Problemas com perfil fake 23 [O mistério de Feiurinho]

- Você esqueceu onde estamos? Estamos no Brasil, o país da amnésia, é só você olhar pra Brasília que perceberá o quanto nossa memória é curta.
- Man, não é que você pode ter razão? – Vicky despertou da paralisia e olhou para And, que pra sua surpresa soprou-lhe os olhos, fazendo-os arder por causa do halls.
- Ah! Seu miserável, eu te pego! – And disparou corredor adentro, direção à sala, enquanto Vicky gritava. – Sabia que era muito estranho ter um conversa séria com o And, era pedir demais. Oh, my Gosh, eu mereço! – Disse a si mesmo.

Apesar de parecer bem lógico o argumento de And, Vicky ainda sentia-se pouco confortável a ideia de não ser o centro das atenções e do universo feminino, já se aproximava o quinto dia e elas continuavam a ignorar-lhe completamente – restava apenas dois dias para o retiro da escola. Sua preocupação maior com as meninas é que não deveriam estar bem sem tê-lo como colírio pra iluminar os olhos.


- Mans, eu vou mudar de escola. - Comunicou Vicky ao BØB, enquanto tomavam smirnoff ice na cafeteria, sábado de manhã, onde costumeiramente se reuniram para fazer preparativos quando iam aprontar alguma, ou mesmo recarregar as baterias – embora smirnoff ice seja considerada bebida fraca é quase três vezes mais forte que uma cerveja de alto teor alcoólico, ela pode ser considerada menor quando se compara a garrafinha com a vodka original que tem 1/4 de conteúdo etílico do destilado.

Enquanto cada um recostava a vontade em sua cadeira junto a mesa posta na calçada, o sol surgia naquele dia ameno, conforme saia o sol, do outro lado, brilhava o conversível de cada um.

- O quê? – Perguntou o BØB assustado, todos cuspiram a vodka ao mesmo tempo.
- Eu conversei com meu pai e ele vai ver outra escola pra mim, acho que segunda não estou mais com vocês.
- Mas, por quê? – Tonny perguntou assustado.
- Não estou me sentindo muito bem em estudar mais na High School...
- Não, Vicky! Não vai me dizer que é por causa das minas?
- Então, Daves...

- Já sei! Por esse "então" entendi tudo! – Disse Jacke.
- Pôxa, vocês fazem ideia como é ficar na pindaíba uma semana inteirinha?
- Ainda não fez nem uma semana, vai completar só na segunda.
- Mas, Daves, é muito tempo.
- Muito? Você faz ideia de quanto tempo estou sem pegar uma mina?
- Se for mais que o meu, quero nem saber porque dá azar. Mas o pior de tudo é imaginar como elas conseguem ficar tanto tempo assim sem mim.


- Ah! Se manca, Vicky! – And derramou sua smirnoff na cabeça de Vicky.
- Oh, maluco!
A partir daí começou uma zueira só, com direito a muito barulho, um jogando smirnoff no outro, a bagunça foi tanta que começou a incomodar os demais clientes que olhavam com cara feia pro bando de mau-educados, a coisa só piorou, decidiram fazer competição de arrotos, até que vendo o garçom que os servia com cara feia perceberam que o clima não estava bom pra eles, decidiram ir embora. Quando Tonny foi pagar a máquina de cartão não estava funcionando, o que o gerente lhe informou com a maior má vontade possível, quase sendo grosseiro e mostrou o aviso que não estavam a receber pagamentos por cartões.

Tonny olhou para sua carteira e depois para a conta e viu que não tinha dinheiro suficiente, afinal, não era de seu costume pagar em dinheiro, usava apenas débito ou crédito.
- Hey guys! Você tem grana aí?
- Por quê? Ih, Tonny, não vai dizer que descobriu que está pobre? – And desatou a rir.
- Para de ser idiota, meu! – Lhe deu um pedala. – Eles não estão aceitando cartão hoje, a máquina quebrou.
- Caramba! Só porque era a vez do Tonny pagar a conta. - And disse massageando a nunca.
- Firmeza, go to cownInformationGo to cownExp. Ingl. "Vamos à vaca!". então! – Jacke decidiu.
Juntaram a grana, cada um tinha um pouco, com exceção de And que disse não ter dinheiro na carteira.

- Aqui está! – Tony depositou o rateio no caixa.
- Sim, mas aqui tem apenas R$ 472,00 e a conta de você é R$ 517,32! – Disse o gerente com uma impaciência ainda maior, após contar as notas.
- Sei, mas é tudo o que temos, a gente não é de usar dinheiro.
- Vocês deveriam ter prestado mais atenção no aviso, antes de consumir!
- Mas a gente sempre vem aqui!
- Sim, mas não vendemos nada fiado!
- Se o senhor quiser a gente pode fazer streap pra animar a galera, disse And subindo num banco e levantando a camiseta.

- Você quer, por favor, pedir para seu amigo descer daí? – Dessa vez quase saiu fogo de suas narinas.
- Aquieta o facho que o cara não está com a menor graça! – Tony disse ao puxar And com tudo ao chão pela camiseta.
- Qual é? Cara mais chato, também não precisa rasgar minha camiseta, comprei ontem, seu fag!
- Será que a gente pode ir sacar e trazer pro senhor?
- Você está me achando com cara de idiota ou o quê?
- O quê!
- O quê o quê muluque? - Disse fuzilando And.
- Mas o senhor que per... - Jack tapou a boca de And.
- Caramba, onde está o direito de livre expressão nessa birosca? - Disse a si mesmo ao se afastar de Jack.

Tonny começava a ficar vermelho, não só de vergonha, mas de raiva, afinal, eram clientes assíduos e o gerente os estava fazendo passar por um vexame sem precedentes, como vingança por uma "pequena" baderna. Todos clientes olhavam fazendo comentários, Tonny ficou tão injuriado com a falta de consideração – poxa, eles sempre iam lá, uma vez que se excederam um pouco já eram destratados de tal maneira? Estava tão chateado que não conseguia ver uma solução.
- Então, como vai ser? A fila está aumentando. – Disse sarcasticamente.
- Põem esses mauricinhos pra lavrar pratos! – Alguém da fila sugeriu.
- É isso aí! – Outro concordou.
- Estou com pressa, vai demorar muito ainda? – Uma senhora disse alterada.

O problema era que o gerente já havia registrado o consumo deles e se recusava a cancelá-lo, a fila ia aumentando e assim ele pressionava ainda mais Tonny e os garotos.
- É isso...! – De repente Tony sentiu um estalo. – Qual o número da conta do senhor, por favor?
- Pra que o número da minha conta?
- Pra eu fazer um depósito da quantia restante.
- Filho, você não entendeu que você não vão sair daqui sem pagar? – Ele apontou pra direção das portas, onde haviam alguns brutamontes impedindo a passagem.
- Entendi, mas pra isso preciso do seu número de conta! Eu ligo pro meu pai e ele faz o depósito na mesma hora.

- E como vou saber se posso confiar em você?
- Oras, não tem como, ou o senhor me passa ou daqui a gente não sai hoje!
- Dá logo o número dessa maldita conta pro garoto que a gente tem mais o que fazer! – Disse a mesma senhora, apontando ameaçadoramente sua sombrinha pontuda para o gerente.
- É isso, aí! – Todos da fila concordaram.
- E então, como vai ser?
- Deixa eu verificar algo antes...

O gerente era extremamente desconfiado e foi consultar seu chefe pelo telefone, mas parece que o mesmo não estava de bom humor, por ter sido acordado ates das 11h por um subalterno e gritou para ele dar de uma vez o número da conta – foi tão alto que deu para ouvir do outro lado da porta – logo volta o gerente, desconfiado, trazendo o número escrito num papel, conta e agência.
- Alô...? Daphne Bettoni, meu pai está aí...? Ah, sim! Eu esqueci que ele está em Brasília, no Palácio da Alvorada, numa reunião com o vice-presidente. – Ele falava altissonantemente para que todos ouvissem bem e conseguiu o que queria, todos ficaram admirados. – Você me faz um favor? Estou numa cafeteria que não aceita cartão e o gerente não deixa a gente sair pra sacar dinheiro, por isso preciso que faça um DOC pra mim agora.
- E qual o valor? – Daphne perguntou em seu tom profissional de sempre o que fez Tonny dar uma risadinha.
- Espera aí... – Virou-se pro gerente, embora soubesse o valor apenas olhando a conta, fez questão de perguntar para destacar ainda mais o despautério. – Quantos estamos devendo mesmo?
- R$ 45,32 – Disse quase gaguejando.

- Quarenta e cinco reais e trinta e dois centavos.
- Qual o banco, agência e conta?
Tonny deu as respectivas informações falando alto, para que todos ouvissem bem os números que o gerente custou a dar.
- Há mais alguma coisa em que eu possa ajudar o senhor?
- Não muito obrigado, querida! – Riu novamente. – Pronto, a transação está feita. - Disse ao desligar o celular.
- Mas já? E é tão rápido assim?
- Sim, agora é só o senhor verificar sua conta.
O gerente ainda estava desconfiado e pediu para um dos funcionários ir na agência, que distava duas quadras dali, para verificar a conta, quando o rapaz voltou confirmou que havia sido feita a transação. Todos da fila começaram a aplaudir aliviados por, finalmente, a fila andar e poderem pagar suas contas, agora poderiam ir embora dali o mais rápido possível.
- Obrigado pessoal, eu também amo vocês! - And se curvava agradecendo a todos. - Agora podemos ir mon chérieInformationMon chérieTrant. Fran. "Meu querido". O feminino é "ma chérie". Cherry é cereja em inglês., beijos?! – Disse And ao se despedir soprando um beijo pro gerente. – Pena que não vamos mais nos ver. – Falou sombriamente ao voltar para a rua.
- O que disse And?
- Nada, Tonny...

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