Problemas com perfil fake 19 [O mistério de Feiurinho]

Todos assistiam paralisados a cena, o BØB moveu nenhum músculo de surpresa, de repente And se levanta e ergue, triunfante, o indicador. Todos ainda estavam assustados com sua ação, porém, as garotas ficaram ainda mais quando – despertando do encanto – olharam para aquele dedo e o viram ligeiramente arroxeado.

Ele o havia passando sobre o olho de Vicky e confirmara suas suspeitas: ele usava violeta para poder forjar marca de pancada que se recusava a sair. Quando Vicky percebeu que And não estava mais sobre si, abriu os olhos, empurrou-o para o lado e levantou suspirando sonoramente de alívio.

- Cara, pensei que fosse me beijar. – Disse rindo desconcertadamente.
- Nós também! – Os garotos confirmaram, eles ainda permaneciam imóveis.

Todas as minas que dantes tinham ar de preocupação, aflitas com o que o baddie do And poderia fazer com seu amorzinho, mas vendo que tudo não passava de armação tiveram instantaneamente o afeto profundo transformado em raiva – cuidado com o gostar das garotas, para despertá-lo profundamente não é difícil, mas elas são bem menos tolerantes que os guys, principalmente quando se percebem tapeadas, aí não tem jeito, “o machado, pois está posto a raiz...”.

Vicky, ainda zonzo, não tinha feito o downstream da situação, a informação estava em algum sitio hospedado em um host remoto, olhou ao redor bem a tempo de ver o rosto das garotas metamorfoseando-se de comoção a raiva – alguém havia dado um wave alterando o status das garotas – seus transistores captaram os impulsos elétricos e o enviaram para a ALU – localizada geograficamente a bombordo do encéfalo. Instantaneamente a velocidade do ADSL turbinada pela fibra ótica, e compreendendo o que acontecera, sentiu uma carga gelada ser disparada através do backbone upstream acima, assim como pelos circuitos impressos por todo corpo. Até que o CPU enviou apenas 2bytes com a simples mensagem: “01000111 01001111” e suas pernas saíram velozmente em disparada tendo as garotas indignadas atrás de si – poderiam ser os tênis de 42KB, mas a verdade é que nem um overclock o teria feito correr inda mais – ele sentia apenas os imensos saltos que seu coração dava dentro do peito, enquanto uma imensa descarga era disparada por todo circuito nervoso, por pouco o cérebro não lhe jampeia e ele entra em curto, a falta de gordura para ser queimada como calorias já fazia o cérebro disparar “dit dit dit dah dah dah dit dit dit” desesperadamente, antes que a bateria arriasse de vez, tamanha a distancia que teve que percorrer.


“Pôxa, só mais um pouquinho. Caramba por que isso não me aconteceu depois do intervalo, tinha que ser justo no dia não tomei café? Isso que dá não recarregar a bateria depois de mais de 12h de jejum, bem que mamãe diz que é a refeição mais importante do dia!”
- Ah! Que me importa isso agora? – Quando olhou para trás correu com mais vontade ainda deixando o rastro do solado atrás de si. – Pernas pra que te quero?

- Cara, você é mau! – Disse Brent levantando, num gesto de cumplicidade, a mão para And bater nela.
- Mau, não! Muito mal, bota maldade nisso aí! – Jacke ainda estava admirado.
- Não falei pra vocês que tinha alguma coisa errada?
- Poxa, mas você acabou com o cara!
- Quê isso Daves, ele teve o que mereceu por roubar todas as minas.
Já fazia alguns dias que And estava encucado com essa história e resolvera desmascarar Vicky pelo fato de estar roubando a atenção de todas garotas, inclusive de algumas P!nk Croux, ele sentia-se injustiçado, como um leke, que nem tamanho suficiente tinha, podia conseguir tal façanha? Ele então conseguira provar sua tese – a custo de muita massa cinzenta queimada, mas valera a pena.

- E aí carinha? Conseguiu escapar delas?
- Graças a Deus! – Sua resposta saíra animada, mas quando deu as costas pra porta, que vigiava atenciosamente, e viu que era Tonny, sentiu-se sem graça ao continuar. - Elas não têm coragem de entrar no banheiro masculino, mano! Ou Tonny, foi mal aí pelo que eu disse lá na sala.
- Mal por quê?
- É que... – Vicky ficou ainda mais sem graça e mudou de assunto. - Você sabe se elas ainda estão lá fora, não consigo ver direito?
- Estão não, relaxa malandrinho! Mas você pegou pesado, heim?
- Ué? E como você sabe, se não estava na sala?
- Twitter, bobinho! – Disse mostrando-lhe seu Xperia X10, mob com tela multi-touch de quatro polegadas, com a mais nova versão do Android, conexão às redes sociais e GPS, aliadas ao prazer do PlayStation, quando há uma chamada o jogo entra em standby, sem perder a chamada nem a partida.

- Oh, my Gosh! Mas já? – Disse ao ver os tuites pipocando. – Estou acabado.
- É, hoje em dia é assim: você faz algo e na velocidade de um wave o mundo já está sabendo.
- Ah! Só queria aproveitar mais um pouco, estava tão bom. E no final das contas não estava fazendo mal a ninguém, pelo contrário, elas bem que estavam gostando de me mimar, me dar uns beijos. – Riu matreiramente, com um riso infante. – Se não fosse pelo And, ele é mesmo mó vacilão.
- Eu não o culpo, afinal, você estava roubando a atenção de todas minas, isso vai ter que concordar.
- Hummm... – Disse tentando calcular o superávit. – Está bem, um pouquinho só, vai. – Disse mostrando o polegar e indicador pouco espaçados.
- Um pouco? – Tonny ficou surpreso com sua carisse de pau. – Você realmente não existe, Vicky. – E lhe deu um cafuné. – Estou indo nessa.
- Ei, meu cabelo! – Vicky exclamou irritado.
- Foi mal! – Tonny riu maliciosamente.
- E eu, como fico?
- Sei lá, mas já vai terminar o intervalo é bom você voltar pra sala logo.
Assim que a porta se fechou o som que sinalizava o fim do intervalo fez-se ouvir.
- Droga! E eu não comi nada.

É incrível a capacidade que tem uma notícia de se espalhar, principalmente quando isso é feito por mulher – Lembra-se da história da ressurreição de Jesus que ganhou o mundo? Adivinha quem foi que o viu primeiro?! -, pior ainda quando estão munidas de mobs com redes sociais integradas e 3G, a notícia logo se espalhou pelo Twitter, no outro dia todas garotas lhe olhavam friamente – é, parece que seu reinado havia chegado ao fim.

A propaganda boca a boca tem um poder de persuasão tão forte que é capaz de transformar até mesmo mentiras em verdades incontestáveis, com o passar do tempo e conforme mais e mais é contada, essa era a causa da história que sempre ouvia de sua finada avó. Quando criança gostava de passar os fins de semana na fazenda dos avôs maternos, pois tinha muito espaço pra brincar, verde até perder de vista, lago com cachoeira, um monte de flora frutífera e vários garotos pra bater uma pelada, sua vó sempre lhe alertava sobre o perigo mortal de se tomar manga com leite, ele nunca acreditou muito na história, mas ela falava com tanta convicção que chegava a assustar, até que um dia resolveu por a prova a teoria e descobriu que sua teimosia estava correta. Algum tempo depois deu um google e soube que essa lenda fora espelhada por alguns fazendeiros, no tempo que o ouro reluzia preto e branco no Brasil, para impedir que os escravos acabassem com o leite das vacas tomando-o com manga, já que era uma bebida deliciosamente refrescante.
“Rapaz, se eu fosse você não tomava mais leite com manga não, pois um amigo do meu compadre tomou e bateu as botas. Leite com manga é bata pra levar pra cidade dos pés juntos.”

- Aleijadinho é uma farsa! – Com essa frase Carlos conseguiu a atenção de todos na sala.
- Como assim, tea’? – Quis saber Lady.
- É prof! Quer dizer que todos livros de história estão errados? – And questionou.
- Não tenha dúvidas! A história dele é, por assim dizer, muito fantasiosa. Tudo começou em 1858, quando Rodrigo Ferreira Bretas, um jurista, deputado estadual e diretor de ensino de Ouro Preto, resolveu escrever a biografia de um dos tantos artistas que contribuíram com artes sacras durante a corrida do ouro, escolheu justamente Antônio Francisco Lisboa, escultor que havia morrido 5 séculos antes. Mas o problema era que o cara ainda permanecia um mistério, a não ser por lendas do imaginário coletivo.

- Quer dizer então que ele nunca existiu? – Frida perguntou mordendo com seus lânguidos lábios, escarlates e carnudos, a ponta do lápis. Enquanto repousava uma mão sobre o caderno aberto – que dava um ar mais intelectual – a outra escorria suavemente pelo cabelo, deixando sua orelha a mostra com um belo brinco de lacinho duplo de ouro branco incrustado de diamantes que fazia conjunto com a corrente também de ouro branco.

- Isso... – Carlos ficou extasiado.
- Como é Carlos? Ele era apenas lenda? – Tonny questionou.
- Hã? Como que é? – Ele desviou os olhos ainda dormentes para Tonny.
- Carlos, acorda! Aleijadinho não existiu?
- E quem foi que disse isso? – Perguntou asperamente recobrando a consciência.
- Ora, foi você mesmo fessor! – And lembrou.
- Eu? Imagine!
- Foi sim tea’, eu ouvi. – Lady confirmou.
- Ih galera acho que o profs pifou de vez de tanto de tanto estudar. Deve ter sido o inseto do milênio.
Toda classe disparou na gargalhada.

- Silêncio todos! – Olhou para a classe e quando passou o olhar por Fridda ela lhe piscou.
- Tea’ ele existiu ou não?
Não apenas Lady, Tonny e And estavam ansiosos pela história, mas também toda classe, mais que nunca tinham motivos para atentar para a sapiência de Carlos, pois ele começava a desmascarar um de seus maiores heróis de infância.

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