Sedução das trevas


Você me diz que as trevas não brilham,
Como pode estar tão ingenuinamente enganado em seu querer?
Suas suposições e intenções refletem apenas aquilo que esperas,
Não há nehuma verdade em teu desejar.
Mentiras desfeitas como negras nuvens daquele dia
Que a chuva levou para longe de ti.

Quem outorgou-lhe sabedoria tal para inquirires estas palavras?
Na verdade da soberba de teu coração as disseste,
Há sim, verdade que te falta buscar.
Supões apenas aquilo que lhe incutido foi,
Verdades absolutamente impregnadas em tipografias
Que lhe sepultam ainda mais,
Teorias sem expressar verdade do viver.





Quisera não me ter lançado profundamente no lamaçal,
Nadado tão fundo, direção ao redemoinho.
As vezes penso, e como penso,
Não haver mais volta...

Tento olhar pro alto,
As trevas tão densas, já não vejo a Luz.
Apenas o turvo brilhar de trevas,
Sombrado de dor.
Essa opaca luz impede ver o Sol brilhar.
Sentido há de aqui ficar?

Dor maior que o peito possa aguentar,
Escapa transparente olhos afora, cortante, lancinante,
Espada de dois gumes dilacera alma minha,
Escorre entre os dedos sai em palavras.



Forço os olhos posso ver
Ainda ali, não muito distante
Cova, nome meu escrito,
Feita com mesmas mãos que tais palavras dilui
Mostrando-se convitativa...

A sedução das trevas é tão foraz,
Luz ofuscante,
Beleza de profundo cegar.
Quem viu já foi tomado,
O terceiro grau queimastes sob a incendiária luz.



Não foi por querer que aqui cheguei,
Mas trago por minha vontade.
Vida procrastinada, imenso rascunho
Que no fim se revela sem direito a final feliz.

Feliz de que final? De que final és feliz?
Vida de rabiscados dias teus,
Esquecendo que o espetáculo se desvela a cada amanhecer.
Oportunidade não há em reescrever,
Ou se vive ou se esteve morto há tempos.

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