Problemas com perfil fake 22 [O mistério de Feiurinho]


Por pouco o soco não acerta a cara de Vicky, se Brent com um rápido reflexo não tivesse segurado o braço de And, Vicky teria não só no olho, mas em todo rosto um imenso hematoma, iria parecer usar mascara e dessa vez não seria apenas maquiagem.
- Brent, solta o braço do And. – Brent soltou na mesma hora, e And ficou massageando o braço devido a intensidade do aperto. – Você também, Tonny, soltou esse moleque aí.
- Tudo bem! – Disse Tonny largando os braços de Vicky.

- Olha aqui! – Todos olharam pra Daves admirados por sua atitude de comando. – Se vocês quiseram se matar seus dois boiolas, vão se pegar lá fora e não se preocupem que a gente não vai se meter, porque da última vez que, alias, nem faz tanto tempo assim, a gente se meteu na briga, todo mundo se deu mal. 

Se vocês não sabem se comportar igual homem, vão resolver se pegando então, seus fedelhos. Mas fique sabendo de uma coisa Vicky, não foi o And que fez o vídeo, não daria tempo para ele gravar, ele estava do teu lado e depois foi tudo muito rápido, não daria para ele fazer o vídeo. Quem fez isso foi alguém muito mal intencionado que só estava te observando.

- Então se não foi ele, quem foi? - Vicky abaixou a cabeça, olhava de rabo de olho, totalmente envergonhado, mas ainda não muito convencido da teoria.
- Cara, como você é babaca!
-And, chega! O Daves, como mais sensato de todos nós, tem toda razão. - Disse Tonny.


- Vicky, você viu algum cara correndo atrás de você no meio das meninas?
- Eu, heim!? Graças a Deus não! Mas por que a pergunta, Daves?
- Se você não reparou a gravação vai até você se esconder no banheiro e você mesmo disse não ter visto nenhum guy atrás de você, então, só pode ter sido uma das meninas.
Foi, então, que a ficha de Vicky caiu e ele viu a mancada que dera ao acusar And sem provas.

- Tudo bem, mas ele ainda deu mó mancada fazendo aquilo comigo. Ele tinha que cortar meu barato com as minas? Eu não estava prejudicando ninguém. – Vicky ainda tentou tirar o corpo fora.
- Tem certeza mesmo, Vicky? – Tonny questionou.
- Cara, vou te dizer uma coisa: o And pode ser uma mala sem alça, sem rodinha e zíper também...
- Está bem, Jacke, não precisa me elogiar tanto que fico envergonhado.
- Que nada, é sempre um prazer, mas voltando ao assunto, faz tempo que estudo com esse coisa ruim e se tem uma coisa que sei que ele não faz é querer acabar com um dude, o cara pode ter todos os defeitos do mundo, mas ele é muito amigo. Com certeza ele fez com a melhor das intenções. Pelo menos quero acreditar nisso. – Começou a rir.

- Tudo bem, mas será que não tinha outro jeito de ele me ajudar?
- E será que de outro jeito adiantaria?
Vicky abaixou os olhos e começou a refletir, foi aí que sentiu um tapa na cabeça.
- Se liga maluco, para de ser emo. Me desculpa aí vai. – And estendeu sua mão.
- Firmeza, véi! – Eles apertaram as mãos comprimindo-as contra o peito de ambos.
- Só que você tem que prometer nunca mais tentar roubar a atenção de todas as minas.
Todos deram risada quando Vicky respondeu encabulado que ia tentar.
- Se bem que acho que isso não vai ser tão difícil, já que as minas não querem mais saber de mim. – Disse com um tom melancólico.
- Oooh! Vem, cá então, neném! – And puxou-o para um forte abraço.
- É muito bom ver todo esse afeto entre vocês garotos, só tomem cuidado para não ser excesso de estrogênio. – Carlos começou a rir. – Muito bem, todos a postos que o debate vai começar.

O debate foi bem acirrado, mostrando o nível de interesse que todos tinham pelo assunto, nada mais sedutor do que desvendar os segredos por trás de um símbolo patriótico, as pessoas sempre querem saber sobre o oculto, segredos e conspirações. A ideia não poderia ter sido melhor aproveitada, com ótima repercussão, até mesmo Henry largou a direção para acompanhar a disputa quando ela continuou após o intervalo, a exposição de ideias foi tão grande que achou-se por necessário tomar a aula seguinte, que Rickie cedeu de bom grado, outros professores que tinham janela na grade horária foram acompanhar o resultado.

- Mas como assim deu empate? – Vicky conseguira dispersar um pouco o pensamento de seu trágico problema, nada como um problema para ocupar nossa atenção diante de outro.
- Todos foram muito bem nas argumentações e lembrem-se que na história não importa o que é verdade ou não, mas apenas o fato da descoberta e o questionamento, há espaço para todos pontos de vista desde que possam de alguma forma ser provados, quando não, desde que tenha argumentos muito convincentes, Danwin que o diga. Se isso serviu para você aprenderem a questionar o “certo” e “verdadeiro” da história, então fiz minha parte...

Depois de terminadas as aulas, Vicky sentiu-se relaxado por saber que nenhum de seus amigos queriam acabar consigo, foi um imenso alívio, já que não há nada pior do que não poder confiar em seus companheiros. É um sentimento trágico imaginar que se está cercado por pessoas nas quais não se podem confiar, deve ser esse o sentimento que habita o pensamento dos malfeitores, saber que pertence a um grupo de pessoas onde não há confiança, tendo que ser extremamente passional, sem nenhum envolvimento para não ser morto – não tem coisa pior que está cercado por pessoas e sentir-se sozinho.

Apesar do contentamento ainda sentia-se indignado, jurou que descobriria algum dia o engraçadinho, ou melhor, a engraçadinha e a faria pagar caro pela vergonha pública, embora a raiva tenha sido momentânea restou-lhe o trauma de ser chamado de “neném”, a ponto de não coseguir mais ouvi-lo, tantas foram às vezes que And o incomodou – só que se tratando de apelido, quanto mais a gente se enfeza mais as pessoas tem prazer em nos chamar daquilo, pois é engraçado ver a pessoa ficando nervosa, aí que dá mais prazer de provocá-la, o segredo é entrar na brincadeira dando apelidos e rindo, fazer graça é o melhor remédio contra apelidos irritadiços – foi assim que ele ficou marcado pra sempre como Baby Vicky.

Os dias foram passando e parece que Vicky estava marcado pra sempre, fadado à sina de ser ignorado completamente pelas meninas da escola, quando se aproximava de alguma não precisava nem falar nada para que se distanciassem, ele confirmou cheirando as axilas para ver se estava fedido.
- O seu desodorante venceu de novo, cara?
- Que desodorante o quê, mano, mas parece que sim, as minas estão correndo de mim! E que história é essa de vencer de novo? – Disse se recuperando da repentina aparição.
- E porque você acha que ainda é fedelho? – Acabou-se no riso.

- Velho, é sério, você não faz noção da gravidade da situação, será que tem alguma coisa escrita na minha testa?
- Tem sim! – And disse sombriamente.
- O quê? Aonde? Como? – Disse olhando no espelho de seu armário. – Não consigo ver nada!
- "Mané"! Para de ser encanado com isso, mano!
- Palhaço! É sério! Já tem três dias e elas ainda estão em ignorando.
- Só três? E o que você queria?

- Oh, vê meu hálito... – Disse expirando na cara de And que foi pego de surpresa.
- Ô! Quê isso? – And se afastou.
- O que foi? Estou com mau-hálito? Bem que eu sabia! – Disse para si mesmo.
- Não, está com aquele hálito de “frutinha” de sempre. – E voltou a rir.
- Caramba, meu, não dá para falar sério uma vez contigo! Você só sabe ser engraçadinho, eu aqui com um problema de vida ou morte...
- Hey guy, relaxa! Que caso de vida ou morte o quê? Você vai ver que isso logo passa e por falar em “frutinha” deixa eu sentir seu hálito de novo. – Vicky sopro-lhe novamente. – Hum... É halls e do meu sabor preferido, eu quero!
- O mano, só tenho um...

- Para de ser regulado e me dá aí, velho!
- Tá bom! – Vicky deu a contra gosto seu pacote de halls.
- Caramba está cheio! Ô, bicho regulado e você disse que só tinha um! – Disse fechando o olho direito para focalizar melhor sua cara-de-pal
- Mas é sério, só tem um pacotinho e não te ofereci porque se não os guys iam ver aí já era meu halls...

Era tarde, Vicky mal terminou a frase, pois And lançou o pacote pra o BØB que se aproximava.
- ...Meu halls! – Vicky sussurrou incrédulo enquanto estendia a mão tentando evitar por reflexo o inevitável.
- Man. – And pôs a mão em seus ombros. – Não encana com esse negócio porque as garotas tem memória curta, logo elas vão esquecer de tudo.
- Mas, como você tem tanta certeza? – Vicky ainda olhava para o pacotinho, ou para o que restara dele, enquanto os guys agradeciam a And.

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