...Feliz pra sempre!


Destes a vida por mim
Para que eu pudesse
Lhe oferecer morada

Ouço batidas
A porta alguém vem bater
Voz sedutora convida a porta abrir
Pra corrermos por verdejantes pastos



Me oferece a beleza do mundo
Chamando-me a lhe dar morada,
Mas essa não é Tua voz

Lhe nego descanso e ele se vai.
Dia após dia ele vem
Cada vez mais sedutor
Bate a porta pedindo


Que lhe abra deixando entrar,
Mas nego passagem
Ainda estou a Te esperar

Insistentemente continua a chamar
Oferecendo a doçura da vida
A gordura do prazer
Leite e mel de promessas agradáveis


Insistente, persisto em não abrir
Mas, falho, começo a entristecer
A demora de Tua vinda

Enfraquece-me a esperança
Alguém ínfimo assim te verá novamente?
São meus ou seus pensamentos?
Cada vez mais parecem-me

Belas e aprazíveis tais fábulas
Onde estás Bom Pastor
Que o redil deixastes para trás?

Mão na maçaneta, prestes a abrir
Quando sofregamente a aperto
Pronto a girá-la para a voz que chama
Dizendo que a verdade lá fora está


E não dentro de mim.
As lembranças fazem reviver
Que a vida entregue por mim

Foi para que diminuindo eu
Não restasse nada além de Ti
Negar a mim mesmo
Faz perder a resistência

De viver Tua desconhecida vontade
Carregar minha cruz
Ensina a suportar a dor

E que mesmo no sofrimento
Estás comigo a me amar
Seguir os passos Teus
Mostram a necessidade


De me afastar com Tu
Desisto de abri-la e digo para se ir
"Siga seu caminho largo

Mais a frente encontrarás teu fim"
Um silêncio se faz
Recostado a porta, respiro aliviado
Enquanto gotas de suor escorrem

Nu súbito a porta parece
Arremessar-se sobre mim
Ouço um brado tão alto, como leão

Meu sangue gela
Congelando-me por completo
O rugido se torna vo(ra)z
Com fúria pede pra me deixar entrar


Ameaça derrubar a porta com seu sopro
De fato, parece que ela irá ceder
Não só ela, como toda casa

Mas o Vento em meu coração
Faz-me lembrar que sobre a Rocha
Minha casa construída foi
Ele sopra cada vez mais, tudo treme

Mas permanece em pé
As súplicas se tornam ainda mais fortes
Insistentes, desesperadas

Mais batidas, clamor, ameaças
Até que um brado de ódio
Se faz ouvir, um imenso "não"
Tão cheio de decepção


Ouço então o som de alto mar
Como muitas águas Tu me falas
E me dizes que viestes pra me buscar

Conhecendo Tua voz
A porta abri para que faças morada
Sobre tijolos de nuvens pisei
Correndo pra Teus braços

Pra nunca mais Te deixar ir
Resoluto, mas submisso
Questiono Tua ausência

Com voz mansa e suave dizes
Estavas a buscas outras
E tantas mil ovelhas perdidas
Pelo vale da sombra e morte.


Lágrimas a lavar minha vergonha
Me lanço a Teus pés
Mas me tomas em Teus braços

Chamando-me de Teu filho
Nos braços me conduzes ao céu
E assim começou a vida
Teve inicio a verdadeira história


Findou-se os rascunhos terrenos,
Feliz pra sempre viverei ao lado Teu
Lágrimas agora só de felicidade...


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