Existe algo pior que o ódio: Indiferença!

"Aquele desgraçado ainda me paga!" - Quantas vezes você se pegou pensando assim, por causa de alguém que te machucou?

Quantas vezes perdeu o sono, a paz, sentiu seu coração acelerar, os pensamentos perderem o controle, suas mãos começaram a fechar-se, estalou os dedos pressionando um punho contra outra mão, porque a imagem de ver-se vingado de alguém tomou sua mente. A vontade de ver a pessoa sendo afligida é uma constância, por não conseguir esquecer o mal que lhe infligiu.

Enquanto você amarga coisas que aconteceram tempos atrás, a causadora do mal com certeza já nem lembra do acontecido e continua a viver "muito bem, obrigado". Tudo isso porque você se nega a perdoá-la. "Mas eu não consigo esquecer!", tudo bem, já que a regra do perdão não é o esquecimento, mas a lembrança sem dor.




Lembre-se que nossa mente é extremamente fantasiosa, assim como com momentos bons ela deleta as partes ruins para tornar as lembranças perfeitas, ela cria monstros com as mágoas que você insiste em engavetar, o alimento da imaginação faz com que os pensamentos ruins se disseminem como um praga, assim como as células doentes se utilizam da telomerase - enzima que permite o rejuvenescimento de nossos cromossomos - para se multiplicar, destruindo as células boas e expandindo o câncer, o vírus do ódio se utiliza do que você tem de mais fértil - a imaginação - para se perpetuar, a verdade é que essa neoplasia maligna - de pensamentos fragmentados - se recusa a morrer.

Às pessoas que insistem em lhe ofender, dê-lhe apenas seu silêncio, nada mais, nada menos, apenas ignore-as, isso é o  antônimo de amar. Ódio traz dor apenas pra si mesmo, essa dor que lhe aflige está guardada apenas em si mesmo, ela jamais terá poder sobre a desgraça alheia, apenas a de si mesmo.

Odiar nada mais é que amar doentiamente alguém, já que a pessoa não sai de sua mente, assim como a inveja é cega admiração. Por outro lado o desprezo faz as palavras cessarem, faz cair por terra as ofensas, as brincadeiras ofensivas serem esquecidas. Já a reação faz com que sintam prazer em lhe aborrecer.

Não reagir mais do que uma característica da temperança, denota sabedoria, pois quando a pessoa passa por um tratamento de indiferença ela para para ver o que faz de errado. Não existe dor pior que o desprezo, até mesmo quando não temos laço afetivos com alguém o desprezo causa mal estar, pois somos criaturas socáveis feitas para o convívio e comunicação.

O silêncio é a melhor resposta para a ignorância, acalma os animos e traz reflexão, "quem cala consente", consente que quer desviar a ira, que não está afim de aceitar como verdade pra si a humilhação.

"O amor está mais perto do ódio do que a gente geralmente supõe. São o verso e o reverso da mesma moeda de paixão. O oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença" Érico Veríssimo
Desprezar os que te magoaram te permite viver em paz, sem nem mesmo lembrar o que foi feito, a pessoa segue a vida dela e você a sua, nada mais libertador que saber que pode seguir sua vida em sossego sem preocupar-se com a outra pessoa, sem querer saber todos seus passos, o que tem feito e deixado de fazer, se tem aprontado algo para que lhe possa apontar isso na cara.

O ódio acorrenta mais que qualquer cadeia de bronze, cada pensamento de dor ao outro lhe afunda ainda mais no lamaçal da injúria, ao paço que você já não consegue libertar-se da dor, ela passa a fazer parte do cotidiano e de si, você já não consegue conviver sem a pessoa, passa a ser seu melhor amante, sua cabeça está sempre rodeada de pensamentos sobre ela.

Seu coração apodrece com os restos de mágoas e a consequência é um infarto, se não adquirir sérios problemas que surgem fisicamente - o mais brando é a calvice irreversível - causados por uma mente doentia que não pode libertar a si mesma da dor. Por não conseguir deixar de sofrer a dor toma seu corpo, com legalidade, passando a devorá-lo aos poucos, surgem doenças cardiácas, intestinais, arteriais e assim segue, até ela tomar seu corpo por inteiro.

A meisose tem um desenvolvimento tão rápido que logo gera o zigoto e ele por fim toma forma e consome todo corpo com o tumor do rancor, quando você percebe é tarde, o quadro já está cronicamente agravado, seu estado é terminal.

Por ter melhor memória que o amor ele nem tão cedo te deixará viver em paz, a não ser que sedas ao perdão. como bem disse Balzac: "O ódio, tal como o amor, alimenta-se com as menores coisas, tudo lhe cai bem. Assim como a pessoa amada não pode fazer nenhum mal, a pessoa odiada não pode fazer nenhum bem".

O ódio tem outro nome, que incomumente é utilizado: morte. E quando o ódio te domina por completo, pode esperar que sua hora chegou. Ame, perdoe e se continuarem a te fazer mal, ignore. Aja com indiferença, esta é a única forma de fazer alguém sofrer sem trazer danos a si mesmo, ignorando o ódio, deixando a vida seguir seu rumo.

Ósculos e amplexes,

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