Fotos perfeitas sem edição de imagem - Thriller [Parte I]

A chuva parecia ter apertado mais, percebeu Jean depois de descer do ônibus, ainda teria que correr um pouco até chegar em casa, olhou para o céu e viu como estava enegrecido, a única luz que clareava algo provinha dos raios que iluminavam todo céu - a luz fraca advinda dos postes não ajudava muito e apenas piscava. Olhou procurando Jaci, mas não pode vê-la - deveria estar brincando de esconde-esconde - podia ser esta a causa de Urano desatinar no choro, desmanchando-se em lágrimas, o sofrimento deveria ser realmente grande, conseguiria ele aliviar tanta dor?

Chegou em casa mais que encharcado e ao abrir a porta, viu que sua gatinha - fiel companheira que sempre lhe esperava, não dormia enquanto ele não retornava ao lar, mesmo quando chegava as 4 da manhã - estava na porta pronta pra lhe receber. Só que mas dessa vez ao invés da costumeira recepção, ao abrir a pesada porta com ajuda de Tupã, ela deu um pulo pra trás e eriçou-se toda, ficando em posição de ataque.





- Mas o que foi Yakut? Por que está tão assustada assim? Sou eu, o Jean!
Ele abaixou-se para pegá-la, ela ainda estava meio desconfiada, mas ele acabou conseguindo levá-la aos braços, quando passou frente ao espelho mal reconheceu-se, viu através da penumbra o quanto estava bagulhado. Pôs Yakut no chão e ia subindo para o banheiro, quando ela começou novamente a miar feio, quando olhou na direção em que miava viu a porta aberta.
- O bebê, foi mal, esqueci a porta. - Disse fechando-a.

Correu direto para o banheiro, tirou a roupa molhada e entrou embaixo da água quente para reconfortar um pouco depois de uma ducha gelada quanto aquela - fazia tempo que não tomava um banho tão gelado assim, deveria ter sido por volta dos quatro anos, a última em que tomara banho de chuva, as vezes que lhe permitiam fazer isso eram raras, pois seus pais temiam que adoecesse, mas para ele era uma curtição só.

O banho reconfortante estava bom, quando de repente a luz começou a piscar lentamente, aumentou a intensidade até ele não conseguir olhar para ela, tudo então ficou escuro, esfregou os olhos e viu que a energia acabara. O clima só não ficou mais psicose devido a chuva e os altos brados de Tupã que insistia em berrar em plenos pulmões.
- Droga, não acredito que não vou poder terminar meu banho!
De repente, começou a sentir algo gelado, caindo sobre a cabeça e descendo para o resto do corpo, uma luz azul invadiu o banheiro e um trovão ensurdecedor que o forçou a tapar o ouvido, ele ergueu os olhos e percebeu que a água começara a esfriar, um clarão surgiu e a energia voltou, permitindo assim terminar de banhar-se.

Tão logo saiu do banheiro o telefone começou a tocar, colocou rapidamente a toalha e foi na direção do aparelho do corredor.
- Alô? - Porém escutou alguns chiados estranhos, esperou por mais alguns segundos e ouviu apenas o silêncio lhe ignorando, disse alô mais duas vezes e nada. Bateu o telefone irritado. Ele puxava a água do banheiro quando o telefone voltou a tocar.

Foi atendê-lo e novamente nada, teve impressão de que respiravam, pareceu-lhe haver alguém bem perto, aliás, atrás de si, sentiu um ar quente no cangote que fez surgir um arrepio na espinha, seus pelos rapidamente puseram-se em pé. Ao olhar pela janela pensou ter visto alguém no orelhão da esquina, mas quando o raio iluminou pode ver apenas o telefone balançando fora do gancho, ao colocar o fone no ouvido escutou somente o tom de chamada encerrada.

Dessa vez começou a andar com passos mais cautelosos, olhando para os lados, a casa com um ar sombrio, pouco iluminada - a penumbra parecia assustadora - entrou em seu quarto e o telefone começou a tocar novamente. Tocou uma, duas, três, quatro, cinco, na sexta ele resolveu pegá-lo, mas ao fazer isso viu que a ligação havia sido encerrada. Assustado aproximou-se lentamente da janela e por trás da cortina olhou para o orelhão e viu que o fone ainda estava pendurado ao sabor do vento, voltou-se e assim que pôs sua extensão no gancho ela tocou novamente, sentou-se na cama determinado e ignorá-la, mas dessa vez ela insistia em tocar e seu barulho começou a tornar-se irritante, seu olho começou a piscar involuntariamente devido a alta carga de nervosismo até que finalmente parou de tocar.

Levantou, respirou fundo, olhou pela janela e viu que a chuva estava chegando ao fim - teria o céu encontrado a terra? -, embora houvessem ainda muitas nuvens negras. Ao observar o orelhão, pode ver que o telefone já não estava mais dependurado.

Esticou-se espreguiçando folgadamente, relaxou um pouco, resolveu se vestir, tirou a toalha e aí o telefone começou a tocar, já farto de tanto lhe incomodarem tomou o telefone com ímpeto, foi para a janela e viu alguém no orelhão. Atendeu-o com certo receio.
- Meu... - Sentiu a voz fraquejar, mas controlou-se para demonstrar pulso firme. - Se você não tem mais o que fazer vai incomodar outro e para de ficar me ligando...
- Jean?
- Ah... Oi... Kyllie...?!

Ele sentiu pulando em nuvens ao se jogar no colchão, quando percebeu quem era.
- Está tudo bem Jean, parece que você está meio tenso?
- Está tudo bem, lindinha!
- Mas por que você atendeu o telefone assim?
- Ah, me desculpe, princesa, é que tinha algum idiota me ligando. Ele ligou duas vezes e não disse nada, na terceira vez tocou umas seis vezes e quando fui atender já tinha desligado, ligou mais uma, mas resolvi não atender, até que ele parou de ligar. Daí você me ligou e eu pensei que fosse ele.
- Ah, entendi, mas Jean...
- Oi amor?
- Só que o idiota que estava te ligando, era eu!

Sentindo-se enrubescer, Jean teve a impressão que Kyllie poderia vê-lo através do fone diminuir-se diante de sua manézisse - ainda bem que não estavam numa vídeo chamada. Ela lhe explicou que das duas primeiras vezes tentara falar consigo de seu celular, mas como a ligação estava muito ruim dera apenas para ouvir ruídos, ligara do fixo, mas na primeira vez a ligação caiu, tentou novamente e depois de várias vezes como só chamava resolveu dar um tempo, até que ele, por fim, atendera.

Kyllie ligara por ter sentido-se culpada de tê-lo deixado ir sob a chuva, já que ele poderia se resfriar ou na pior da hipóteses pegar uma pneumonia.
- Quê isso linda? Eu sou muito resistente, não adoeço assim não e lembre-se que eu que quis vir embora, você não tem culpa nenhuma.
- Eu sei que você quis ir, mas eu deveria ter insistido...

Ficaram conversando por muito tempo, até um dos dois - não se sabe qual - entrou no assunto do beijo e ambos concordaram haver sentido uma reação química em cadeia muito boa. Kyllie confessou que havia algum tempo também pagava madeirinha para Jean que, apesar de gatinho, mostrara-se um fofo.

- Mas então por que não rolou nada lá no cine? - Jean quis saber.
- Por quê...? - Kyllie sentiu-se perder nas palavras. – Porque...
O silêncio continuava e ela viu-se obrigada a continuar.

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