempo sem comer ultimamente, já que não tinha tempo para outra coisa além do trabalho e que não comera nada desde a festa de ontem. Quando ele perguntou-lhe o que ingerira antes da festa ela disse ter comido apenas pão branco e alguns docinhos e não conseguira comer mais nada depois do estresse que passara.

- Em suma, a causa foi essa, pois esses alimentos são ricos em carboidratos simples que são rapidamente digeridos, fazendo a glicose ir rapidamente para as células e diminuindo seu nível no sangue, aliado ao estresse que você sofreu ontem foi fatal. – Disse o doutor Foster enquanto lançava um olhar de reprovação pra Conn que assistia tudo da porta, no instante em que sentiu aqueles duros olhos em si resolveu sair.

O nível de glicose em seu sangue estava abaixo de 60 mg/dl, portanto seu corpo ficara sem energia para funcionar, inclusive para o cérebro. Na alimentação o pâncreas libera insulina que ajuda a glicose a penetrar nas células e gerar energia, mesmo quando o corpo está de repouso, para o organismo continuar funcionando é ativada a liberação de glicose estocada no fígado e músculos e também proteínas e substâncias produzidas na quebra de gorduras.

- Tentem fazê-la repousar por hoje, deem uma alimentação rica em carboidratos para o organismo dela se reestabelecer e mantenham seu filho afastado para que ela se recupere com sossego.
- Tudo bem doutor. – Respondeu Damien sempre pronto a servir.
- Eu não entendo como alguém que tem tudo como esse moleque consegue ser tão egoísta, esses moleques mimados nunca pensam em alguém além de si.
- Infelizmente eles não sabem aproveitar o que tem, já que sempre tiveram tudo, doutor.
Do outro lado da parede Conn ouvia os resmungos dos dois que estavam próximos à porta, se falaram mais alguma coisa ele não saberia afirmar, pois o que ouvira fora o suficiente para fazer sentir-se enojado com tanta intromissão.

Dough que havia ido ao golfe voltou correndo pra casa, Dayanne disse-lhe que não precisava ter interrompido sua partida por algo tão banal e que já sentia-se bem, os dois acabaram por passar o resto do dia juntos, algo que dificilmente faziam ultimamente. Conn saiu assim que viu a mãe melhorar, não queria ter de ouvir um monte do pai, já que sabia ter sido tudo culpa sua, acabou por ficar alguns dias na casa de Brent, o que deixou seus pais aliviados pelo tempo que esteve fora, sem ter dor de cabeça consigo.

Tanto Dayanne, quanto Dough não compreendiam como o filho podia ser tão ingrato, já que o que mais faziam era trabalhar para que não faltasse nada para si. Na verdade o que acontecia era que estavam tão saturados pela ganância que já não tinham tempo para si próprios, a família, para Conn. No começo a desculpa era que não queriam que o filho único passasse pelas mesmas privações que eles, mas depois veio a cobiça de ter cada vez mais e do melhor, Dough mais ainda, pois várias vezes abrira mãos de seus valores para conseguir vencer algumas causas e as ganhara com louvor.

A “ganância não é definida pelo que se quer, mas pelo que é feito na obtenção do desejado” e ele encontrava-se dessa forma, pois seus desejos naturais de obter uma vida com maior conforto se transformara na necessidade de obter cada vez mais, sem considerar o que realmente era melhor pra si e sua família, não percebera que apesar de tantos bens materiais sua família ruía, já que fazia tempo para sua esposa, pois quando sobrava um pouco de tempo ele recebia alguma ligação e saía correndo pra ir estudar mais algum caso, quando não era ela que também tinha algo pra resolver sobre imóveis, no fim os dois estavam muito cansados e nunca sobrava tempo para terem sua intimidade e muito menos para Conn - o que não passava de tolice, pois do que adiantava ter conquistado o mundo inteiro, já que o que não podia ser comprado, sua família, perdia-se.

Conn voltou para seu quarto, frustrado por não ter conseguido falar com Brent, acabou quebrando seu N8 na parede.
- Droga, esse imprestável não serve pra nada, pra quê ele tem aquela droga de mob se não está com ele quando preciso que atenda. – O que fazia seus nervos aflorarem era tentar falar com alguém e o mesmo não atender o mob. Resolveu então pegar o carro e dirigir até algum lugar que não sabia bem onde era, sabia apenas que precisava dirigir, pois conforme escutava o ronco do motor alinhava seu raciocínio, e estar dentro do Révolte fazia-o sentir sua autoestima aumentar.

Ele preferia ter apanhando do pai, pois ao menos seria uma forma de saber que ele queria corrigi-lo porque o amava – já que o pai que ama corrige -, mas Dough não demonstrara nada disso quando desistira de surrar-lhe, mesmo com ele provocando-o. Conn não era masoquista, mas queria saber se realmente seu pai se importaria a ponto de tentar corrigi-lo, já sua mãe não tinha força suficiente para dar a surra que merecia, pra fazê-lo mudar, apesar daquele tapa ter doído em sua alma...

“Quem aqueles dois pensam que são?”, o pensamento lhe fazia ferver de raiva, “eles nem me conhecem direito, não sabem o que acontece de verdade com minha ‘família’” recordava com imenso rancor o que ouvira da conversa entre Damien e o dr. Foster. Chegando em algum lugar ligou para casa de um orelhão avisando que passaria uma semana na casa de Brent.

O relógio marcava duas e meia, segundo os olhos de Brent meio embaçados lhe permitiram ver, eles já se fechavam novamente quando sentiu o mob vibrar sob o travesseiro, agora entendera o porquê de estar sonhando com vespas gigantes atacando-lhe, pegou-o com má vontade, viu o número desconhecido e apenas o atendeu devida a insistência da pessoa, o visor lhe mostrava várias ligações perdidas, quando apertou o send ouviu que a ligação era a cobrar, ficou puto da vida, mas esperou até que ela se completasse e descobrisse quem era o ser inconveniente.

- Até que fim você acordou, pal!
- Conn é você?
- Sim mano, faz tempo que estava te ligando, mas nada de você atender.
- O que você queria cara, já está super tarde, sabia?
- Eu sei, mas queria apenas falar algo com você...
- Ah, me poupe mano, estou cansadão! Esperei você me ligar o dia todo, mas nada, eu até te liguei várias vezes, mas só dava fora de área e agora você vem me atrapalhar o sono?

- Foi mal, mas é que tentei te ligar, mas como você não me atendeu fiquei com raiva e acabei quebrando o mob.
- Será que a gente não podia se falar mais tarde? Eu passo na sua casa mais sedo, antes da aula, pode ser?
- Não vai dar, maninho.
- Mas por quê?
- Eu fugi de casa...
- Você o quê? – Disse num salto quase caindo da cama.

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