Tempo que passou...



Tempo que escorre-me nas mãos,
Passando entre os dedos
Sem que o possa deter.

Vai-se indo, quando vejo
Tão distante se faz
Obrigando-me ao outono chegar.





Quisera viver num eterno primaveril
Por constante veraneio envolto,
Mas temo que o inverno breve venha.

A força do tempo move o mundo,
Toda a vida e as constelações,
Guiando a luz ao seu destino.

Faze-a raiar por entre a escuridão,
Pela janela aberta alumia todo casebre
Despertando lembranças que a muito se foram.


Tempo verde madrigal
Teu outono também é vindouro,
Tuas folhas ainda caíram.

Tua força move as ondas no mar,
O mundo gira buscando a ti
Sem poder nunca te tocar.

Tempo que estabelece divisões,
Momentos e tempo de tempos
Colocando visíveis sinais no céu.


Do dia à noite tua aurora se faz.
Em tua expansão há estações,
Movimentos do áureo astro.

O mesmo que pouco atrás embalava em canções,
Com vigoroso impulso permitia o balançar
Em meio ao arvoredo pra lá e cá.

Tempo que causa erosões,
Também é culpado pelos cinzentos pés
A correrem pelo matagal.


Infância ditosa e feliz,
Perdida, foi-se, já não volta mais,
De um morango de anos atrás.

Por maior que me seja o querer
Sei que não vais voltar, tão pouco parar,
Me resta ainda instantes a vivenciar.

A eternidade dura apenas um instante,
Tempo necessário pra tornar
Inesquecível um simples sorrir.

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