Uma desconhecida intima de Deus - Parte I

Muito se fala de Sansão, sobre sua força descomunal, os erros que o afastaram do Eterno, realmente há muito o que se falar, mas e antes dele ter nascido? Acabamos por nos esquecer de um personagem que foi ainda mais especial, sua mãe, que criou-o no temor de Deus, uma mulher de fé – que diferentemente do filho permaneceu fiel a vontade do Senhor.

Por volta do ano 1200, no começo do século 11 antes de Cristo, os israelitas viviam um período opressor de escravidão sob as mãos dos filisteus (do hebraico פְּלְשְׁתִּים plishtim ou no egípcio peleset), povo que ocupou a costa sudoeste de Canaã e se originou de Casluim, o qual teria sido um dos filhos de Mizraim, patriarca dos egípcios – denominados por eles entre outras tribos como “povos do mar” – e neto de Cam (ou Cão filho de Noé), inimigos dos israelitas, roubavam a primícia de suas colheitas, não permitiam a fabricação de armas e empurravam cada vez mais algumas tribos de Israel para fora de seus limites.



Após os israelitas terem feito o que era mal diante dos olhos do Eterno, idolatrando falsos deuses [Êxodo 20.3 Deuteronômio 6.14 Juízes 10.13], Ele os entregou nas mãos dos filisteus por 40 anos de servidão [Juízes 13.1]. Pelo grande tempo que ficaram subjugados os israelitas haviam cessado o clamor por libertação. Contudo, Deus estava planejando operar um milagre que começaria o processo de libertação de Israel de seus inimigos.

Foi nesse contexto, mais precisamente em Zorá, uma cidadezinha na parte central ocidental de Canaã [Josué 19.40-46; 21.5,23-24], na divisa das tribos de Dã e Judá, numa pequena planície não muito longe da atual faixa de Gaza, na Palestina, onde morava uma mulher simples e humilde. Ela não era ninguém importante para a sociedade, mas alguém que passava desconhecida a vista das pessoas, com exceção do fato de não poder dar a luz, apesar disso era temente a Deus e sujeita ao marido. Para a cultura de seu povo, ser estéril, era castigo por ter cometido algum pecado e significava não ter honra, já que o valor de uma mulher estava em permitir a perpetuação da semente de seu esposo.

Atualmente Zorá é conhecida como de Suráh, ela se encontra a 24 quilômetros a oeste de Jerusalém, sobre uma elevada colina ao norte do vale de Soreque. Os muçulmanos têm nela um sólido altar de pedra em memória de Sansão. Próximo a cidade há um altar de pedra, construído no modelo dos que os judeus faziam no tempo dos juízes, especialistas acreditam que este seria o altar onde Manoá ofereceu holocausto, e em cuja a chama o Anjo do Senhor subiu para o céu.

Essa mulher simples, embora a nomeiem como Zlelponith ou Hazelelponi a Bíblia não faz menção de seu nome – apenas como mulher de Manoá – pertencia à tribo de Dã (Do heb. דָּן Dahn “O Juiz”) – fundada por Dã, o quinto filho de Jacó e o primeiro de Bila, a serva de Raquel [Genesis 30:4-6]. Uma tribo que, apesar, de ser a segunda mais populosa – 62.700 [Números 1.39] e no segundo censo foram computadas 64.400 – era uma das menos corajosas entre as tribos israelitas [Juízes 5.17].

Embora a maior parte do povo estivesse desviada, metida em pecados e violência ela e seu marido permaneciam tementes a Deus. Ela era alguém que constantemente buscava a Deus e em suas orações pedia para que o Eterno a honrasse com um filho, embora esta comunhão não seja citada pode-se vê-la implícita pela forma com que recebeu as boas novas do mensageiro divino.

Sua comunhão com o Eterno era tanta que permitiu reconhecer o profeta como mensageiro divino, ainda que ele nada tenha dito, ela o reconheceu de imediato, algo que não era fácil de saber, alguns jamais descobriram isso, mesmo hospedando-os [Hebreus 13.2]. Sua visão espiritual era tão aguçada que viu-o espiritualmente como um anjo do Eterno, sua visão era terribilíssima. Por isso mesmo não lhe indagou de onde viera, nem seu nome [Juízes 13.6], ao menos se quer questionou o que o desconhecido havia dito, mas por esperar na provisão divina soube de imediato que a palavra provinha do Eterno e pode reconhecê-lo como alguém sobrenatural, ainda que nem mesmo seu esposo o tenha reconhecido [Juízes 13.16].

“Eis que agora és estéril, e nunca tens concebido; porém conceberás, e terás um filho.”, foi assim que o anjo lhe chegou e disse, ele falou com uma propriedade tal, que só poderia ser dita por alguém que a conhecia bem, sua forma intima de falar demonstra que ele ouvira o clamor daquela mulher.

Em outras histórias da Bíblia, como essa, quando o anjo aparecia normalmente era o pai que recebia as boas novas, mas nesse caso foi diferente, devida sua grande comunhão com o Eterno e seu sofrimento da infertilidade – ninguém melhor que ela mesma pra conhecer tão bem a dor da solidão e da perda, a espera e o vazio da infertilidade. Mesmo com todas adversidade ela esperava em pela provisão do Eterno, pois é Ele quem forma a criança ainda no ventre [Salmo 139.13].

Há outra mulher que ilustra ainda melhor o sofrimento da não concepção, Ana, que mesmo sendo a predileta do marido, tendo maior atenção e agrados, não conseguia suportar o peso e vergonha de ser estéril e as constantes provocações de Penina [I Samuel 1.1-19].

A confiança que a esposa de Manoá tinha no Eterno era tamanha que assim que o mensageiro lhe disse que teria um filho e ela deveria se tornar nazireu, o menino o seria até a morte, ela instantaneamente tomou a certeza que recebera da parte do Eterno e como mulher submissa que era ao marido foi correndo contá-lo e partilhar sua alegria.

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