Problemas com perfil fake 21 [O mistério de Feiurinho]

- Pessoal já vai encerrar a aula.
- Poxa, professor, mas está tão interessante. – Fridda confirmou.
Todos insistiram.
- Tudo bem, então. Vocês querem que eu continue?
- Sim! – A galera respondeu em alto e bom tom.
- Vou pedir então pra trazerem o lanche de vocês aqui.
- Uhuuuuuuuuuuuu!
- Mas espero que vocês cooperem com a limpeza.
- Fechou, fessor. – And respondeu por todos.
Carlos ligou avisando que a turma não iria para o intervalo e solicitou que lhes trouxessem a merenda.

- Onde eu estava mesmo?
- Falando que Aleijadinho trabalhava como um jardineiro. – Vários responderam ao mesmo tempo.
- Muito bem, quantos alunos aplicados, vejo que vocês estão gostando mesmo da aula de hoje e não terão nenhuma dificuldade em tirar nota máxima na prova...
- Ô fessor, a aula estava tão boa, você tinha que estragar.
- Posso continuar, senhor Andreas.
- Oh! Sim, como não? Mas fiquem esperto pro golpe.
- Shiiiiii! – Todos fizeram ao mesmo tempo, o que fez com que And escorregasse carteira abaixo emudecido.


- Para Germain Bazin, historiador de arte francês, as obras mal feitas teriam sido confeccionadas por sócios ou aprendizes enquanto Mário de Andrade defendeu que as obras bem feitas seriam antes da doença, período em que eram mais equilibradas e claras, já as defeituosas pertencem a fase pós-doença em que tomado de um sentimento gótico e expressionista cria não apenas cópias das obras portuguesas, mas sua verdade interior, renovando o barroco "com um espírito verdadeiramente genial". Foram argumentos assim, de pessoas importantes, que levaram os críticos a reconhecer que várias obras eram de sua autoria, usando poucas provas estéticos para validá-las.

- Ainda tentado classificar quais artes ele teria executado, o Iphan, seguindo essas pistas literárias, publicou em 2003, que apenas um terço das estátuas das capelas de Congonhas foram criadas por Aleijadinho, como nenhuma de suas obras foram assinadas as que são consideradas de sua autoria, foram atribuídas por críticos e historiadores - que envolveu arquiteto ilustre - como Lúcio Costa projetista de Brasília, que afirmou ser de autoria de Aleijadinho a escultura de uma mulher do Chafariz do Alto da Costa que teria sido confeccionado quando ele tinha apenas 19 anos, em 1761 em Ouro Preto, mas seu pior equívoco foi ter atribuído a ele outra obra do chafariz do Palácio dos Governadores, que também estava a cargo do pai de Aleijadinho e foi feito em 1752, quando ele tinha apenas 14 anos - disputas jurídicas para silenciar historiadores os mais céticos - como aconteceu com o livro “Aleijadinho e sua Oficina” que foi barrado e teve seus exemplares recolhidos por ordem da justiça - e até mesmo fraudes, como um documento que sugere que as obras da igreja de São Del Rei foram feitas por Antônio Martins, o sobre nome encontra-se riscado e vê-se a adição de Francisco Lisboa - correção essa que não se sabe quando se deu -, outro documento sobre a mesma construção cita apenas "um arquiteto".

- A salvação dos colecionadores veio em 2006 com a publicação de "Aleijadinho - Catálogo Geral da Obra", publicado pelo advogado e historiador mineiro Márcio Jardim, onde cataloga 425 obras como sendo do mestre, ou seja, nunca a obra de um artista cresceu tanto em todo mundo, pois a cinco décadas eram consideras como obras suas 160 peças - hoje o número é quase três vezes maior. Mas o pior é que em abril de 2009 mais sete esculturas entraram pra grife.

- A história de Aleijadinho é incrível, pois o monstro genial não apenas criou obras com tanta personalidade – com a porta fechada para não assustar os passantes com sua fealdade – há séculos e alguns movimentos artísticos a frente de seu tempo, como também várias esculturas póstumas.

- Quer dizer, então, que tudo começou por causa de um ufanista que queria tornar uma lenda conhecida e a romanceou, as pessoas começaram a atribuir obras ao mito, depois intelectuais valorizaram-no como pessoa pela sua brasilidade e por fim ele ainda é cultuado por interesses de colecionadores gananciosos.
- Jacke, nem eu teria dito melhor. Realmente fico feliz em ver, como você tem melhorado nos estudos. Só gostaria de saber o que você anda fazendo. – Carlos já havia percebendo a gradual melhora de Jacke.
- Aí, eu já não posso contar professor. É segredo. – Jacke piscou para Tonny.
Nick ficou surpreso em como o estudo em grupo do BØB estava, realmente, dando certo, jamais ouvira Jacke usar palavras com uma ótima sintaxe e semânticas tão bem colocadas, até mesmo o uso de palavras incomuns no falar coloquial.


Quando Carlos terminou faltava por volta de 15 minutos para encerrar o intervalo, tempo que a galera levou para debater o assunto e ver os mais diferentes pontos que cada um tinha para não acreditar ser verdadeira a história. Ele vendo o grande interesse da turma, resolveu separá-los em quatro grandes grupos onde todos deveriam usar os mais diversos argumentos para tentar provar que a história de Aleijadinho era real e que tudo não passava de um equivoco de alguns historiadores, poderia, inclusive, se utilizar argumentativas sofistas. Eles teriam uma semana para prepararem-se e um apresentaria seu discurso para outro grupo que teria que refutar os argumentos.

- Para ajudá-los, você devem comprar o livro “Guia politicamente incorreto da História do Brasil”, do jornalista Leandro Narloch, que usei na aula de hoje, tem também “Aleijadinho e o Aeroplano”, da Guiomar de Grammont, no "Guia Politicamente Incorreto", vocês encontrarão mais alguns livros bons para estudar e, claro, podem consultar a net, mas lembrem de fazer triagem nos resultados, pois apesar da web ser rica em conteúdo nem tudo pode ser levado a sério, como é o caso dos livros, deve-se ser bem analisados.

Mal terminou de falar e o pessoal da merenda chegou, todos estavam esfomeados, restava pouco menos de dez minutos, mas enquanto comiam continuavam a comentar. O sinal de largada já estava prestes a soar, já podiam ser ouvidos o ronco dos motores, cada um em sua grid de largada, prontos para saírem em disparada, rumo a porta atropelando quem quer que fosse para ir embora, mas quando deu o sinal de termino do período de estudo a largada teve de ser interrompida por problemas técnicos, a pista estava intrafegável, a sala se encontrava uma farofa só e Rose os lembrou que teriam de arrumar a bagunça, pois fora avisada da promessa que haviam feito deixá-la limpa e organizada.

- Valeu, cabeção! – Tonny jogou uma bolinha de papel na cabeça de And, a culpa era sua por ter prometido, mas antes que desse por si, varias outras vieram em sua direção, a turma resolvera usa-lo como bode expiatório, quanto tentou defender-se era tarde.
- Galera, não adianta tentar mortificar quem assumiu o compromisso por vocês, agora já está prometido e vocês terão de limpar.
- Está bem, professora.
Apesar da má disposição, o serviço foi rápido, já que todos ajudavam, afinal, queriam muito ir embora. Bem, ao menos puderam sair de suas posições, ao limpar a sala, eles saíram com 20 minutos de atraso do previsto pra largarem, devido as condições adversas da sujeira, mas ainda com bastante disposição para logo chegarem em casa – trabalho não era com aquela turma, ainda mais forçado, demorou, mas foi.

Se uma história tem poder de com o tempo acabar-se imortalizando num livro, mesmo que tão fantasiosa e inverídica, como a do Aleijadinho, quanto mais no caso de Vicky. Pra piorar a sua era verdadeira e agora estava espalhada por toda teia global, sua reputação certamente estava acabada e como se não fosse suficiente ainda teve de aturar a gozação do pessoal.
Ele estudara com mais afinco ainda nas últimas 24h para o debate para ver se esquecia que fora desmascarado no dia anterior e que as meninas ainda estavam irritadas com ele, como viver sem ter uma mina para paparicá-lo? “Ó vida, ó céus, ó azar!” - podia até não parecer, mas isso lhe causava uma tremenda pressão psicológica, "Como alguém aguenta ficar tanto tempo sem uma mina? OMG, quero nem pensar pra não dar bode geral!".

Mas quando entrou na sala qual não foi sua surpresa ao constatar que, apesar do importante debate que teriam, o BØB estava interessado em algo mais importante, assistir seu vídeo no U2B. Ficou irritado, mas nem ele mesmo resistiu a comicidade da cena: ele levantara vermelho com cara de que não entendera nada, olhara para os lados, de repente ficara branco como papel e saíra correndo a mil.
- É, vocês conseguiram o que queriam, parece que vou ter que procurar minas em outra escola. – “Isso se ainda me tiver restado um pouco de reputação”.

And caiu na risada e gargalhava olhando pra cara de Vicky.
Vicky se irritou e como policial chegou abordando imponentemente.
- Você não acha que está rindo demais não, chapa?
- Tem nem como não rolar de rir.
- Pois eu acho que foi você que postou esse vídeo, aí! – Vicky empurrou And com as duas mãos.
- Você é louco, galego? Quer morrer? – Disse And vindo com tudo pra cima de Vicky, ficando com o rosto a alguns milímetros do seu.
- Fala logo que foi você. Você só quer saber de me ferrar mesmo! – Sua testa estava encostada na de And, uma verdadeira briga de veados, eximindo-se os chifres, quem tivesse a cabeça mais dura ganharia.
Mas antes que os dois se atracassem Tonny segurou Vicky e Jacke ficou com And, puxando-os pra longe um do outro.

- Você piraram? – Brent dizia do meio deles. – Vocês vão se pegar justo agora, a aula do Carlos já começar e a gente tem um debate muito sério.
- Foi mal. – Disse And abaixando os ombros e deixando de oferecer resistência, ao passo que Jacke lhe soltou.
- Foi tudo culpa desse louco aí. Esse tosco, sem noção. Por que tinha que colocar o vídeo no U2B? – Vicky fazia mais força e quanta maior, mais Tonny apertava seus braços, presos atrás das costas. – Me larga logo, caramba! – Disse virando a cabeça para Tonny, quando voltou a cara de And estava novamente a sua frente.
- E pra que eu ia fazer isso, sua litle fag? – Ele já havia se acalmado, mas quando Vicky julgara a culpa em si, ficou possesso e foi encará-lo novamente.
- Pra quê mais seria, bitch? Não é você que perde um amigo, mas não a piada? Você com certeza estava louco pra acabar com minha reputação. – O braço de And veio tão rápido em sua direção que quando viu, já estava diante dos olhos, teve tempo apenas de fechá-los antes de não apenas sentir, mas também ver o pior lhe acontecer.

Postagens mais visitadas deste blog

Desconhecido ante a mim

A maldade em mim