Problemas com perfil fake 16 [O mistério de Feiurinho]

Depois de seu pai saber do acontecido indignou-se e lhe passou um tremendo sermão por ter insistido em continuar a perder tempo naquela escola, insistindo com algo tão vil como o futebol - esporte dos menos afortunados.

- E por que você não ligou pra nossa lavanderia filho?
- Acabei esquecendo, com a raiva que estava. Mas, acho que o senhor tinha razão. – Seus olhos começaram a escorrer teimosas lágrimas, por maior esforço que fizesse para conte-las elas insistiam em cair, abraçou, então, o pai. – Pai, me ajude, quero ir para aquela escola que você me falou.

Dough sentiu-se perdido com o abraço do filho, afinal, sua fleuma fazia com que tivesse ojeriza a lágrimas e ele não sentia-se a vontade com demonstração de afeto entre homens, mesmo com seu filho - até com sua esposa não sentia-se a vontade pra muita comoção - e ficou com os braços estendidos enquanto Conn chorava em seu ombro.
- Pode deixar filho que resolverei isso. - Disse ao dar, sem jeito, um tapinha em suas costas.


Dia seguinte, às 5h ele estava de pé para passar todos uniformes, apesar de Douglas ter dito para deixar isso a cargo da empregada, ele mesmo quis fazer, para mostrar o quanto não precisava da ajuda de ninguém, mostrar que tinha capacidade – ao mesmo tempo em que isso lhe era qualitativo, também transformava-se em defeito, pois sempre se sentia na obrigação de provar pra tudo e todos que era capacitado pra fazer o que quer que fosse - o que fez-lhe aprender muitas coisas, mas também o metera em muitas enrascadas.

Assim que os garotos do time chegaram, o treinador os pôs pra fazer aquecimento, mesmo com reclamações de que não sobrara tempo para tomar café. Tiveram de começar a correr cada vez mais rápido, dando voltas em torno do campo, das 6:30 até as 7:20, sem pausa pra descanso. Enquanto corriam um perguntava ao outro por Conn e Tonny, mas ninguém os vira.
Quando iniciavam a musculação, resolveram perguntar por eles.
- Ah! Eles não fazem mais parte da equipe, a partir de hoje.
- Mas, como? – Quis saber Vicky.
- Tonny não estava focado no time, por tanto, não teria um bom rendimento, já o molecote do Conn resolveu pendurar as chuteiras depois de ter lavado o uniforme de vocês que, aliás, estão ali impecáveis, seus porquinhos.
Todos foram felizes pegar seus uniformes limpos e cheirosos, mas não entenderam bem o motivo da saída de ambos, nem o porquê da punição de Conn, entretanto, resolveram não fazer mais perguntas, antes que o humor ácido de Elliot azedace de vez.

Conn havia chegado as 06h20min fazendo Elliot surpreender-se pela pontualidade britânica, já que ele nunca fora de cumprir horários a risca - apesar de ser muito esforçado. Ele chegara, havia entregado os uniformes impecáveis e dissera que estaria fora do time, já que estava mudando de escola - seu pai havia conseguido falar no mesmo instante que lhe pedira com seu amigo e conseguido uma transferência para o filhote. Elliot disse que ele poderia continuar assim mesmo, mas ele alegou que seria melhor não insistir, aquilo tudo era perca de tempo, o couch ainda tentou lhe avisar que não deveria desistir, pois se continuasse naquele ritmo em pouco tempo seria um dos melhores e que fizera aquilo apenas para lhe corrigir, que ele deveria ter entendido, já que é o que normalmente os pais fazem aos filhos - mas como compreender se nunca fora corrigido de verdade?

- Saiba que fiz isso apenas porque acredito em você e sei que pode chegar muito longe, mas tem que mudar algumas coisas quanto a suas atitudes. Se te corrijo é porque quero seu bem.
Ele ainda respirava com certa dificuldade enquanto ouvia Elliot falar consigo, tamanha a raiva que inda sentia por si, ele poderia lhe dizer o que quisesse, que não acreditaria em uma letra se quer, já que as atitudes do couch demonstravam exatamente o contrário do que falava - como podia ele falar tão antonimamente ao que normalmente era? Conn achava que tudo que era dito não passava de estupidez de um velho gagá e não havia gostado nem um pouco de imposição de limites por parte de Elliot – já que isso era algo que nunca lhe fora imposto ou exigido, menos ainda castigado, não conseguia compreender a atitude daquele bloke que só sabia pegar em seu pé.
- Já que o senhor foi sincero comigo, também serei. – Suas palavras saíram ressequidas, o que demonstrava apenas demagogia, não sinceridade. - Meu pai denunciou você à delegacia de ensino por autoritarismo. Me desculpe, mas tenho que ir agora.

Aquela notícia deixou-lhe chocado, mas o que mais decepcionara era ter perdido Conn, que apesar de não ser uma pessoa fácil de lhe dar, era um bom garoto, muito talentoso por sinal, que parecia não acreditar muito em si mesmo – motivo de constante insatisfação e do esforço além dos limites, talvez por isso seu rendimento não fosse tão alto como deveria. Elliot sabia que aquele molecote era o melhor do time, até mesmo que Tonny ou mesmo que seu capitão Jacke, porém por não acreditar em si mesmo, não tinha como comandar aquela equipe, se Conn tivesse esperado mais um pouco, provavelmente amadureceria o suficiente... Era tudo culpa sua por não ter contado para ele sobre sua capacidade, por não ter intervindo, esperado que descobrisse por si só.

- Poxa, man o que aconteceu? - Davis quis saber de Tonny, enquanto a aula não iniciava, logo os demais garotos reuniram-se em volta deles.
- Nada demais, carinha. - Tonny esboçou um sorriso sem vontade.
- Então por que o treinador te expulsou do time? - Mouki indagou.
- Há, há! Até você já está sabendo, maninho? – Disse enquanto acariciava a cabeça de Mouki, que era da liga infantil, mas como amava futebol vivia metido nos jogos dos maiores, pois dizia que os mais novos não sabiam jogar e como estava sempre no meio deles acabou sendo nomeado mascote do time. - Não se preocupem pessoal que ele não me expulsou não. Ele disse apenas que eu precisava de um tempo pra resolver meus problemas.

- Caramba, mas assim você não vai poder participar dos jogos de inverno, mano!
- Não ligo não Davis, sem falar que pelo tempo que fiquei sem jogar estava meio fora de forma...
- Meio não, completamente. - Disse o engraçadinho do Andie.
- Pois é, e preciso de tempo mesmo para resolver antes alguns problemas.
- Mas não bastasse você, o mala do Conn também se mandou.
- Mentira, And!
- Verdade, velho.
- Mas e aí, Brent, como foi isso?
- Não faço a menor ideia. Ele não me disse nada e também não atende o celular.
- Poxa...

- Muito bem, todos aos seus lugares que a aula já vai começar e... Você de novo por aqui Mouki? Vai logo pra sua sala que você já está atrasado, você tem ainda que atravessar o pátio pra chegar à ala infantil.
Depois que Mouki fechou a porta Carlos comentou que não entendia o porque de uma criança querer apressar as coisas e ainda misturada junto os maus elementos do futebol.
- Ô! professor, fala assim do Mounki não, o carinha é muito cabeça. - Defendeu Tonny.
- Criança é você! - Disse Mounki abrindo a porta e dando língua para Carlos que acabou por perder a compostura, mas quando chegou na porta ele já estava longe. “Aquele pestinha” – resmungou para si mesmo.
- Não falei que ele era cabeça professor? - Disse Tonny, enquanto todos na classe riam do acontecido.
- Esse daí, realmente não nega que é tua cria, heim Tonny? - Davis disse enquanto um batia na mão do outro, num gesto cumplicidade.
- Há, há! Esse aprendeu diretinho.
- Silêncio aí no fundo, se não adiantarei a prova da semana que vem pra hoje mesmo. – No mesmo instante toda sala silenciou, nem cemitério poderia ficar mais silencioso que a classe - pudera, diante do grande poder de persuasão de Carlos tudo aquietava – até mesmo a tempestade – ainda mais por saberem que ele realmente levava acabo suas promessas.


- Com licença professor! - Eram as P!nk Croux atrasadas. - Nos perdoe por não ter vindo antes, mas é que estávamos muito ocupadas. - Desculpou-se Key.
- Sim, estávamos fazendo as unhas. - Disse Jessy enquanto deixava as unhas bem expostas ao escorregar a mão languidamente rosto abaixo.
- Não... Que isso garotas! Podem entrar e fiquem a vontade. - Carlos que dominava bem a oratória, a arte do bem falar, acabou-se atrapalhando nas palavras, por pouco não gagueja.
Enquanto entravam desfilando, Carlos observava bem o andar das garotas, atentando para suas ancas, ele mal conseguia disfarçar e isso o fazia ficar ainda mais detestável em vista dos garotos que não lhe suportavam, bem como as meninas de respeito.
- Olha lá, o baddie nem disfarça que está olhando a bunda das meninas!
- Não falei que ele não ia aguentar! Me passa 50 mangos aí, que você perdeu dork! - Tonny deu um cafuné em Vicky.
- Poxa, mas eu pensei que ele fosse olhar, mas não assim, tão perceptível, aí daria pra te enrolar. Assim não vale, esse bundólogo!
Todos os garotos riram comedidamente.

- Pois é Vicky, você perdeu e agora pode me passar a grana.
- Droga, pega, mas era a minha grana pro lanche!
- Mas e seu cartão?
- Oculta! Eu andei torrando com umas minas, o velho descobriu e bloqueou-o.
- Se preocupa não Vicky eu te empresto o meu.
- Tô fora man, você é muito loan shark!
- Poxa, Vicky, sou apenas um mero agiota e no teu caso não vou nem te cobrar juros, já que você é meu chapa.
- Sei. E quanto isso vai me custar? Minha alma?
Os garotos começaram a rir o que fez Carlos despertar do transe e por ordem na bagunça.

- Estava olhando o livro de vocês e resolvi que não vou usá-lo.
- Mas esse também professor? Poxa os guys também não fazem nenhum livro que preste. Se eu for eleito... - Todos começaram a rir.
- Silêncio. Mas é verdade. - Disse Carlos estufando o peito. - É que esse também não está à altura do conhecimento que lhes quero transmitir.
- Esse e todos os demais! - O rio foi geral, até Carlos riu também.
- Senhor Anthonny, posso contar com sua cooperação? Iniciaremos falando sobre a Globalização...

Apesar de Carlos ser um cafajeste, não perdoar um rabo de saia - já tinha até mesmo ficado com algumas alunas, pelo menos era o que se diziam no coredores da High School - era muito inteligente e desbancava qualquer livro quando o assunto era história. Parecia uma enciclopédia ambulante, mas trocar alguma ideia com ele não valia muito a pena, já que não passava de um molecão, apesar da altura e ser boa pinta, não tinha nenhum assunto, falava apenas de coisas vazias, sem muita coesão, todo seu intelecto havia sido empregado na história.

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