A porta do pecado - Parte I

Depois de Jacó ter encontrado Esaú e visto que Deus estava consigo na face de seu irmão [Genesis 33.10], foi para Sucote, já que com seu rebanho e as crianças não conseguiria apertar o passo, pois cansaria-as sobremodo e os animais que ainda amamentavam se afadigariam vindo a morrer, seu irmão estava muito feliz em revê-lo e queria que fosse o quanto antes até sua casa e de lá para a de Isaac, mas entendeu e segiu na frente [Genesis 33.12-17]. Depois Jacó partiu para a terra de Siquém, em Canaã [Genesis 34.18].

A terra de Siquém (Sichem, Shkhem ou Sh-chea-mm, Hebraico: שְׁכֶם‎ / שְׁכָם "Ombro", moderna Tell Balata, Balata al-Balad, Cisjordânia, hoje Nablus) foi o local onde o patriarca Abraão ergueu o primeiro altar ao chegar na terra prometida de Canaã [Genesis 12.6-7]. Era uma região montanhosa, nas colinas de Efraim, um planalto entre os montes Garizim e Ebal (Samaria), próximo à aldeia de Askar, na Jordânia – essa cidade Cananéia foi mencionada nas cartas de Amarna – posteriormente transformada em uma cidade israelita na tribo de Manassés, foi a primeira capital do Reino de Israel.



Cartas de Amarna é a designação dada a um conjunto de tabuinhas em escrita cuneiforme em acádico, língua diplomática da época, encontradas em Amarna, uma das várias capitais do Antigo Egito, que faziam parte do arquivo de correspondência do Egito com os seus reis vassalos e governadores em Canaã. A correspondência diz respeito aos reinados de Amen-hotep III e de Amen-hotep IV (mais conhecido como Akhenaton).

Foi o primeiro local a falar de Canaã, abençoado com abundância extraordinária de água. Ela era produtiva, possuía bastante criação de animais,era bem desenvolvida [Genesis 34.10-12, 27-29], e tinha um pasto rico em nutrientes e produtivo que fez os filhos de Jacó retonarem, tempos depois para alimentar o gado [Genesis 37.12], sua área era em torno de 12Km de comprimento. Nessa terra Jacó – agora Israel – comprou uma parte do campo onde estendera sua tenda da mão de Hamor, pai de Síquem, príncipe da terra, por cem peças de prata, se estabelecendo até estarem todos prontos e partirem para casa de seu pai em Hebrom, lá ergueu um altar e cavou um poço [Genesis 33.18-20,  João 4.5-6,12 e Josué 24.32]. Foi também onde os ossos de José foram enterrados [Josué 24.32] e onde se enterraram os deuses estranhos em posse dos que estavam com Israel, inclusive os que Raquel havia furtado do pai [Genesis 31.34-35], quando o Eterno chamou-lhe para voltar a Betel, embaixo de um carvalho [Gênesis 35.2-4]. A distância de Siquém para Hebrom era de pouco mais de cinquenta milhas, ou seja, mais de 80 Km, o caminho podia ser feito entorno de 20 horas por um pastor e seu rebanho.

Depois de por lá estabelecerem-se, Diná (heb. julgada), sétima e última filha de Léia, ainda era criança e saiu para ver as mulheres da terra [Genesis 34.1], por ter passado seus poucos anos vivendo na casa do avô não tinha conhecimento da vaidade, ela desconhecia como as mulheres andavam bem trajadas, maquiadas e com joias, quando parou para observá-las ficou admirada com toda aquela beleza, foi quando Síquem, o príncipe das terras, a viu e percebeu o quanto era bela e diferente das demais mulheres que haviam ali.

Sendo príncipe podia fazer o que quisesse, deixou-se então tomar pela concupiscência (epithymia, desejo descontrolado, perversão do desejo, cobiça) dos olhos [I João 2.16] e não controlando seus desejos – uma mulher sozinha, era considera indefesa, por estar fora do lugar – a tomou e além de tirar sua virgindade, ainda lhe humilhou, quando ela tentou resistir a si, tentou culpá-la por estar deslocada. Porém, percebendo como ela era diferente, pois ela tinha a benção do Deus de Israel sobre si sua alma se apegou de tal forma a ela que decidiu casar-se com Diná. [Genesis 34.2-4]

Nem Siquém, nem seu pai Hamor, sentiram vergonha ou culpa pelo acontecido, já que segundo seus costumes não era necessário que houvesse antes a afirmação de um compromisso sério para que depois pudesse se conhecer uma moça, apesar do código de hamurabi o proibir, seus costumes eram totalmente distorcidos – como atualmente, pra transar não precisa de um compromisso sério, basta querer – a virgindade não representava nada para as pessoas daquela cidade. Os jovens nos dias de hoje vivem a experimentação, se beijar ou transar com alguém for bom, vão ficando mais vezes e caso valha a pena, aí sim, futuramente poderá surgir um compromisso mais sério e quem sabe uma família?

Por isso mesmo foi sem o menor pudor falar com o pai da jovem [Genesis 34.6,8], Jacó, que havia ficado mudo ao saber da tragédia até seus filhos voltarem do campo [Genesis 34.5,7], Hamor para que se tornassem um só povo, resolveu fazer um pacto onde dariam mulheres uns aos outros e os filhos de Israel tomariam possessão da terra. Siquém, sendo príncipe, possuía muitas riquezas, ofereceu a eles o que quisessem em troca da mão de Diná, disse até mesmo que poderiam aumentar em muito o valor do dote e da dádiva que ele pagaria com prazer, porém Simeão e Levi, astutamente usaram a aliança que o Eterno lhes dera para enganá-los, dizendo que apenas seriam um povo se eles usassem o sinal da aliança que distinguia Israel, a circuncisão [Genesis 34.8-17].

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